4.ª e 7.ª Cias. vão abordar mototáxis
Texto: Adriana Rota
Prevenir o crime ou repreendê-lo prontamente. Estas são as metas da 4.ª e a 7.ª Companhias da Polícia Militar de Bauru, que se uniram para reforçar a coerção ao bandido em trânsito, ou seja, no momento em que se locomove para praticar o ilícito. Abordagens aleatórias de táxis e mototáxis fazem parte do planejamento, efetivado paralelamente às blitze de ônibus e às atividades habituais de cada companhia.
As abordagens aleatórias aos táxis e mototáxis são feitas em conjunto entre os policiais da 4.ª e 7.ª Companhias (de Trânsito e Força Tática, respectivamente), cada uma em sua área específica: a primeira, na verificação do cumprimento do Código de Trânsito Brasileiro e, a segunda, na área criminal propriamente dita.
Os locais de atuação são determinados por estatísticas de ocorrências registradas pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), recentemente informatizado, que centraliza todas as ocorrências das Companhias. Os pontos mais problemáticos da cidade são cobertos por um número maior de viaturas. Além disso, todo o efetivo toma conhecimento do fato no mesmo momento, agilizando os trabalhos e aumentando a possibilidade de sucesso.
Baseados no que chamam de "Geografia do Furto", na qual o autor do crime agiria em região diversa àquela em que mora, e na relação entre o furto e o tráfico de drogas, os comandantes das duas Companhias, capitães Reginaldo Souza Braga (4.ª) e Manoel Messias Mello (7.ª) acreditam no sucesso das operações porque, fatalmente, o criminoso tem de se locomover de um local para outro.
O comandante do Tático 4, tenente Jorge Duarte Miguel, ressaltou que este tipo de operação já foi bem-sucedida com taxistas, os quais tinham certos códigos com a PM quando se sentiam ameaçados de alguma forma por passageiros suspeitos. Mesmo com essa simpatia ao trabalho, as duas categorias estão sendo consultadas para opinarem sobre o assunto.
Quanto à população, o que se espera é a compreensão, porque o método pode, eventualmente, trazer algum desconforto. Os entrevistados garantiram, no entanto, que práticas discriminatórias como a abordagem predominante de negros não devem ocorrer. "Quem pratica o delito não tem um perfil definido. Se tivesse, seria até mais fácil. O próprio elemento dá certos sinais que resultam na abordagem", disse o tenente.
"Globalizando"
Paralelamente às adaptações estruturais, a PM também está realizando encontros, treinamentos, dentre outras atividades, com vistas à motivação dos policiais para obtenção de uma melhor qualidade de vida e de trabalho na corporação. No Tático, por exemplo, já foi implantado uma espécie de indicador de produtividade.
4.ª Companhia
A 4.ª Companhia de Trânsito manteve-se cuidando da disciplina e da fluidez do trânsito de veículos e pedestres, com policiais atuando em carros, motos, bicicletas ou a pé, além de apoiarem o policiamento convencional. Um trabalho mensal de registro de todos os acidentes leves ou graves, com informações como tipos de veículos, perfil das vítimas, horários, dentre outros, colabora no planejamento das atividades.
De acordo com o capitão Reginaldo e o comandante do pelotão, tenente Jorge Luís Dias, o policial é orientado a observar todos os detalhes que possam ter concorrido para provocar o acidente, além de manter íntimo contato com a população do local, para acionar os órgãos cabíveis, evitando problemas futuros nos mesmos locais.
Entendendo que o trânsito envolve questões de engenharia, fiscalização e, especialmente, educação, a 4.ª Companhia vem desenvolvendo diversos projetos, que incluem parcerias com universidades e iniciativa privada, de modo a formar e não simplesmente informar o cidadão. Através de treinamentos com especialistas, identificam o público-alvo e criam trabalhos específicos para cada grupo.
No campo do pelotão de policiamento de guarda, que tem
à frente o tenente José Luís Firmino Neto,
é feita a fiscalização na parte externa das penitenciárias e a escolta de presos para apresentação em juízo. No prazo de dois meses, o Canil inaugurará sua sede própria.
7.ª Companhia
Ela foi criada recentemente, como parte do projeto de reestruturação da PM. Absorvendo o Tático, o Copom e a Cavalaria, atua no apoio ao policiamento urbano mas, especialmente, em operações especiais, na força tática propriamente dita.
O Tático, por exemplo, com quase nove anos de atividades em Bauru, atuava como pelotão de choque nos casos de operações rurais ou rebeliões em penitenciárias. Agora, com o apoio da Cavalaria, ganha mais liberdade para atuações táticas, inclusive em cidades da região, movidas pelas necessidades imediatas (como furtos de veículos). Antes, era uma força de apoio à 1.ª Companhia e subordinada à 6.ª, de Jaú.