07 de julho de 2026
Geral

Bairros

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 4 min

V. Independência sofre transformações

A região da Vila Independência envolve vários conjuntos populares, loteamentos, vilas e jardins, como as vilas Nipônica, Santista e São Francisco, os jardins Jandira, Noroeste, Central e Eugênia.

É um bairro que surgiu pouco antes dos anos anos 50. Assim como outros bairros, também foi influenciado pela ferrovia, que gerou todo processo de desenvolvimento em Bauru, pela instalação da já extinta Sambra, comunidade japonesa e por ser a saída para Piratininga. Os moradores fazem parte de várias classes sociais. É um bairro que vem se transformando ao longo do tempo.

Os diversos tipos de construções, que vão desde as mais típicas, populares e antigas casas de madeira, até as construções modernas dão ao bairro multicaracterísticas. Muitas casas de madeira deram espaço para construções novas e maiores, principalmente na região mais alta do bairro. Essas características apontam que existe uma tendência de grande valorização imobiliária para o futuro, isso se houver investimento correto nos vazios urbanos da Vila Independência.

A ocupação urbana do bairro

é influenciada pelo traçado regular, como toda a região central da cidade. Foi um urbanismo moderno para

época em que foi feito o loteamento, que previa o sistema de quadras muito regulares, que repete o padrão original do centro da cidade, mas que já se deteriorou, na medida em que surgiram os outros bairros ao lado.

A Vila Independência era um bairro voltado para habitação, que desenvolveu um grande comércio nas duas principais vias de entrada e saída do bairro: a rua Felicíssimo Antônio Pereira e a avenida Castelo Branco. Esse comércio surgiu por necessidade, porque a medida em que as pessoas foram se assentando e formando o bairro, surgiu a carência da implantação de comércios e serviços mais próximos dos moradores

A parte mais baixa da região da Vila Independência, formada por vilas e jardins, como a Vila Santista, jardins Central, Jandira e Noroeste, possui muitas deficiências. Em diversas ruas faltam asfalto e calçadas e a população sofre com a drenagem das águas fluviais, que geram problemas graves de erosões e enchentes.

"E isso pode piorar, se não houver uma mudança de planejamento na implantação dos loteamentos na cabeceira desses córregos", afirmou José Xaides de Sampaio Alves, professor de Urbanismo na Faculdade de Arquitetura da Unesp de Bauru.

As áreas públicas e coletivas da Vila Independência seguem o modelo típico de loteamentos antigos de Bauru, ou seja, o planejamento do bairro privilegiou os lotes particulates.

"Pensou-se no lucro que os empreendedores poderiam obter desses loteamentos, e não as áreas públicas que deveriam ser deixadas para resolver os problemas coletivos do bairro. As áreas públicas, como áreas de lazer, praças e áreas de reserva para a construção futura de equipamentos públicos, são poucas sobras dentro do loteamento. Não foi pensado num conceito urbanístico que definisse um bairro de qualidade. Em 95, por exemplo, a Prefeitura teve que desapropriar uma área particular porque não tinha terreno público para construir sua Regional", explicou o professor.

A verticalização não aparece na Independência. "É um bairro que não recebe a atenção dos investidores públicos e privados desse tipo de construção", disse Xaides.

A região mais antiga da Vila Independência, próxima à avenida Castelo Branco, é a que mais concentra moradores. Os jardins Jandira e Eugênia, as vilas Santista e Santa Inês têm muitos vazios urbanos e quadras de lotes que estão sendo especulados.

"Esses vazios urbanos poderiam receber algum tipo de investimento, como a verticalização moderada, como ocorreu no Parque das Camélias. Isso não aproveitaria só a infra-estrutura que tem ao redor como colaboraria para a valoriazação da região. E talvez, pudesse suprir parte da necessidade de áreas públicas e de lazer e espaços coletivos (escolas e creches) que o bairro vai precisar também", afirmou o professor.

O bairro também tem problemas de erosões e enchentes.

Xaides afirmou que existe um projeto na Prefeitura de transformar a região da Sambra, antiga indústria de óleo de amendoim, e do córrego Água do Sobrado em parque urbano, resolvendo o problema de erosões.

Cemitério S. Benedito tem mais de 11 mil sepultados

Aproximadamente 11.500 pessoas já foram sepultadas no Cemitério São Benedito, localizado na Vila Independênicia.

São 2.584 túmulos em 22.500 metros quadrados de área construída.

O Cemitério São Benedito, que atende toda a Vila Independência e outros bairros daquela região, foi fundado em agosto de 1949. A primeira pessoa sepultada foi Maria Antonieta dos Santos, que morreu no mesmo mês e ano da fundação do cemitério.

Inicialmente, o Cemitério São Benedito foi construído, numa área pertencente ao município, para atender à colônia japonesa, que é numerosa na região.

Cerca de 25 mil pessoas visitam o Cemitério São Benedito anualmente, principalmente no feriado de Finados.