Sindicato dos Bancários denuncia Banco do Brasil à Procuradoria do Trabalho: coerção
Diretores do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região estiveram reunidos no Ministério Público do Trabalho (MPT)-Procuradoria Regional da 15ª Região, em Campinas, ontem, para denunciar várias ações do Banco do Brasil (BB) que consideram arbitrárias. De acordo com a entidade, o BB anunciou, através de comunicado interno, que está implementando um Programa de Adequação dos Quadros de Pessoal (PAQ), que deve transferir compulsoriamente vários trabalhadores em todo o Brasil.
Norton de Souza, superintendente em exercício da regional do Banco do Brasil, afirmou que a instituição está fazendo uma adequação de quadros em todo o Brasil, de acordo com critérios de produção das agências, levando em consideração vários parâmetros, como número de contas por funcionário, volume de operação de crédito, entre outros, que serviram para definir o número considerado ideal para cada uma das agência.
A partir desse número ideal, diz Souza, as agências serão adequadas e os funcionários deverão ocupar as vagas nas agências deficitárias, para que ocorra um equilíbrio. No Estado de São Paulo, diz, há uma concentração de trabalhadores no Interior e falta na Capital.
Para o superintendente em exercício, como toda empresa que possui filiais, o trabalhador do BB deve estar disposto a mudanças. Ele cita seu exemplo pessoal que, ao longo da carreira já passou por várias cidades. "É uma política do Banco do Brasil", afirmou.
De acordo com o Sindicato, com o programa, centenas de funcionários de 258 agências do BB estarão sendo obrigados a pedir transferência para outras localidades. Caso não aceitem ser transferidos, informa a entidade dos trabalhadores, o banco ameaça com demissão. Na área de abrangência do Sindicato de Bauru, "cerca de 15 funcionários devem ser obrigados a pedir transferência sob coerção: ameaça de demissão".
Em nota à Imprensa, o Sindicato informas que diversas fiscalizações solicitadas pela entidade à Subdelegacia Regional do Trabalho de Bauru constataram a falta de funcionários. "E se há filas, é porque faltam funcionários".
O Sindicato protocolou, ontem, no MPT, em Campinas, representação contra as atitudes que estão sendo tomadas pela diretoria do banco. O Sindicato esteve reunido com o titular da Coordenadoria de Defesa de Interesses Difusos e Coletivos (Codin), XXXXXX.
Em 1996, em processo semelhante, o MPT, depois de denúncia do Sindicato, ajuizou ação civil pública com pedido de liminar contra o Banco do Brasil solicitando a proibição das transferências arbitrárias e a contratação ilegal de estagiários. A Justiça concedeu tal liminar, que vigora até hoje. Ou seja, segundo o Sindicato, nenhum funcionário do Banco do Brasil pode ser transferido compulsoriamente da base do Sindicato dos Bancários.
O Sindicato informa que, além das iniciativas judiciais, tomará uma série de medidas visando impedir a demissão ou a transferência de funcionários.