Recém-nascido morre no berçário da Maternidade
Texto: Fabiana Teófilo
Dois Boletins de Ocorrência (BO) foram registrados por Aparecida de Fátima Silva, mãe de um recém-nascido que morreu, ontem à tarde, no berçário da Maternidade Santa Isabel. Segundo a tia do bebê, Eliana Cristina da Silva, houve negligência médica. A direção da Maternidade nega que tenha havido negligência e não divulgou a causa da morte. A família ainda não havia decidido se irá ou não pedir uma necrópsia para apurar o que motivou a morte do bebê.
No primeiro BO registrado, anteontem, a família do bebê alega omissão de socorro. O segundo BO foi registrado após a morte do bebê, que ocorreu por volta das 13 horas. A pediatra Maria Luiza Nagao, que atendeu o recém-nascido na Maternidade teria dito, anteontem, que ele precisa ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas por falta de vaga pelo Sistema
Único de Saúde (SUS), nesse setor do hospital, a internação não teria sido realizada.
A família alegou ter pedido uma internação particular, dizendo que depois conseguiria uma maneira para pagar os gastos, o que teria sido negado pelo hospital. "Não importa como iríamos pagar, só queríamos o bebê vivo", disse Eliana, a tia do recém-nascido.
Segundo o diretor clínico da Maternidade, Rodolfo Celeste, o parto de Aparecida era de alto risco por ela ser hipertensa e diabética. Ele afirmou que a ausência de pediatra durante o parto não interferiu nesse caso. "O bebê foi atendido no berçário por um pediatra", afirmou.
Celeste disse também que o motivo real da morte nunca é informado. "O pediatra coloca no atestado de óbito aquilo que ele acredita ter sido a causa, mas não ficamos sabendo a causa verdadeira do óbito", explicou. O diretor da Maternidade disse ainda que partos cesarianos só são realizados, através do SUS, quando são realmente necessários.
Celeste afirmou também que, independente do convênio, todas as mães são tratadas da mesma maneira. A única diferença, segundo ele, é não ter como fazer analgesia de parto em pacientes do SUS. "O motivo dessa criança não ter sido atendida na UTI foi por falta de vagas. Temos sete ou oito leitos de UTI, que estão sempre ocupados", contou.
Eliana contou que sua irmã Aparecida realizou todos os exames do pré-natal e que a gravidez não tinha problemas.
"Estava tudo muito bem. Na hora do parto, quando viram que o neném era muito grande, deveriam ter feito uma cesária, mas os médicos preferiram forçar o nascimento através do parto normal", disse.
No primeiro BO registrado pela família consta que o bebê teria hematomas pelo corpo. Eliana disse que os hematomas foram causados durante o parto. O diretor da Associação Hospitalar de Bauru, que administra a Maternidade, Reinaldo Rocha, confirmou a informação de que anteontem não havia vaga pelo SUS na UTI e que ontem quando foi liberada uma vaga, o bebê já estava morto.
Coselho Feminino
A presidente do Conselho da Condição Feminina, Estela Almagro disse que, provavelmente ainda hoje, levará Aparecida para depor no Fórum. O promotor da Cidadania, Carlos Roberto Simioni, continua ouvindo vários casos de mães que denunciam problemas nos partos realizados pelo SUS na Maternidade Santa Isabel. Estela disse que até o meio da próxima semana, o número de denúncias já deverá ser suficiente para que Simioni prossiga o trabalho de investigação.
Mulher tem medo de parto
Eliana Cristina da Silva fazia tratamento para engravidar há um ano. Depois da morte de seu sobrinho, ocorrida ontem, ela afirmou que só vai ter um filho quando tiver condições de pagar o parto. Ela afirmou que tem muito medo de acontecer com ela, o mesmo que aconteceu com sua irmã. "Esse caso da minha irmã, certamente, não é o único. Eu já não quero ter filhos", disse. "Eu vou esperar e o dia que tiver condições financeiras de ter um parto particular, aí então, engravido", finalizou.