07 de julho de 2026
Geral

Pesca

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 8 min

MT abre a pesca enquanto MS prorroga piracema

Texto: Roberta Mathias

O momento tão esperado da reprodução dos peixes deixa aflito o pescador. Na verdade, a ansiedade para retomar os momentos de lazer à beira do rio deve ser suportada por mais alguns dias para quem pretende pescar no Mato Grosso do Sul. Mas quem prefere os rios do Mato Grosso, pode preparar a "traia" e seguir viagem.

Pescar ou não pescar, eis a questão. Muitos pescadores estavam se preparando para viajar para o Pantanal quando receberam a notícia: período de piracema prorrogado até 29 de fevereiro. A medida foi tomada pelo governo do Mato Grosso do Sul devido à falta de chuva, o que impediu que 70% dos peixes não completassem o ciclo de reprodução. A medida também foi adotada no Estado de São Paulo, onde a pesca está suspensa. Já no Mato Grosso, região dos rios Xingu, Cuiabá, São Lourenço, Piraí e Kuluene, a pesca está liberada, seguindo, é claro, a legislação do Estado, como a proibição de armadilhas, etc.

Além das diferenças no período de piracema, algumas determinações com relação

à quantidade e ao tamanho dos peixes foram alteradas. Agora, ou melhor, quando a pesca for liberada, o pescador que visitar o Pantanal, na região do Mato Grosso do Sul, só poderá embarcar 15 Kg de peixe mais um exemplar de sua escolha, observando, sempre, o tamanho mínimo de cada espécie.

Vale acrescentar que a resolução também determinou o aumento do tamanho mínimo de duas espécies e inseriu mais duas na lista dos peixes fiscalizados. O tamanho mínimo para embarque do pacu (Piaractus mesopotamicus) passa de 40 cm para 45 cm; e o mínimo do jaú (Paulicéia luetkeni), de 90 para 95. O barbado (Pinirampus pinirampu) deverá ter, no mínimo, 60 cm e a piraputanga (Brycon microlepis) 30 cm. Quem estava acostumado a embarcar estas espécies, deve ficar atento, pois a fiscalização está intensa no Estado e a multa é "salgada".

As mudanças, segundo informou a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) do Mato Grosso do Sul, foram baseadas em pesquisas que consideraram estas espécies com risco de diminuição de estoque e, após várias reuniões, as mudanças foram aprovadas pelo Conselho Estadual da Pesca (Conpesca) e referendadas pleo Conselho Estadual de Controle Ambiental (Ceca).

Ainda falando em Mato Grosso do Sul, há regiões onde a pesca só será permitida após 31 de março de 2000. São regiões de reservas de recursos pesqueiros, como as bacias dos rios Taquari, Miranda e rio Aquidauana.

De acordo com informações do agente de defesa florestal do Ibama, Abel Cafuri, 41 anos, com a retomanda das chuvas, há pouco tempo, acredita-se que a piracema poderá ser concluída naturalmente. Porém, ele acrescenta, que caso não chova o suficiente, o período pode ser prorrogado ainda mais. Cafuri diz que todo o trabalho que está sendo realizado pela Sema e Polícia Florestal deverá ter resultado a longo prazo. "Apesar do fluxo intenso de turistas, não deve ser necessário o repovoamento dos rios. O controle é suficiente para encontrarmos esses peixes após cerca de quatro anos."

Cafuri aproveita para lembrar que a multa mínima para peixes abaixo da medida é de R$ 700,00. Por isso, é bom, após a liberação da pesca, todo mundo estar com os peixes dentro das medidas mínimas especificadas.

Pesca liberada e pesque e solte

A pesca está liberada no Mato Grosso do Sul apenas no rio Paraguai, na região que vai da foz do rio Apa até a lagoa Vermelha, que não está incluída. A exceção foi justificada pelo secretário do Estado do Meio Ambiente, engenheiro agrônomo Egon Krakhecke, dizendo que o Paraguai é basicamente um rio de trânsito para os peixes, além de um grande volume de peixes estar localizado em baías, que naquele trecho a pesca está suspensa.

O rio Negro está aberto para o pesque e solte. A resolução já vem desde junho de 97 e neste ano autoriza a prática da pesca desportiva na região do município de Aquidauana, no rio Negro, desde o rio Toboco até o brejo existente nos limites oeste da fazenda Fazendinha.

Fiscalização intensa

No Mato Grosso do Sul, a fiscalização está sendo feita intensamente. Segundo informou o major Paulo Marques Vaz, 40 anos, comandante da Polícia Militar Ambiental no Estado, foi planejado um esquema especial de fiscalização para todo o período de piracema. "Fazemos o acompanhamento dos cardumes nos rios. Por exemplo, hoje (terça, dia 8) foi detectado um cardume de pintados, corimbatás e pacus perto de Bonito. Agora temos condições de acompanhar e fiscalizar este cardume."

Além do monitoramento no rio, é feito plantão nas áreas de cachoeiras, onde a concentração de peixes é maior. "Fazemos um policiamento, com plantão 24 horas em seis locais específicos." O major acrescenta que sempre há pessoas tentando burlar a fiscalização, porém a quantidade não é muito grande. "Fazemos um trabalho preventivo e fiscalizamos as peixarias, restaurantes e supermercados monitorando os estoques de pescado." Questionado sobre aqueles que menos contribuem para o respeito à piracema, Vaz é direto. "O pescador predador, pode ser amador ou profissional, e o atravessador, que pega os peixes do ribeirinho para revender em outras cidades."

Mato Grosso está liberado

O pescador que quiser encarar uma aventura no Mato Grosso pode preparar a tralha e partir. Porém,

é bom lembrar que a época de chuvas está chegando por lá. O período de proibição para a piracema já terminou para alegria de muitos. É claro que as normas estabelecidas pelo Estado, que determinam equipamentos autorizados, proibição de armadilhas, etc., devem ser seguidas. A quantidade de pescado também foi modificada. Agora, o pescador só pode levar 20 quilos de peixe ou um único exemplar. Apesar de parecer estranho, um pescador que tiver muita sorte, pode correr o risco de capturar uma piraíba de 140 quilos. Difícil, muito, mas não impossível.

Conforme informou o tenente Cléverson Leite de Almeida, 25 anos, chefe da manutenção do Batalhão, é necessário acrescentar que os 20 quilos são para o pescador amador. "O pescador profissional pode pescar 100 quilos e a colônia 1000 quilos por semana." Almeida diz que o pescador esportivo é o que menos desrespeita as normas. "A maior dificuldade são os pescadores profissionais, mas não chega a ser um grande problema."

De acordo com o tenente, a pesca foi liberada após pesquisas realizadas por biólogos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema) e Ibama, apesar das águas dos rios ainda não estarem no nível normal. Ele aproveita para lembrar que há o Núcleo de Educação Ambiental que realiza um trabalho de conscientização em escolas e entidades.

Não esqueça

O pescador amador não pode esquecer a sua licença de pesca. É preciso pagar uma taxa, aí depende do tipo de pescaria que será realizada. O licenciamento de pesca é obtido pelo pagamento de uma guia em qualquer agência do Banco do Brasil ou nas casas lotéricas. O formulário deve ser comprado em papelarias. Antes de obter o licenciamento, porém, é preciso decidir quais são os equipamentos e o tipo de pesca, embarcada ou não.

Telefones para dúvidas e informações

Bauru (14)

Ibama - 230-0151

Polícia Florestal - 230-2700

Mato Grosso do Sul (67)

Ibama - 782-1802 e 782-2866

Sema - 726-4363 e 726-4362

Polícia Florestal de Corumbá

- 231-5201

Polícia Florestal de Campo Grande - 726-0568 e 726-4884

* principais cidades com estrutura para pesca: Anastácio, Aquidauana, Bonito, Brasilândia, Campo Grande, Corumbá, Coxim, Ladário, Miranda e Porto Murtinho.

Mato Grosso (65)

Ibama - 644-1511

Fema - 644-2518 e 313-2623

Polícia Florestal - 684-2972

* principais cidades com estrutura para pesca: Alta Floresta, Barão do Melgaço, Cáceres, Cuiabá, Poconé, Porto Jofre e São Félix do Araguaia.

************** História de Pescador***************

Oswaldão: Pescador de jacaré

Estávamos os três pescando pintado, eu, Kazu da Cherry e o mecânico Jorge, do Pantanal, apoitados, distantes mais ou menos uns 15 metros do barranco. Usávamos a isca própria, caboja

(espécie de traíra misto de cascudo) que se pega na peneira, embaixo do aguapé, pela manhã, tínhamos meia dúzia. O sol já ia alto, 11 horas da manhã; o Pantanal nessa época, abril, já está plenamente cheio. A única distração eram os salgadinhos e a gostosa latinha (cerveja, é claro!). Nisso, Jungi grita

- "olha ali". A uns 20 metros na terra, um baita jacaré, ou kaimã em tupi-guarani, de quase três metros, deitado, esquentando ao sol. Então eu disse - "vou pescar esse bicho". No entanto, apesar dos protestos dos dois companheiros, nada demoveu a tentação do Oswaldão, que incontinente, começou a arremessar a isca na direção do jacaré. Vai um arremesso, vai outro, e o bicho nem estava aí, diga-se de passagem, que na região não havia moitas, somente pasto, até que um dos arremessos quase acertou a cara do bicho, ficando a isca viva a uns três palmos em frente à sua boca e começou a pular. Não deu outra, o jacaré se mexeu e, vapt, meteu a isca no bocão, pronto! Com a sua esperteza, Oswaldão fisgou o danado, e aí começou a luta - linha 100 puxa até um bezerro! Puxa pra cá, puxa pra lá e a coisa veio vindo até que caiu no rio. O jacaré, dentro d'água, seu habitat, virou macho, mas de nada adiantou. O bicho veio cada vez mais perto do barco, aí começou a gritaria -

"solta esse bicho". Soltar nada, dá aí o cacete (um bastão de arueira, dura como pedra, que se usa para matar os peixes). Vamos é comer ele! "Não, não, não vai botar esse bicho dentro do barco, senão vamos pular na água!" disse Kazu que num ato contínuo, com uma faca cortou a linha e assim livrou o jacaré. Acreditam? Isso é que é pescaria, pescar de dentro do rio pra fora, lembram-se da pescaria do macaco, na edição do JC de 13/1? e tem mais... esperem...!

Oswaldo dos Santos é pescador e contador de histórias.

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Troféu Pescador

Apesar dos homens serem os reis da pescaria, as mulheres também têm muito talento. A bela corvina de 8,950 Kg foi fisgada em abril de 99, no rio Tietê, região de Uru, por uma pescadora.

(Josefa F. Faian é pescadora amadora)