Eadi quer movimentar US$ 60 milhões/mês em 1 ano
Texto: Márcia Buzalaf
Em quatro meses de atividade, a Estação Aduaneira Interior (Eadi) movimentou, entre importações e exportações, US$ 6 milhões. A meta da Cipagem, empresa que administra a Eadi de Bauru, é ter um fluxo de US$ 60 milhões mensais dentro de um ano. Tilibra, Volvo, J. Shayeb, Ajax, Plajax, Comprando e Marilan são algumas das indústrias que já trabalham diretamente com a Eadi, na importação e exportação de produtos.
Wilson Batista Souto, 36 anos, vice-presidente da Companhia Paulista de Armazéns Gerais Aduaneiros Exportação e Importação S.A. (Cipagem), que venceu a licitação para administrar a Eadi em Bauru, afirma que, para dar lucro, a empresa terá que movimentar US$ 60 milhões por mês, entre importação e exportação de produtos. A meta da empresa é atingir esta marca em um ano.
Souto acredita que a estação de Bauru tem muito espaço para crescimento. Enquanto a Eadi de Ribeirão Preto movimentou R$ 4 milhões no ano passado, a Cipagem fechou o balanço dos quatro primeiros meses com a movimentação de US$ 6 milhões em cargas, metade para importação metade para exportação. Os dados mensais mostram a evolução: enquanto que nos dois primeiros meses movimentaram US$ 40 mil, nos dois meses seguintes, quase US$ 6 milhões foram transitados na estação.
Atualmente, a Cipagem está adequando sua estrutura para receber o Serviço de Inspeção Federal (SIF), o Serviço de Inspeção Vegetal (SIV) e o Serviço de Saúde, que faz a liberação de remédios, alimentos e cosméticos. O único produto que não pode ser transportado via Eadi são grãos a granel, além de cargas perecíveis, animais e alguns remédios que, por lei, devem ser liberados no ato do desembarque.
O que é?
As estações aduaneiras foram criadas em 1985 para substituir o Depósito Alfandegário Público
(DAPs), descentralizar as atividades portuárias e promover a redução do custo do comércio internacional via concorrência.
Além de São Paulo, que conta com Eadis em oito cidades, o serviço de concessão também está instalado no Paraná, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e na Bahia. Em Bauru, a licitação para a Eadi ocorreu em maio de 1998, apesar de ter sido proposta para a cidade a instalação de duas estações aduaneiras desde 1993 - uma de grãos e outra de madeira. A idéia não foi para frente e, anos mais tarde, a discussão voltaria à tona.
Souto conta que a Cipagem não tinha como meta operar uma Eadi em Bauru. Quando a estrutura da empresa começou a ser construída, os empresários pensavam em abrir um redex, centro destinado exclusivamente para exportação.
Ao saberem da licitação para a Eadi, o grupo de sete sócios da Cipagem pararam com a construção em um dos três alqueires que a área ocupa no Km 353 da rodovia Bauru-Marília, ao lado da antiga Fepasa. Os empresários esperaram a publicação do edital para se adequarem às exigências da Receita Federal.
A estação abrange quatro delegacias da receita: a de Bauru, de Araçatuba, de Marília e de Presidente Prudente. Recentemente, houve também abertura de licitação para uma estação aduaneira em Marília, mas não teve nenhum interessado.
A indicação da Receita Federal é de que não se abra mais licitação para estações aduaneiras por enquanto, já que o volume de importação vem caindo significativamente nos últimos meses. "Em 99, em Bauru, importaram US$ 99 milhões e exportaram US$ 109 milhões", informa Souto.
O maior problema em investir em uma Eadi, na opinião do vice-presidente, é o retorno lento e a exigência de um alto investimento. Até agora, a Cipagem já investiu cerca de R$ 2,7 milhões, sendo R$ 2 milhões apenas para a instalação da estação.
A vantagem é que uma Eadi nunca serve apenas um município. As estações geralmente abrangem uma grande região. No caso de Bauru, Souto acredita que, lentamente, a área de atuação da Cipagem vai ocupar toda a região de Bauru, Botucatu, Jaú, São Carlos, Araraquara, Araçatuba, Presidente Prudente e Marília, atingindo inclusive outros estados, como o norte do Paraná, Campo Grande e Cuiabá.
Entre os clientes da Cipagem, o vice-presidente destaca a Tilibra, a Volvo, a Ajax, a Plajax, a J. Shayeb, o Comprando, a PoliMáquinas, a Marilan, entre outras.
O que vem facilitando este tipo de comércio é o aumento de despachantes aduaneiros na cidade. Antes da Eadi se instalar aqui, apenas uma empresa fazia este trabalho em Bauru
- agora, quatro firmas com 12 despachantes fazem o despacho.