Sindicatos rurais se manifestam contra a venda do Banespa
Texto: Luciano Augusto
Os 240 sindicatos rurais do Estado de São Paulo devem iniciar um movimento contra a venda do Banespa. Os produtores consideram que o banco é um instrumento essencial para o financiamento agrícola no Estado e vão engrossar as fileiras contra a privatização utilizando a influência política que possuem.
Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru, informou que em algumas regiões do Estado, o Banespa responde por até 100% do crédito rural. Na região de Bauru, o percentual já atingiu até 80% do total financiado. "O Banespa é a locomotiva do crédito rural no Estado", afirma Lima Verde, que também é vice-presidente da Federação de Agricultura do Estado de São Paulo.
De acordo com ele, os produtores rurais paulistas irão iniciar um "movimento de pressão" contra a privatização do banco junto a seus deputados, começando por Bauru, agregando uma força política de base.
Todos os sindicatos, afirma o produtor rural, têm influência maior ou menor na vida dos municípios e "todo esse pessoal está sofrendo, com medo de que já no ano que vem não se tenha o espaço de que o Banespa continuasse a financiar a safra do Estado, principalmente de algumas regiões, onde a nossa está incluída".
De acordo com o presidente do sindicato rural local, os bancos privados preferem fazer o depósito compulsório junto ao Banco Central a juro zero (quando eles não destinam o percentual de 20% para o crédito rural) do que correr o risco de financiar os produtores, que estão sujeitos
às variações climáticas, por exemplo, e que tem maior inadimplência.
Lima Verde conta que o Banespa "ocupou espaços" importantes, em anos que o Banco do Brasil (BB) ficou ausente em relação ao crédito rural. Agora, reclama,
"muito vagarosamente o BB e a Caixa (Caixa Econômico Federal) estão retomando o crédito, mas a estrutura e a história que o Banespa tem vai demorar muito para ser suprida".
Outra crítica de Lima Verde é em relação a possibilidade de que o investidor que adquirir o banco possa utilizar a marca Banespa. Para ele, se isso acontecer o Governo e também o Estado de São Paulo estarão sendo
"desprestigiados", pois o Banespa implantou a credibilidade pelo qual é reconhecido. Os produtores, diz Lima Verde,
"vão ficar órfãos, até que estes outros bancos resolvam tomar o lugar do banco". Ele ressalta que existe entre produtor rural e o Banespa, uma relação quase familiar e que não existe em relação a outros bancos.