07 de julho de 2026
Geral

Tapa-buracos

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 6 min

Prefeitura não tem prazo para tapar buracos

Texto: Adriana Rota

Embora esteja trabalhando num mutirão que engloba as secretarias de Obras (SO) e de Administrações Regionais (Sear), além do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) desde a última quinta-feira, a Prefeitura não tem um prazo determinado para amenizar os inconvenientes buracos de Bauru. As chuvas constantes prejudicam o trabalho, além de aumentarem os problemas, cujas soluções têm de ser à base da primazia. Enquanto isso, mais uma vez pede-se paciência à população, que tem recorrido às delegacias para tentar ressarcimento.

O titular da Sear, Celso Donizete, informou que a frente de trabalho contra os efeitos das chuvas, que conta com a SO, o DAE e a Emdurb, tem 11 caminhões à disposição e algo em torno de 140 pessoas para efetuar os serviços, embora cada órgão dê prosseguimento a seus trabalhos específicos.

O problema, que no início de janeiro era falta de um material utilizado para fabricação da massa asfáltica, agora é a grande incidência de chuvas. Além de diminuírem a eficácia do produto por falta de aderência, requer maior dispêndio de material e serviço, porque não se consegue obter o "ponto certo" com umidade excessiva. Segundo Donizete, terra, pedra e material cerâmico têm sido utilizados para diminuir o impacto.

"O que temos pedido é um pouco de cuidado aos motoristas, que não devem aventurar-se nas poças mesmo nas grandes vias, porque elas podem ser maiores do que se imagina. Eles devem, também, se reservar um pouco quanto à velocidade", sugeriu.

O secretário destaca que os últimos acontecimentos não são "extraordinários, mas próprios da temporada de chuvas", por haver há 15 anos falhas na captação de água na cidade. "O tapa-buraco continua, mas não adianta insistir em fazer certas coisas durante a chuva. O fator de risco é maior inclusive para o maquinário", disse. Donizeti fez questão de ressaltar o trabalho de desobstrução das bocas de lobo (2.500), no final do ano passado, que, apesar de não

"aparecer", ameniza o problema das chuvas.

Questionado se os buracos de hoje são os mesmos do ano passado, mais agravados, Donizeti assegurou que, pelo menos por parte da Sear, o número de buracos foi zerado na época do Natal. Ele destacou que o asfalto de Bauru está com a vida útil no limite. "Entre oito e dez anos deveria ter sido feito um recape geral. Em alguns locais, o asfalto tem 15 anos". Previsão para reverter a situação não existe: ele citou o caso de São José do Rio Preto, que incluiu no orçamento deste ano entre R$ 6 e R$ 7 milhões para o serviço. Nosso orçamento, segundo informou, é a metade do referente a esta cidade.

Erosões

O mutirão iniciado na última quinta-feira no Parque Santa Edwirges, que deve seguir uma estratégia de uma semana num bairro grande, um ou dois dias em bairros menores, e assim sucessivamente, na parte da SO, será levado paralelamente ao trabalho emergencial de combate às grandes erosões, especialmente do jardim Andorfato e da Pousada da Esperança. Na semana passada, a atuação foi nas proximidades do córrego da Água do Sobrado.

São 32 erosões registradas no perímetro urbano, representando risco às ruas, redes de infra-estrutura (esgoto,

água e galerias) e propriedades particulares. As galerias do Jardim Jussara, da Vila Ipiranga e da Vila Industrial são alguns pontos problemáticos que também têm merecido atenção especial da SO. Recursos externos

(do governo estadual) estão sendo tentados para a área das bacias do rio Batalha e do Tietê.

O secretário de Obras, Edmilson Queiroz Dias, informou que, embora os trabalhos ocorram em locais pré-determinados, sempre que existe possibilidade outros problemas acabam sendo sanados quando estão nas proximidades. Disse, também, que esteve reunido com o secretário de Finanças e com o prefeito Nilson Costa solicitando a compra de uma pá carregadeira, quatro caminhões basculantes trucados, peças de reposição e material básico para a construção de galerias (que já estaria em fase de licitação), no que deverá ser atendido.

População recorre às delegacias

As reclamações referentes a problemas com buracos têm sido freqüentes em todas as regiões da cidade. Ontem, a reportagem do JC pôde registrar através de fotos problemas no Parque das Camélias, Vila Universitária, Vila Independência, Vila Souto, Jardim Gérson França, Vila Cardia e Vila Nova Esperança. Algumas pessoas lesadas estão recorrendo aos boletins de ocorrência para tentarem ressarcimento dos danos.

É o caso do funcionário público Reinaldo A. Ferraz, 30 anos, que teve dois pneus do lado do passageiro cortados ao passar num buraco aberto, segundo informações que recebeu, há cerca de cinco dias, numa rua de acesso

à avenida Nações Unidas, na quadra 20, próximo

à boate Carmen. Pouco à frente de seu carro, havia outra vítima do mesmo buraco e, minutos depois, uma terceira.

"É um absurdo. Foram cinco pneus perdidos por causa do mesmo buraco", indignou-se.

Ferraz registrou boletim de ocorrência por danos e pretende entrar na Justiça contra a Prefeitura para conseguir ressarcimento. O problema ocorreu no domingo à noite. Ele teve de pagar R$ 22,00 para consertar um dos pneus e está andando com o outro estragado, correndo o risco de ter o estepe furado. O borracheiro que o atendeu emergencialmente chegou a comentar com ele que aquele pedaço tem rendido muito serviço.

A segunda vítima, Reginaldo Zampieri Junior, 24 anos, teve os dois pneus do lado do passageiro, as duas rodas e os paralamas estragados pelo buraco. Além dos R$ 180,00 gastos, o vendedor/propagandista ainda perdeu o dia de serviço, pelo fato de não ter podido utilizar o veículo. Na tarde de ontem, ele se dirigiria à delegacia para lavrar um boletim de ocorrência contra a administração municipal porque, embora tenha seguro, ele só cobriu o guincho. "Era um buraco de mais ou menos meio metro de diâmetro, cheio de água. Quando passei, além do susto devido ao impacto, perdi a minha noite e do pessoal que estava comigo", lamentou.

Já o cabeleireiro Adilson Fotti, morador da Vila Nova Esperança,

"um bairro abandonado", como classificou, apela para que a Prefeitura tome providências especialmente nas ruas de acesso à escola Salvador Filardi (Capitão Antônio Venâncio de Araújo e Cabo Severino Nunes da Costa), porque os buracos estariam fundos, colocando as crianças em perigo. Na rua Sargento José Mendes Leal, o problema

é que, com o tráfego intenso de ônibus, o asfalto vem cedendo a cada dia.

"Cheguei até a ligar para a Emdurb hoje (ontem), mesmo sabendo que não é o órgão específico para isso. Falta de avisar não foi: fiz isso várias vezes antes das chuvas. Fizemos abaixo-assinado pelo asfalto comunitário, aceitamos pagar, mas nem assim. Parece que não tem como fazer galeria aqui", disse.

Na quadra 8 da rua Moacir Teixeira, Vila Paulista, a "dor de cabeça" denunciada pela doméstica Idalina de Sousa Bento é a rua de terra assolada por erosões e buracos que, além de colocar o pedestre em risco (por falta de calçada ele tem de andar pela rua), prejudica a saúde da população que tem de conviver com canos de esgoto estourados por toda sua extensão. "Eles sempre alegam que não têm verba", protestou.