08 de julho de 2026
Geral

Conferência mundial

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 3 min

Science Net representará imprensa mundial na Itália

Texto: Adriana Rota

A rede de divulgação científica Science Net, criada em Bauru em 1992, é a única representante latino-americana e da imprensa mundial a participar da 2.ª Conferência Mundial de Biotecnologia e 1.º Congresso e Mostra Internacional de Biotecnologia, que ocorrem de 24 a 26 de maio deste ano em Gênova, na Itália. Os eventos são promovidos pela Unesco e pela Universidade de Gênova.

O professor da Universidade do Sagrado Coração (USC) e jornalista do Centrinho (USP), Luís Victorelli, representará a rede. Na conferência, que terá como tema "Biotecnologia e Sociedade no Século XXI", o especialista palestrará na seção de abertura do Fórum Unesco sobre Ciência e Sociedade, no primeiro dia do evento, às 9h30, ao lado do representante da Unesco, V. Agazzi e do membro do Comitê Nacional de Bioética da Itália, G. Berlinguer.

A Science Net é um projeto experimental e laboratorial de jornalismo científico desenvolvido pela USP em parceria com a USC que, dentre outros resultados, demonstra o quanto o envolvimento dos pesquisadores no processo de divulgação do conhecimento ainda é pequeno.

"Linguagens diferentes, ausência de uma política mais agressiva de divulgação científica e falta de entrosamento entre cientistas e jornalistas integram a lista de ruídos que prejudicam a boa notícia científica, que deveria chegar mais transparente ao grande público", destaca o jornalista, que abordará o tema "A Cultura da Divulgação Científica na Comunidade Científica".

Participarão da conferência ministros de Estado, cientistas, líderes da indústria biotecnológica mundial e representantes governamentais de 18 países, totalizando cerca de 600 pessoas. Victorelli acredita que o convite para sua participação seja decorrente da apresentação de trabalho feita na 2.ª Conferência Mundial de Jornalistas Científicos, em julho passado, na Hungria. A diferença desta vez, segundo ele, é que o público será composto por não-jornalistas.

Além da responsabilidade de ser o único latino-americano e o único jornalista do mundo a participar do evento, Victorelli acredita que terá de enfrentar muitos questionamentos referentes ao posicionamento "ousado" que adotará, mostrando que, se existem dificuldades de divulgação, parte da responsabilidade cabe aos próprios cientistas, desabituados a "democratizar" a informação. "Eles são treinados para pesquisar, descobrir, não para comunicar".

O estudioso não deixará, no entanto, de expor as dificuldades dos jornalistas em "decodificar" os textos científicos. Os alimentos transgênicos, por exemplo, são um assunto em pauta no mundo todo e, na opinião do jornalista, só a imprensa pode trazer questionamentos sobre as consequências para a saúde e para a economia.

Organizadores

O presidente do Comitê Nacional de Biosegurança e Biotecnologia da Itália, professor Leonardo Santi, destaca a importância da pauta do encontro, considerando que é necessário "avaliar quaisquer conseqüências possíveis provocadas pelas alterações do processo de herança genética dos seres vivos", mesmo tendo em mente os benefícios propiciados pela biotecnologia.

Para a pesquisadora Tiziana Pedrucci, da área de Bioética do Departamento de Oncologia, Biologia e Genética da Universidade de Genova, é preciso um envolvimento mais forte da opinião pública com o tema e uma discussão intensa sobre o papel da mídia na divulgação das informações produzidas pela comunidade científica.

Serviço

Para saber mais, basta acessar o site http://www.fiera.ge.it/tebio2000/unesco.htm ou no www.sciencenet.com.br.