07 de julho de 2026
Geral

Ressaca

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

Estômago: primeiro alvo da ressaca

Quem está de ressaca e pensa que o grande prejudicado é o fígado se engana. O cirurgião geral, especializado em gastrenterologia Moacyr Moraes de Abreu Júnior, garante que quem sai no prejuízo é o estômago. "Diferente do que muitas pessoas pensam, o estômago é o que mais sofre com as substâncias do álcool, quando se está de ressaca".

O álcool, quando ingerido, agride de várias maneiras o organismo. O primeiro órgão a sofrer a agressão é o estômago. E não

é só isso, as lesões também podem causar, futuramente, gastrites e até úlceras.

Conforme Abreu Júnior salientou, as pessoas têm uma falsa idéia de que o fígado

é que é atacado com a ingestão de bebida alcoólica. No entanto é o estômago que mais sofre. E explica: "Realmente, o álcool passa pelo fígado e acaba trazendo uma série de conseqüências, mas é o estômago que provoca o mal-estar da ressaca".

Náuseas, mal-estar e dores de cabeça são alguns dos sintomas causados pela "bebedeira" da noite anterior e que caracterizam a ressaca do dia seguinte. Devido ao álcool ser absorvido, principalmente pelo estômago

é que surgem os problemas sintomáticos que resultam na "famosa" e tão odiada ressaca.

Depois da noite de "bebedeira", a manhã seguinte acaba não sendo uma das melhores, especialmente para aqueles que beberam mais do que o organismo poderia suportar. "A ressaca é uma situação decorrente do abuso do álcool, ou seja, a última conseqüência da intoxicação por bebida alcoólica", acrescenta.

Para ilustrar essa idéia, existem vários casos em que a bebida é a maior vilã das histórias. Um exemplo é o de Kika dos Santos, 25 anos, que um dia se embebedou porque estava comemorando o aniversário com os amigos e acabou sendo "carregada" para casa por eles. Mas isso não é tudo. Ela conta que o pior da festa foi o dia seguinte, quando amanheceu com tamanha dor de cabeça e ânsia de vômito que não podia nem levantar da cama. "Foi horrível, pensei que fosse morrer, porque minha cabeça parecia que ia explodir e a sensação de mal-estar não passava. Depois desse dia, voltei a beber, mas com moderação", disse.

Processo

Há todo um processo para que a ressaca ocorra no dia seguinte. O primeiro passo para se ter uma, é beber a mais do que o organismo possa suportar. O álcool consumido passa a ser absorvido pelo sangue, entra na circulação e por onde transita deixa marca.

As primeiras alterações ocorrem no estômago e depois no fígado, quando é transformado em outras substâncias, que são tóxicas ao organismo. Essa transformação é que causa problemas como sonolência, dor de cabeça, náusea e vômito, características da ressaca.

A explicação do gastrenterologista sobre a bebida é que ela é diurética. A substância do álcool inibe o hormônio antidiurético, ou seja, a urina passa a ser descontrolada pelo organismo. É por isso que depois de muitas latas de cerveja, a freqüência ao banheiro se torna maior. No entanto, não é necessária grande quantidade de cerveja para ir ao banheiro. Pequenas quantias também levam ao mesmo caminho. "A desidratação após a "bebedeira" se dá pela excreção da urina freqüentemente", ressalva Abreu Júnior.

Além de a vontade de fazer xixi ser constante, a pessoa que está bebendo há horas fica desidratada porque o fígado, que retém açúcar e é responsável pelo estoque de glicose, gasta toda essa substância.

Além disso, o álcool é um depressor do sistema nervoso central, que permite o surgimento da ressaca. A sonolência durante o dia ocorre devido ao sono curto e agitado, que também são sintomas da ressaca.

Segundo o gastrenterologista, no dia seguinte acorda-se mal, porque foram poucas horas de sono e, por isso, as dores de cabeça também são persistentes.