Definição de museu deve sair após reunião com Pelé
Texto: Adriana Rota
Uma reunião combinada para depois do Carnaval com Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, vai definir a implantação
(ou não) do museu que deve levar seu nome, na casa onde morou com a família durante a infância, localizada na quadra 4 da rua 7 de Setembro, região central. Os contatos estão sendo feitos pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura, pelo jornalista Luiz Cordeiro (autor de um livro sobre o ex-desportista) e pelo Instituto Herbert Levy, vinculado
à Gazeta Mercantil.
O desejo de criar um espaço dedicado ao "Atleta do Século" é antigo, mas as conversações para viabilizá-lo tiveram início, de fato, em meados do ano passado. Os planos eram de ter tudo acertado ainda em 1999, o que acabou sendo postergado em função de um projeto mais ambicioso, que inclui a incorporação de imóveis vizinhos ao local.
Para Cordeiro, melhor seria iniciar o projeto adquirindo apenas a casa em que a família morou entre as décadas de 40 e 50 e, aos poucos, dentro das possibilidades, ir aumentando o empreendimento. Segundo ele, o prefeito Nilson Costa tinha se mostrado disposto a fazê-lo, arcando com o custo de R$ 45 mil, mas a entrada do Instituto Herbert Levy em fins de outubro do ano passado teria, de certa forma, emperrado a iniciativa.
Na época do acordo, o diretor executivo do Instituto, Luiz Fernando Ferreira Levy, afirmou que os recursos para a Casa Pelé viriam de uma lei federal de incentivo à cultura, a Rouanet.
À Prefeitura caberia reformar o imóvel (hoje alugado para um proprietário de pensão) e cuidar de sua manutenção, além de ceder, através da Secretaria de Cultura, funcionários para atuarem no espaço.
Boa parte do material referente à estada do ex-jogador e ex-ministro dos Esportes em Bauru está nas mãos de Cordeiro: mais de 70 fotos da infância e adolescência. O próprio Pelé teria se comprometido a doar camisetas suas autografadas, incluindo as da Seleção Brasileira. Uma empresa que cuida de seu acervo deve fornecer réplicas do troféu do milésimo gol, daquele que o homenageou como "Atleta do Século" e de medalhas. Campanhas também podem ser realizadas para angariar outros objetos junto à comunidade.
Um grupo de empresários também estaria apenas aguardando a definição do local para começar a investir no projeto. Cordeiro destaca que a família vendeu todos os outros imóveis de sua propriedade em Bauru, exceto esse, porque sabia de seu desejo de construir a Casa, desde a época do prefeito Tidei de Lima. "Não é uma casa comum, é patrimônio. A repercussão é nacional, porque será o primeiro museu, a imprensa toda vai estar aqui. Hoje, só temos o livro", disse.
A criação deste museu é vista pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico como uma alavanca para o turismo da cidade. A vinda de Pelé por ocasião da inauguração, que já teria sido discutida entre ele e Cordeiro, seria o ponto de partida para o sucesso do empreendimento, especialmente nos âmbitos histórico e cultural. Um busto do "Rei do Futebol" deve ser erguido em sua homenagem.
Museu em Santos
Ontem, a Agência Estado trouxe a notícia que o Museu Pelé será instalado na plataforma do emissário submarino, na Praia do José Menino, em Santos. Na semana que vem, em caráter de urgência, o prefeito Beto Mansur (PPB) encaminhará à Câmara um pedido de autorização para instalar o museu. A idéia de Pelé, segundo a matéria, era reunir todo o seu acervo em Santos desde a década de 70, quando o empresário já falecido, Cláudio Doneux propôs a instalação de um museu na ilha de Urubuqueçaba, na Praia do José Menino, quase divisa com São Vicente.
Tais informações devem causar um mal-estar ainda maior no secretário do Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino, e em Cordeiro, do que quando souberam das declarações atribuídas a Pelé, publicadas no último dia 5 de fevereiro pelo jornal A Tribuna, de Santos. Rufino ficou chocado ao saber que na matéria não foi citada a possibilidade da criação do museu de Bauru, apenas um centro de diversões chamado Pelé University em São Vicente, idealizado pelo grupo Kock (Ribeirão Preto), um museu itinerante no Japão e um no Maracanã
(Rio de Janeiro).
Mas as palavras que "caíram como uma bomba", atribuídas a Pelé, foram estas: "Eu quero fazer o museu aqui porque Santos é minha cidade de origem". Na opinião de Cordeiro, "o pessoal de Santos ficou muito enciumado com o livro, tanto que não quis nem que houvesse lançamento lá".
O jornalista completou dizendo que tudo o que foi "primeiro" na vida do "Rei" ocorreu aqui: primeira chuteira, primeira namorada, primeiro time. "Santos sempre dá essas cutucadas. Mas ele pode até ter falado: é o lugar onde ele está há mais de 40 anos. É natural dizer que é a cidade que mais gosta. A gente não pode ser egoísta, afinal, foi lá que ele se consagrou. Acho que há um exagero nisso. No meu livro ele faz uma declaração de amor a Bauru, local em que aprendeu tudo na vida".
Segundo Rufino, para viabilizar o museu basta a reunião com Pelé, que deve ser agendada ainda na próxima semana com uma sobrinha dele, Daniela Arantes, responsável por seus negócios, por ocasião de uma visita a Bauru. O encontro estava previamente combinado para depois do Carnaval.
"Pelé é uma marca que vale dólares no mundo. Quando da feitura do vídeo institucional da cidade, ele cedeu graciosamente sua imagem. É o que vamos tentar agora".
Os moldes da Casa do Pelé, de acordo com Rufino, vão depender da palavra do próprio. Mas a intenção de montá-la permanece. "Se você não pode ganhar 20, ganha dez. Se não pudermos fazer um museu de grande expressão, faremos menor, uma coisa nossa aqui. Ou mesmo não faremos...", disse, com um "ar" de desapontamento.