Tratador do Zôo é atacado por lobo-guará
Texto: Patrícia Zamboni
Um dos tratadores de animais do Zoológico de Bauru foi atacado, na manhã desta terça-feira, por uma das fêmeas de lobo-guará (espécie em extinção) do Zôo, enqüanto fazia a limpeza do recinto em que ela fica presa. Jomar Gonçalves, 49 anos, casado e pai de três filhos, levou 50 pontos distribuídos pela coxa e braço direito e mão esquerda. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) abriu sindicância para apurar as causas do acidente. Gonçalves foi medicado no Pronto Socorro Central e agora está em casa sob tratamento.
O diretor do Zôo, Luiz Pires, tem algumas hipóteses para explicar o incidente, mas diz que tudo será averigüado cuidadosamente para apurar as reais causas. "Antes dos tratadores entrarem nas jaulas, eles prendem o animal no cambiamento, que
é a área de segurança onde os bichos ficam presos para eles fazerem o trabalho de limpeza e colocar a comida. Talvez o Jomar, sem perceber, não fechou direito a trava do portão do cambiamento e o animal conseguiu sair", analisa Luiz Pires. Outra suposição é que a loba, que no Zôo atende pelo nome de "Pat", teria pulado repetidas vezes sobre o portão e, de tanto forçar, destravou a tranca.
Pires diz que "Pat" chegou ao Zoológico ainda bebê e que foi alimentada na mamadeira. "O Jomar cuida dela há seis anos e nunca houve nenhum problema. Pelo fato dela ter crescido aqui com a gente, ela chega a abaixar a cabeça perto da grade para os tratadores fazerem carinho", conta o diretor do Zôo. Segundo ele, os outros lobos são mais arredios e não gostam de se aproximar das pessoas.
"Nunca tivemos problemas com eles, e o sistema de segurança funciona muito bem", afirma. Luiz Pires está há 17 anos na direção do Zoológico de Bauru, que é o sexto maior do País e o terceiro maior do Estado de São Paulo.
Jomar Gonçalves considera o ocorrido como um "incidente". Segundo ele, é muito provável que a loba "Pat" tenha pulado e conseguido soltar a trinca do portão da
área de segurança, já que ele teria fechado corretamente. "Eu tenho certeza que coloquei a tranca certinho no portão; faço isso há seis anos. Foi uma fatalidade, um incidente", diz Gonçalves. O tratador afirma ter ouvido barulhos no portão, mas que não se importou porque isso é comum. "Enqüanto eu estava limpando a área dela eu ouvi os barulhos, eu sabia que ela estava pulando no portão. Mas eu não liguei porque eles sempre fazem isso. Só que eu acho que dessa vez ela acabou abrindo o trinco do portão, e quando eu me virei para sair, dei de cara com ela", conta o tratador. Segundo ele, foram cerca de três minutos de luta até que outros tratadores ouvissem seus gritos e o acudissem. "Tudo foi muito rápido, e graças à Deus eu consegui pensar rápido também. Ela pulou direto na minha perna, aí eu ajoelhei com a outra perna em cima dela pra tentar segurar, e ela mordeu meu braço direito. Nessa hora eu coloquei a minha mão esquerda na boca dela para abrir e fazer ela soltar. Foi quando os outros tratadores chegaram e tiraram ela de cima de mim", relembra Gonçalves. O incidente aconteceu às 9 horas da manhã, e por volta de 9h30 ele estava dando entrada no Pronto Socorro Central. "O atendimento lá no Pronto Socorro foi espetacular", diz o tratador, que só saberá hoje quando poderá voltar ao trabalho.
Ao ser questionado sobre o medo de outro incidente como esse acontecer, Jomar Gonçalves responde com muita tranqülidade que não teme isso. "Eu adoro os animais e não tenho medo deles. Pretendo voltar logo e continuar tratando da Pat com todo o carinho da minha vida", diz, emocionado. A única ressalva que o tratador de animais faz é que irá conversar com o diretor do Zôo para reforçar a segurança interna, sugerindo a colocação de mais travas nas
áreas reservadas aos lobos. "Mas isso é para os funcionários, porque o público já está muito bem protegido", observa Jomar Gonçalves.
"Pat", que ontem quase não saiu da sua "casinha" durante todo o dia, ficará em observação por dez dias. Cada lobo do Zôo consome cerca de dois quilos de comida por dia, entre frutas (pela manhã) e carne (à tarde).