07 de julho de 2026
Geral

Cohab

Josefa Cunha
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Mogione assume Cohab e prioriza dívidas

Texto: Josefa Cunha

O diretor financeiro da Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Bauru, Constante Mogione, 62 anos, assumiu na tarde de ontem a presidência da empresa, em substituição a Arialdo Mercante, que deixou o cargo na mesma ocasião. Logo após a posse, o novo presidente distribuiu nota oficial aos funcionários e anunciou a continuidade da política de saneamento financeiro da companhia, cuja prioridade a partir de agora será a renegociação das dívidas pendentes. Conforme prévio acordo com o prefeito Nilson Costa (PPS), Mogione passa a comandar a Cohab em caráter interino - ele pode sair tão logo outro nome seja escolhido. O presidente cessante, que esteve na função durante quatro meses, discursou na cerimônia de transmissão de cargo, falando dos desafios que enfrentou no período, os quais, segundo ele, só foram superados graças à colaboração do corpo diretor e dos funcionários. O ingresso de Mercadante na Cohab foi avalizado pelo deputado Carlos Braga (PPB) e selou o apoio do PPB ao governo municipal. A disputa de cargos comissionados na companhia, entretanto, provocou a cisão no relacionamento entre pepebistas e a administração, gerando, por conseqüência, a saída de Mercadante. Nilson Costa até que quis mantê-lo no cargo, mas a cúpula do PPS não digeriu bem a idéia, razão pela qual Mercadante apresentou seu pedido de demissão. Constante Mogione, que está no corpo diretor da Cohab desde o início da gestão Nilson Costa, foi recrutado para assumir a função, acumulando também a diretoria financeira. Em nota distribuída ontem, o novo presidente tranqüilizou os funcionários em relação à mudança e às recentes notícias de que o troca-troca no comando estaria colocando em risco a credibilidade da empresa junto à Caixa Econômica Federal em Brasília. As ações de Mogione à frente do cargo continuarão em consonância com a política administrativa anterior. "A situação financeira da Cohab quando entramos era realmente desesperadora, com dívidas acumuladas com a CEF e mutuários totalmente apartados da companhia. Iniciou-se, então, um plano de trabalho visando a contenção de despesas, o enxugamento do quadro e a reaproximação com os mutuários através do programa de renegociação de dívidas. A empresa também terceirizou o serviço de cobrança, colocando em prática um plano de cargos e salários que impedirá as contratações descabidas e desinteressantes para a companhia. Hoje, podemos dizer que a Cohab está praticamente saneada", esboçou. Depois de liquidar o débito de R$ 4,2 milhões com a CEF, o desafio agora é saldar as pendências com a seguradora Sasse, a quem a companhia deve mais de R$ 25 milhões. Quanto à política de cargos, nada deve mudar. Segundo Mogione, o atual quadro de funcionários excede o plano de cargos em apenas uma pessoa. "São previstos 144 e temos 145. Nada mal para quem assumiu quando o quadro somava 354 funcionários", comparou. Sobre a política propriamente dita, Mogione quer manter-se distante. "Sou filiado ao PL (partido que já confirmou aliança com o PPS para as eleições deste ano), mas quero me envolver o mínimo possível. Minhas eventuais ações políticas serão tomadas exclusivamente sob orientação do prefeito", avisou. Nova composição da diretoria

Presidência e Diretoria Financeira: Constante Mogione Diretoria Técnica e Administrativa: Eduardo Rengel Veloso Diretoria Habitacional: Walter Costa Quatro presidentes em um ano

* Faukecefres Savi (28 de setembro de 98 a 16 de dezembro de 98) Um mês após assumir a Prefeitura em virtude da cassação de Antonio Izzo Filho, Nilson Costa finalmente completa a formação do primeiro escalão com a escolha do advogado tributarista Faukecefres Savi para o comando da Cohab. O novo presidente toma posse e anuncia como primeira meta o levante patrimonial, funcional e financeiro da empresa. Na época, a Cohab tinha 347 funcionários.

* Daltayr Vallim (27 de fevereiro de 99 a 23 de setembro de 99) O nome do ex-chefe de Gabinete do governo Tidei de Lima é indicado por Moussa Tobias e aceito pelo prefeito Nilson Costa, vindo a substituir Jorge dos Santos, que, depois de Faukecefres Savi, voltou à companhia com o retorno de Izzo Filho. Vallim assumiu logo após o segundo afastamento de Izzo, anunciando cortes substanciais no quadro de funcionários comissionados e redução dos salários de diretores e assessores de confiança. Por conta da oposição cerrada do PDT, partido ligado a Moussa Tobias, Nilson determinou a exoneração de Vallim, justificando a medida como uma reacomodação de ordem política. Na época, o número de funcionários já havia caído para 150.

* Arialdo Mercadante (23 de setembro de 99 a 17 de fevereiro de 2000) Ex-superintendente da Fepasa e sem filiação partidária, Mercadante foi indicado pelo deputado Carlos Braga. Sua posse na Cohab selou o início do apoio do PPB à administração municipal, assim como sua saída foi provocada pelo rompimento da aliança. Durante os quatro meses em que esteve à frente do cargo, Mercadante manteve pagamentos de débitos pendentes e, desde dezembro, vinha comemorando superávits mensais.

* Constante Mogione (17 de fevereiro de 2000) Membro da diretoria da Cohab desde o retorno de Nilson Costa à Prefeitura, em fevereiro do ano passado, Mogione vinha acumulando os cargos de diretor financeiro e administrativo. Com a saída repentina de Arialdo Mercadante, ele foi convidado a assumir a presidência interinamente, até que o prefeito defina outra substituição ou mesmo sua permanência. Mogione anunciou que sua meta é iniciar o pagamento da dívida de R$ 25 milhões que a companhia tem com a seguradora Sasse.