07 de julho de 2026
Geral

Cohab

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

Mercadante deixará a Cohab no dia 17

Texto: Josefa Cunha

O presidente da Cohab-Bauru, Arialdo Mercadante, rompeu finalmente o silêncio e anunciou que deixará o cargo no próximo dia 17, durante assembléia do Conselho Deliberativo da empresa. Desde o início da semana, sabia-se que ele havia apresentado carta demissão ao prefeito Nilson Costa (PPS), mas até ontem nenhum nem outro confirmava o fato. Na última terça-feira, aliás, Nilson Costa alegou desconhecimento da carta e tratou o assunto como mera especulação da imprensa. Não fosse um comentário em tom de cobrança veiculado ontem na coluna Entrelinha, o qual levou Mercadante a convocar uma entrevista coletiva, a mudez possivelmente continuaria até a formalização do desligamento.

O motivo da saída de Mercadante, que já não era segredo, foi mesmo o mal-estar gerado pela cisão no relacionamento entre o prefeito e o PPB. Em virtude de estar ocupando a função por indicação do deputado Carlos Braga (PPB), Mercadante preferiu abandonar o posto e evitar o desgaste de Nilson dentro do PPS. A decisão final, porém, só veio no último final de semana, quando o presidente do PPS, Rubens de Souza, manifestou insatisfação com a manutenção de um aliado pepebista - ressalte-se que Mercadante não é filiado ao partido - no comando da empresa.

Desde que começaram os atritos, há cerca de dois meses, Mercadante colocou por três vezes seu cargo à disposição do prefeito. "Os desentendimentos de ordem política (motivados pela disputa de cargos na Cohab) me colocaram numa situação ímpar. Logo após o primeiro atrito, procurei o Nilson e lhe disse que não havia mais clima para continuar. O deixei à vontade para tomar providências no sentido de me exonerar. Naquela oportunidade, ele achou precipitado tomar qualquer atitude e me pediu um tempo de 15 dias. Nesse intervalo, estourou um novo desentendimento e eu o procurei novamente para reiterar minha postura. Nessa segunda ocasião, ele elogiou meu trabalho, minha pessoa e, mais uma vez, pediu um tempo. Quando houve o rompimento definitivo, há cerca de duas semanas, voltei à Prefeitura. Foi quando fui convidado a fazer parte da administração. Dessa vez, eu é quem pediu um tempo para pensar, pois não queria parecer infiel", contou.

Da maneira como expôs, Mercadante deixou claro que não descartava a possibilidade de aceitar a proposta de permanecer

à frente da Cohab. Tanto que procurou Carlos Braga e obteve

"alvará" para aceitar o convite de Nilson Costa.

"Ele (Braga) destacou meu bom desempenho na função e disse que o município é quem ganharia com minha permanência no cargo. Nessa situação mais confortável, voltei a falar com o Nilson e lancei alguns questionamentos. Queria saber, por exemplo, se ele estava emocionalmente preparado para me isolar do grupo do PPB quando os vereadores do partido começassem a fazer oposição na Câmara. Essa capacidade de separar uma coisa da outra era minha grande preocupação, mas ele garantiu que conseguiria. Isso foi na sexta-feira (dia 4). Dois dias depois, veio o manifesto do Rubens de Souza contra a postura do prefeito", disse, dando a entender que considerava a hipótese de continuar.

A carta de demissão foi apresentada na última segunda-feira, em caráter irrevogável. Sem rusgas, Nilson aceitou o pedido e imediatamente comunicou o fato ao Conselho Deliberativo da Cohab, responsável pela convocação de assembléia para a formalização do desligamento e conseqüente posse do futuro presidente. O estatuto da empresa prevê um prazo mínimo de 10 dias para a reunião do conselho. "A imprensa vinha cobrando uma posição minha, enquanto todo o protocolo estava sendo devidamente cumprido. Não poderia simplesmente pedir demissão, pegar a bola e largar o cargo. Se assim o fizesse, certamente acabaria responsabilizado", justificou.

As declarações de Mercadante revelam que a crise entre Nilson e a cúpula pepebista começou bem antes dos fatos chegarem ao conhecimento da imprensa. Pessoalmente, aliás, ele acha que o descontentamento do prefeito com os vereadores do PPB já vinha de um bom tempo. A disputa de cargos na empresa teria sido apenas a gota d'água. Sobre a questão dos cargos - quem pediu e quem não aceitou

- , Mercadante não quis tecer comentários. Trata-se, segundo ele, de um assunto superado tanto pelo PPS quanto pelo PPB. "Não vamos mais alimentar isso", limitou.

Quando assumiu a presidência da companhia, há quatro meses, Mercadante encontrou um quadro com 24 assessores (comissionados) e 120 fixos. De acordo com ele, Nilson Costa autorizou substituições nos cargos de confiança, mas nenhuma mudança teria ocorrido - a única contratação foi do juiz aposentado Emir Maddi, seu amigo pessoal e que hoje responde como assessor jurídico na empresa. "Ao invés de demitir e contratar pessoal da minha confiança, preferi sentir o trabalho desse pessoal que aí estava. Não tenho nada a reclamar", garantiu.

Com a saída de Mercadante, que ocorrerá em assembléia marcada para às 14 horas do dia 17, o nome mais cotado para assumir o comando da Cohab é o do militar reformado Constante Mogioni, que já acumula na companhia os cargos de diretor administrativo e financeiro. Ontem, Nilson Costa o teria chamado e solicitado sua colaboração em mais uma função. A permanência de Mogioni, entretanto, seria temporária.