07 de julho de 2026
Geral

Cohab

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Nilson e o PPB ampliam desavenças sobre Cohab

Texto: Nélson Gonçalves

O namoro político entre o PPB e o prefeito Nilson Costa

(PPS) pode mesmo não passar de outubro deste ano, quando serão realizadas as eleições municipais. O prefeito disse, ontem, que não aceita a recomposição de cargos na Cohab, com a ocupação de 10 pessoas indicadas pelo grupo do PPB entre as extinções que estão previstas no plano de cargos e salários. Por outro lado, o deputado estadual Carlos Braga lança que o chefe do Executivo comete um equívoco. O principal líder do PPB na cidade rebate que o partido não está falando em fisiologismo, mas em uma aliança política que passa pela extinção de cargos do próprio PPS e até mesmo de indicados por outros partidos, como o PDT, para manter a Cohab-Bauru superavitária.

Anteontem, o JC comentou na coluna Entrelinha que a administração da Cohab gerenciada por um indicado do PPB, Arialdo Mercadante, estava gerando um descompasso com o Executivo e o PPS. A Cohab tinha 156 cargos quando da indicação de Mercadante, com 36 comissionados "sobrando". Hoje, a companhia tem 140 funcionários. As sobras remanescentes estão gerando a principal crise no relacionamento político entre as partes, desde que foi feita a aliança em apoio

à administração municipal. Segundo Carlos Braga (PPB), a Cohab-Bauru está sendo recuperada por um administrador "altamente capacitado e técnico e isso já foi comprovado com o superávit em dezembro depois de vários meses de déficit. Agora, a Cohab só permanecerá viável se as sobras de cargos forem eliminadas. O prefeito, talvez influenciado por integrantes de seu grupo político, comete um equívoco".

O prefeito, por sua vez, manifesta que o PPB pediu a indicação de 10 cargos em comissão na Cohab, que ocupariam as vagas dos exonerados que estão "sobrando". Nilson Costa diz que não aceita a alteração e que não negocia de forma fisiológica em troca do apoio da bancada de vereadores do PPB na Câmara Municipal. O prefeito pontua que se o preço da aliança for os cargos o rompimento será certo.

Carlos Braga diz que há um "equívoco e distorção por parte da administração municipal em relação

à Cohab. O PPB indicou um profissional sério e competente para a presidência da Cohab para que a companhia voltasse a ser um modelo de administração pública no Município. Nós, desde o começo, estamos colaborando com cidade. Nós nunca tivemos a intenção de viabilizar nomeações e tornar a Cohab um cabide de emprego. Pelo contrário. Já existia um plano de enxugamento e o presidente indicado pelo PPB e queria reduzir ainda mais, as sobras".

O deputado estadual comenta que "depois de alguns anos, a Cohab voltou a ter superavit, mas esse quadro só vai se estabilizar se forem extintos os cargos previstos e os necessários ocupados por critérios técnicos. Não adianta a Cohab ter superávit apenas um mês, mas todos os meses. Só que pra isso é preciso realmente deixar o empreguismo de lado o restante do pessoal que está lá".

As contas do líder do PPB partem dos 156 cargos iniciais, do final de 99, com uma "sobra" de cerca de 36 vagas de comissionados. Na recomposição proposta ao prefeito, disse Braga, haveria cerca de 10 vagas ocupadas por indicações técnicas e as restantes "simplesmente têm que ser eliminadas. Então, vamos ter um quadro ainda menor que o atual, com não mais que 130 cargos", fala. Braga diz que o equívoco do prefeito é em relação ao plano que foi deixado por Daltayr Vallin, que "realmente precisa ser aplicado para acabarmos com esses remanescentes. O PPB vai continuar batalhando por isso".

Sobre a fala do prefeito em relação à solicitação de cargos, o deputado estadual credita o "equívoco" aos integrantes do grupo político do prefeito (PPS), "já que dos remanescentes existem integrantes do grupo do prefeito com mais de dois apadrinhados e até indicado de membro do PDT, que é oposição ao prefeito. Ainda existe o empreguismo até da oposição. Que aliança é esta que mantém esses cargos e não aceita discutir indicações com requisitos técnicos, como foi a do presidente, Arialdo Mercadante e a do assessor jurídico, Emir Maddi, pessoas compromissadas com a administração pública e não com o prefeito", critica Carlos Braga.

Carlos Braga considera que o prefeito está ouvindo "integrantes de seu grupo político que estão incomodados com a posição do PPB em relação ao modelo de administração pública. O PPB tem uma bancada de vereadores ativa e o presidente da Câmara e do partido que está dando demonstração de austeridade, devolvendo R$ 500 mil aos cofres municipais. Esta é a posição do PPB. O empreguismo que estão propalando para patrocinar a manutenção de cargos em comissão sem critérios técnicos. Nós não estamos preocupados com a questão eleitoral e o prefeito pode estar dando atenção

à reeleição acima da situação adversa porque a cidade ainda passa, em recuperação", finaliza.

Sobre a aliança com o prefeito, Carlos Braga diz que "o apoio a medidas de interesse da cidade estão acima do prefeito e talvez isto seja o ponto de desequilíbrio desta questão. Isto porque a administração lançou a questão dos cargos exatamente no momento em que a bancada do PPB divulgou que está me pressionado para que eu seja candidato a prefeito.

É preciso não perder as rédeas e cuidar da cidade. A eleição é outro assunto", cita.