07 de julho de 2026
Geral

Repasse de verba

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Bombeiros pede repasse urgente

Bombeiros terão que desativar posto se repasse da prefeitura não for feito

O Corpo de Bombeiros de Bauru está de chapéu nas mãos pedindo ao Município repasse de verbas. O convênio firmado entre Estado e Município estabelece que cabe a esse último o repasse de verbas para manutenção dos bombeiros, compra de equipamentos e alimentação dos policiais. Há três anos vem ocorrendo problemas no repasse de verbas, mas agora a situação está tornando-se insuportável e alguns postos de serviços poderão ser desativados, caso o repasse não seja feito. O Corpo de Bombeiros de Bauru precisa de cerca de R$ 25 mil por mês para manutenção e o valor repassado pela Prefeitura, entre produtos e dinheiro, não chegaria a R$ 15 mil.

O comandante do 1º Subgrupamento de Bombeiros de Bauru, capitão Rúbio Galharim, está preocupado com o atendimento

à população, que está prejudicado.

"Estamos com cinco dos sete alicates quebrados. Se ocorrer um acidente e precisar de alicates especiais para retirar vítimas das ferragens, vamos ficar devendo o atendimento. Em muitos casos, para salvar vidas, usamos três alicates nesses tipos de ocorrência", disse.

Uma viatura da Unidade Resgate está parada, assim como o a viatura de Auto-Salvamento. "Precisam de conserto e não temos a verba. Se mais uma viatura parar, vamos desativar o Posto 3, localizado na Vila Falcão", explicou o capitão. Se a situação persistir, segundo Galharim, até o posto do Distrito Industrial poderá ser desativado.

As máscaras de proteção respiratória, usadas pelos bombeiros em caso de vazamento de produto químico ou gás, também estão com problemas. Dos oito equipamentos, somente três estão em condições de uso. Material de limpeza nos postos e alimentação são coisas raras no Corpo de Bombeiros. A limpeza está sendo feita sem alguns produtos.

A alimentação dos homens que trabalham 24 horas e descansam outras 48 horas está um verdadeiro caos. "Normalmente, eles recebem café da manhã, almoço e jantar, mas estão tendo que trazer comida de casa para não passar fome durante o trabalho", contou Galharim.

Repasse travado

O repasse de verbas aos bombeiros do convênio do Estado com o Município em Bauru está capengando desde 1997. No ano passado, segundo o capitão Rúbio Galharim, quando o prefeito Nilson Costa assumiu, a situação ficou meio confusa e foi sendo "empurrada".

"Eles não tinham dinheiro e fomos contornando a situação. A alimentação vinha do DAE e da Emdurb." Galharim acreditava que nesta ano a situação fosse ser resolvida.

"Nós fazemos a lista de compra, que enrosca no setor da Prefeitura responsável por compras. Uma pessoa do setor chegou a dizer que os bombeiros comem demais. O que ela não percebe é que são 25 homens trabalhando todos os dias", lembra o capitão.

A funcionária da Prefeitura, que Galharim não se recorda do nome, teria dito que 1,7 quilo de margarina seriam suficientes para o mês todo. "São 25 homens por dia tomando o café da manhã. O mês todo são 750 pães com margarina. Se tivermos que dividir essa margarina, teremos que ter uma balança de precisão, pois cada bombeiro terá que passar 0,0024 gramas de margarina no pão", calculou ironizando o racionamento.

Diante da situação calamitosa em que se encontra, o capitão Galharim acha que a Prefeitura deveria renunciar o convênio. "Deixe que os bombeiros se instalem em outra cidade. Em poucos dias não teremos como atender a população da maneira como ela está acostumada a ser atendida. Para fazer um trabalho pela metade ou mal feito

é preferível fechar", afirmou.

Galharim teme que a população se revolte numa hora crítica. "Se durante um acidente não pudermos ajudar a vítima, a população vai se revoltar contra os bombeiros", receia. Ele lembra que está em estudos a criação do Fundo dos Bombeiros. "Em Botucatu, Marília, Avaré, Pirajú e Lins o Fundo já foi instituído e funciona. Aqui em Bauru ainda não está funcionando", lembrou.

Estatística

Em 1999, o Corpo de Bombeiros de Bauru atendeu quase seis mil ocorrências, uma média de 17 ocorrências por dia. Só a Unidade Resgate foi responsável por 10% do total de atendimentos. Comparado ao ano anterior, o número de atendimentos dos bombeiros sofreu um acréscimo em torno de 21%. Em 98 foram atendidos 4.937 chamados e em 99, 5.974.