Mercado de usados tem movimento em Bauru
Texto: Eva Rodrigues
A vontade mesmo é sair pilotando um carro novo, mas na impossibilidade vai um modelo em bom estado de conservação.
É mais ou menos esse o movimento que impulsiona o mercado de micros usados. O que conta nessa escolha, além do aspecto econômico, é a resposta a uma pergunta básica: que tipo de uso terá a máquina a ser adquirida?
Em Bauru, o mercado de usados atende a um público bem diversificado que vai de usuários pouco familiarizados com o mundinho da informática a empresas que pretendem aumentar a rede, passando por adolescentes mais interessados em brincar.
Com a popularização crescente do uso dos micros em todo o mundo - em muitos casos sem exigência de grande capacidade de processamento - já surgiu há algum tempo nos Estados Unidos o conceito de PC de US$ 500, equipamentos mais simples para atender essencialmente a usuários domésticos. Como no Brasil o preço do PC ainda não é muito acessível, a opção acaba sendo o mercado de usados. Por R$ 600,00, por exemplo, é possível adquirir um equipamento razoável para quem pretende fazer trabalhos de escola, ou mesmo para um escritório de advocacia que não exige muitos recursos além de um editor de textos.
Cuidados
Antes de partir em busca de um micro usado alguns cuidados devem ser considerados. Um prestador de serviços da loja Microinf lembra que a consulta a um técnico ou empresa de confiança
é sempre fundamental antes de qualquer escolha. "O custo/benefício é uma relação essencial a ser avaliada no mercado de informática."
Mesmo sofrendo com um mercado normalmente carente de peças, a Microinf está apostando na constante procura por usados e inaugura em breve uma loja dedicada ao segmento. "Um equipamento usado que chega aqui não fica 48 horas em estoque", garante o profissional.
A gerente do Bazar do Micro Usado, Luciana Macedo, também está satisfeita com a procura: "Temos micros desde R$ 250,00 e uma clientela bem variada que nos procura". Para a gerente, esse mercado é alimentado independente da flutuação do dólar. "Ultimamente, por exemplo, muita gente tem nos procurado porque quer iniciar o acesso à Internet ou para informatizar um pequeno comércio."
Trabalhando com usados de forma circunstancial e tomando-os mais como "arma de venda" de novos equipamentos (aceita o usado como parte do pagamento), o proprietário da Virtual, Valdir Dutra, é partidário do lema "Tudo o que você tem vende". E a máxima é tão verdadeira que até um velho XT em exposição na loja acaba sendo frequentemente objeto de desejo de clientes mais exóticos. "Todo tipo de acessório, mesmo coisas fora de linha, acaba tendo saída em algum momento", reafirma.
Na Micro Domus, o problema da falta de peças no mercado
é resolvido com a adoção de uma restrição: a comercialização de usados somente a partir de 200 Mhz. "Aqui, além de aceitar o usado como parte do pagamento também compramos equipamentos usados", alerta o proprietário José Renato R. G. de Souza.
Difícil de encontrar
O retorno obtido com os usados levou a Digitools a investir no nicho. Mas o proprietário Edemilson Crudi vem se deparando com problemas: "Os micros usados sumiram, estão difíceis de encontrar". Um dos fatores que Crudi vem observando é que famílias aparecem na loja para trocar o equipamento e acabam avaliando que não vale a pena e ficam com o novo e o velho. E a corrida por um usado na cidade às vezes fica difícil: "Outro dia uma entidade me procurou querendo montar uma escola de informática para carentes e queria comprar 10 micros. Me envolvi com o projeto e em quatro meses consegui sete micros 486 - isso contando com a ajuda de anúncios publicados em jornal."
Unanimidade entre todos os envolvidos no comércio de usados
é a relação que deve ser estabelecida entre vendedor e cliente. Depois de vender - não o mais caro, mas o ideal para as necessidades do cliente - é fundamental oferecer um serviço de suporte que realmente funcione e estar disponível para atender o cliente mesmo que sua dúvida seja como uma piada para quem estiver do outro lado da linha.
Dicas para o consumidor
1- Primeiramente, assim como em micros novos, deve ser avaliada a real necessidade que este micro terá que suprir. Assim será possível montar uma configuração ideal
2- Procure sempre empresas especializadas no ramo. Computadores e principalmente impressoras usados podem conter defeitos que só aparecem dias após a compra e no caso de se tratar de empresa estabelecida fica muito mais fácil acionar a garantia
3 - Não compre computadores pela aparência. Lembre-se que o que você vê é a apenas uma caixa externa e o que realmente tem valor são as peças internas
4 - Micro usado não é sinônimo de micro ultrapassado. Ele pode muito bem servir a seus propósitos sem que haja a necessidade de desembolsar um valor maior para se adquirir um novo.
5 - As peças não sofrem desgastes físicos com o uso
6 - Computadores são sistemas frágeis e exigem conhecimento básico para serem utilizados; 70% dos defeitos encontrados hoje em máquinas são provocados pelos próprios usuários e em sua grande maioria no software (programas). Este tipo de problema não costuma ser coberto pela garantia
7 - A garantia dos equipamentos é de 90 dias estabelecidos por lei
8 - Peça para testar o equipamento. Algumas lojas já oferecem esse serviço deixando as máquinas funcionando como num show room
9 - Procure saber se onde está adquirindo o seu computador há serviço de assistência técnica
10 - Cuidado com micros de grife. Geralmente essas máquinas não aceitam upgrade, o que fará com que você fique limitado quando quiser melhorar o equipamento
(Paulo César Pinheiro Jr.)