País terá que importar grãos
Texto: Paulo Toledo
O País terá que importar uma grande quantidade de grãos, principalmente milho, arroz e feijão, neste ano, em razão das perdas ocasionadas pela longa estiagem ocorrida no período de plantio da safra, no segundo semestre de 99. A projeção é de Maurício Lima Verde Guimarães, 61 anos, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), afirmando que ocorreram perdas irreparáveis para a agricultura paulista e de vários outros Estados.
De acordo com Lima Verde, esse excesso de chuvas que vêm ocorrendo nos últimos dois meses não mudam o quadro que se desenhou nos meses em que ocorreu a falta, de setembro a 15 de dezembro. A estimativa é de que as culturas de grãos tenham uma quebra de, no mínimo, 40%.
O vice-presidente da Faesp disse que não é possível transferir o "relógio das plantas" para um mês depois. Ele lembra que as chuvas são características deste mês e do próximo, que, geralmente, juntos respondem por cerca de 50% do volume de chuvas do ano. "Beneficiaria demais se as culturas tivessem sido plantadas na época certa. O fato de ter um excesso de chuvas agora não melhora nada", afirmou.
Nesta semana, membros da Fapesp realizaram uma avaliação do problema. Ele lembra que as culturas perenes, como a laranja, café e a cana-de-açúcar, que têm influência direta na economia da região terão situações diferentes. No café, todas as projeções apontam para uma perda de aproximadamente 35%. Os produtores de laranja acreditam numa quebra de safra de aproximadamente 30%. Sob o aspecto econômico, laranja quem perde é o produtor, já que existe excesso de produção, enquanto que o café pesa na balança comercial. A cana está encontrando dificuldades para brota.
As lavouras de soja, milho, algodão e amendoim estão entre as mais prejudicadas, sendo que a última deve ter perda de quase 100%. De acordo com ele, o governo já decidiu que vai importar, em razão da previsão de falta. Lima Verde disse que a projeção é de que ocorra, também, importação de arroz e feijão. No caso do feijão, que também foi plantado fora de época, as chuvas também são prejudiciais.
"Vai ser um quadro de importação de grãos, não tenho dúvida nenhuma", lamentou.
O vice-presidente da Faesp diz que as chuvas atuais vão beneficiar a pecuária, já que vão melhorar os pastos.