07 de julho de 2026
Geral

Plantio

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Plantio direto é solução para a região

Texto: Márcia Buzalaf

Uma fazenda de Cabrália Paulista experimenta o plantio direto de milho e de sorgo em braquiária para a produção de silagem para gado leiteiro. Diferentemente do que muitos pensam, que apenas a soja pode dar bons resultados nesta técnica, a plantação está indo muito bem e deve colher as primeiras espigas em um mês. Mas o melhor de tudo é o que isso gera ao município: a possibilidade de melhorar o meio ambiente e a qualidade do solo de Bauru e região.

O plantio direto é uma técnica que começou a se espalhar na região central e sul do Brasil deixando de fora São Paulo. Esta é a definição dada pelo engenheiro agrônomo assistente regional da CATI-Bauru, Luís César Demarchi, 42 anos: "Foi do Paraná para o Mato Grosso e Goiás pulando São Paulo".

E é justamente em São Paulo, mais precisamente na região de Bauru, que a técnica deveria ser mais utilizada. Por manter uma proteção natural para a terra - através de palhas e material orgânico deixado pelos cultivos - o plantio direto diminui a quantidade de agrotóxicos, conserva as propriedades nutritivas da terra e aumenta a quantidade produzida em um ano, já que a terra não precisa ser arada nem tratada antes da plantação. "Com isso, dá para colher duas vezes por ano, é uma economia enorme", diz Demarchi.

O engenheiro agrônomo é o responsável por acompanhar o projeto. O dono da fazenda Real havia procurado o

órgão público para ajudar na solução do seu problema. A propriedade de 120 hectares é tipicamente de gado leiteiro, e o custo para a alimentação estava alto demais. O produtor resolveu plantar milho na branquiária para fazer silagem. "Mas de uma maneira geral, o milho precisa de uma área maior para ter uma boa quantidade. Com o plantio direto, ele tem a possibilidade de colher muito em uma pequena

área", afirma Demarchi.

A única saída encontrada foi justamente o plantio direto. Desacreditado por uns e criticado por outros, a técnica vai possibilitar que a produção seja quase dobrada, reduzindo em muito o dinheiro gasto com o manejo do solo e com a compra de suplementos alimentares para as épocas de confinamento de gado no inverno.

Como foi feito?

As sementes começaram a ser plantadas em novembro, época em que uma forte seca se abateu sobre a região. Isso mostra a resistência que a área tem em manter um certo equilíbrio de temperatura e umidade com o uso de palhas.

O manejo da cultura é praticamente o mesmo do tratamento convencional, apenas com a diferença entre o maquinário usado. Uma plantadeira especial é usada para cortar a palha e para infriltrar diretamente a semente no solo. Isso faz com que a planta cresça rodeada no meio da palha.

Antes de plantar, é feita a secagem do mato, através de herbicidas especiais para isso. Depois, com o mato já como palha, é só usar o maquinário para a plantação.

O plantio direto é mais utilizado em cultivo de grãos em geral, soja, sorgo, milho, feijão, girassol e aveia. Muitas pessoas duvidavam que poderia ser feita a plantação de milho direto, já que os exemplos de mais sucesso foram justamente aqueles em que a soja foi plantada primeiramente na branquiária.

Por este motivo, alguns pesquisadores ligados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, ao Instituto Agronômico de Campinas e ao Instituto de Zootecnia estarão em Bauru, mais precisamente em uma visita à fazenda em Cabrália Paulista, para conhecer a novidade.

A terra de Bauru

Todo mundo fala que a terra de Bauru é pobre para cultivo de algumas culturas. A erosão e o desgaste que estas culturas sofreram principalmente nos últimos 50 anos fizeram com que as culturas anuais perdessem espaço na região e que a pastagem dominasse as propriedades.

A região oeste do Estado poderia voltar a ser um grande produtor de grãos se o plantio direto fosse mais usado. Na opinião de Demarchi, o custo do plantio direto é bem menor do que o plantio convencional, que precisa de bem mais trabalho com a terra.

Através da proteção criada com a queima do mato e com os restos orgânicos, não há necessidade de movimentar muito a terra. Isso faz com que o hábita natural seja conservado e que a terra de Bauru e região, podemos dizer, fique ainda mais fértil.