Grupo de preservação da ferrovia traça metas para 2000
Os membros do movimento SOS Ferrovia reuniram-se, na última quarta-feira, para avaliar as atividades desenvolvidas desde sua criação, em 1 de outubro de 1999, e definir novos rumos para este ano. Um ponto que ainda preocupa o grupo é a garantia de posse, pelo município, de todo o patrimônio.
O movimento fez uma avaliação positiva em relação
à divulgação junto à comunidade, à catalogação e remoção de peças e ferramentas para preservação e a publicação do Decreto Municipal que preserva parte do imóvel, embora a questão considerada fundamental - garantia de posse de todo o patrimônio - ainda esteja indefinida.
A providência mais imediata é, nos próximos dias, coletar peças e ferramentas. Para isso, será necessária a cessão de um guincho de alguma empresa, porque o peso dos materiais é grande. Também será protocolada uma representação junto ao Ministério Público Federal com o intuito de garantir o patrimônio da Rede como de interesse difuso e que seja garantido para o município.
Paralelamente, será cobrada da Prefeitura a agilização nas obras de cobertura dos vagões e locomotivas, bem como a ampliação da vigilância, porque os furtos e depredações continuam. Outros planos são acompanhar as negociações do prédio com o escritório central do Rio de Janeiro e do secretário de Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino, que mantém contatos para a implantação do projeto "Metrô de Superfície".
Amanhã, um dossiê será entregue ao secretário estadual de Ciência e Tecnologia, José Aníbal, por ocasião de sua visita à cidade. O mesmo documento será enviado ao Ministério dos Transportes. Alguns dados estão sendo levantados sobre o processo de privatização e liquidação. A idéia é criar uma fundação para preservação da memória.
Os contatos de parceria para segurança e recuperação dos vagões estão sendo ampliados. A Construtora Prata já doou recursos e a Lwart-Proasar, o Expresso de Prata e a Veran Comercial manifestaram apoio à causa.
Outra reivindicação do movimento é que seja dado o mesmo tratamento dispensado à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABBF) de Campinas à Bauru. Ela dispõe de 22 quilômetros de linha, estação de embarque, oficinas onde restaura as peças históricas e verbas federais para preservação ferroviária. O apoio efetivo do Preserfi, órgão da Rede Ferroviária Federal, para impedir leilões de peças históricas, também é almejado pelo grupo.
Viabilizar projetos propostos por historiadores, que requerem apoio da Secretaria Municipal de Educação, definir uma política ferroviária, discutir o projeto regional proposto pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o "Trens de Cercanias", e realizar uma grande exposição de todos os móveis, peças e ferramentas que estão sendo catalogados e armazenados são as próximas ações do movimento SOS Ferrovia.
Quem faz parte do SOS Ferrovia?
Os historiadores Lídia Possas e João Francisco Tidei de Lima, da Unesp (de Marília e Bauru, respectivamente); o presidente da Associação dos Amigos dos Museus, Fábio Palota; o delegado regional de cultura, Cássio Cardoso; Vivaldo Pita e Gilson Miguel Aude, do Museu Ferroviário; Nilson Ghirardello, do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac); Adel Daher Filho, do Sindicato dos Ferroviários, José Roberto dos Santos, professor da Unesp; o chefe de seção do Museu Histórico, Roberto Chinaglia; a diretora da Divisão de Memória e Museu da Secretaria Municipal de Cultura, Maria Therezinha P. Machado; Rejane M. Busch, da Oficina Glauco Pinto de Moraes; a vereadora Maria Majô Jandreice; o assessor do vereador Luiz Roberto Relvas, Hélio J. C. Souza; André Akira, membro do PC do B. Contatos podem ser feitos pelos telefones 234-4925, 234-5530 ou 238-6769.