Ferroban definirá proposta de acordo coletivo no dia 23
Texto: Patrícia Zamboni
O impasse na renegociação do acordo coletivo de trabalho dos ferroviários das Ferrovias Bandeirantes (Ferroban) continua. Ontem, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Paulista esteve reunido, em Brasília, com membros do Ministério do Trabalho
(MT) para definir a situação, mas a reunião final que definirá as próximas ações dos ferroviários - mediante a apresentação de nova proposta da Ferroban - ficou marcada para o dia 23 deste mês.
De acordo com Jorge Luiz Martinelo, do Sindicato da Zona Paulista, o mediador da mesa redonda realizada ontem no MT propôs aos membros da Ferroban que apresentassem uma nova proposta para que o caso não fosse levado a dissídio. "Os representantes da Ferroban disseram que teriam uma nova proposta, não muito diferente da anterior, mas com algumas melhoras. Na ocasião foi pedido que a Ferroban prorrogasse o vencimento do nosso contrato, que terminou no dia 31 de janeiro, até o fim do mês de fevereiro. O contrato não foi renovado na ata de reunião, mas os representantes da Ferroban deixaram explícito que as cláusulas do contrato atual serão mantidas até o dia 23, que é quando haverá outra reunião para decidir se fecha um acordo ou se vai para dissídio", disse Martinelo. Segundo ele, se a categoria aceitar a nova proposta que será apresentada, o acordo será fechado. Caso contrário, o dissídio será instalado. Para essa definição, todos os sindicatos estarão reunidos em assembléia no dia 24.
De acordo com Jorge Martinelo, a situação se complicou quando, após nove rodadas de negociações
(sendo a última no dia 19 de janeiro), a Ferroban não aceitou conceder qualquer tipo de reajuste salarial aos ferroviários.
"Quanto às cláusulas sociais correu tudo bem nas negociações, mas quando nós começamos a discutir as questões econômicas a Ferroban não quis dar nada e ainda quis tirar o que a gente já tinha", afirmou Martinelo.
A categoria está reivindicando, entre outras coisas, um reajuste de 13,27% e 5% de aumento real. Segundo o Sindicato, além de não aceitar a concessão do reajuste a Ferroban também quer extinguir várias conquistas dos ferroviários, como o plano de cargos e salários, anuênio e gratificação incorporada. "Além disso, o nosso prêmio de férias é de 50%, e a Ferroban quer reduzir para 33%, e também queria tirar nosso prêmio de assiduidade. Agora parece que eles deram uma melhorada na proposta, e é isso que a categoria estará discutindo de agora em diante", afirmou Jorge Luiz Martinelo.