Ocauçu se destaca na produção de coco
Texto: Márcia Buzalaf
Sabe aquele coco gelado que alivia a sede nas tardes quentes de Bauru? Ele vem de Ocauçu, cidade de 4,5 mil habitantes, há 40 Km de Marília. A chácara Ouro Verde tem a maior produção de coco anão (também chamado de verde) e híbrido da região nos seus 7,5 alqueires, guiada diretamente pelo produtor Nelson Martins Barreto, 56 anos, seus cinco filhos e três funcionários. A produção de coco e a venda das mudas não pára de crescer. O Estado de São Paulo quer entrar com tudo na produção da fruta para consumo in natura. O maior desafio para quem quer plantar é esperar cinco anos para tomar a primeira água de coco.
"Que dá dinheiro, dá", garante Nelson Martins Barreto, o rei do coco de Ocauçu. A produção da fruta, ele resume, é boa porque as pessoas pagam certinho
(o coco pode ser consumido até 20 dias depois da colheita
- e ele só é colhido depois de vendido), porque o giro da mercadoria é grande (cada coqueiro dá 200 cocos por ano) e pela safra estendida durante todo o ano.
Problemas: alto investimento (R$ 15,00 por planta no mínimo), longa espera (a primeira colheita só depois de cinco anos) e o amor pelo coco ("tem que gostar da planta, cuidar", diz o produtor).
Quando começou, em 1990, Barreto foi chamado de louco pelos colegas produtores e ninguém quis se juntar a ele na produção de coco. Na época, estava plantando café, cultura com a qual ele trabalha desde criança. Por isso mesmo, os pés de café ainda se intercalam com os coqueiros, numa paisagem de 3,2 mil coqueiros parecida com a das melhores praias.
Cansado dos nematóides que teimaram em atacar os cafezais da região de Marília no final da década de 80, Barretos começou a amadurecer a idéia da plantar coco, motivado por uma palestra do agrônomo do Estado de São Paulo aposentado Egidio Ferrari. "Eu queria uma cultura que fosse paralela ao café para continuar sobrevivendo. Ao fui plantar coco porque no coco o nematóide não vem, não", afirmou.
Começou com 170 pés. No meio do caminho, um problema. Tudo bem que o coco não tem muita exigência no manejo
- já que é uma roça e não precisa carpir - mas a falta de informações a respeito do assunto dificultou ainda mais o desempenho da roça dos Barretos.
Realmente ninguém conhecia as particularidade do coco aqui no Sul do País, diz Barreto. O jeito foi viajar para o Norte, para realmente conhecer os produtores brasileiros de coco. Lá, encontrou mais uma barreira: na opinião de Barreto, os produtores têm receio da produção cresça em outras partes do Brasil.
O receio tem motivo. Em São Paulo, o cultivo vem crescendo assustadoramente, impulsionado pelo consumo da classe média que começou a viajar mais para as praias e desfrutar do suco da fruta. Antes, ele diz, o coco era limitado ao litoral.
No ano passado, a produção paulista aumentou em 68% se comparado com 98, e a estimativa é que o Estado se torne auto-suficiente no cultivo da fruta.
Vendas
Na região, o consumo também aumenta. Barreto diz que nunca teve que sair de Ocauçu para vender a produção ou as mudas de coco. Os clientes vão diretamente na fazenda dele fechar negócio. Problema com inadimplência ele só teve uma vez.
Os clientes vêm de toda está área do Estado: Ourinhos, Jacarezinho, Cambará, Londrina, Assis, Marília Bauru, Dois Córregos e Agudos. Os vendedores pagam R$ 0,60 por coco em Ocauçu.
Barreto vende 30 mil cocos por mês. Para 2000, Barreto espera dobrar a produção. "Mas para chegar nisso aqui que eu tenho hoje, nós trabalhamos muito. Tem que gostar do coco para plantar coqueiro", define.
As mudas de sementes trazidas do Norte também dão lucro à fazenda. Barreto vende cada muda por um preço médio R$ 3,50. No ano passado, o produtor trouxe 70 mil sementes do Norte, que, depois de plantadas e cuidadas, são vendidas prontas para o plantio. Para que germinem bem, as mudas ficam em uma estufa com uma temperatura média de 65 graus. A fazenda vende cada muda por um preço médio R$ 3,50. Barreto trouxe 70 mil sementes do Norte, que, depois de plantadas e cuidadas, são plantadas. Para que germinem bem, as mudas ficam em uma estufa com uma temperatura média de 65 graus. Todas as mudas prontas e as sementes que ainda vão chegar já estão vendidas.
Apesar disso, o produtor conta que aplicou grande parte do dinheiro que ganhou nestes anos todos na propriedade mesmo. Recentemente, em reunião familiar, decidiram por não mais investir na propriedade, "porque senão não tem fim", diz Barreto.
Problemas
Nem tudo é sombra é água fresca nos coqueiros do seu Barreto. O primeiro problema que o produtor encontra na produção de coco, ele conta, é o alto investimento inicial para o sistema de irrigação. "Hoje em dia, seria um investimento de R$ 15,00 a planta", calcula.
Depois, tem a espera, de aproximadamente cinco anos para a primeira colheita. O coqueiro híbrido, Barreto conta, apesar de ser mais produtivo, a primeira colheita é feita depois de seis anos do plantio. "Financiamento para cinco anos não existe ", comenta a respeito.
Barreto mesmo só instalou o sistema de irrigação depois de dois anos de plantação - feito por ele e seus filhos. Hoje em dia, os cocos são fertirrigados através de microespersores, que levam até o coqueiro além da água, os fertilizantes. "A irrigação
é que dá uniformidade dos frutos", garante.
Para dar a água de coco docinha que todo mundo gosta, o coqueiro bebe muita água. Barreto conta que gasta 300 mil litros de água por dia. O gasto com a energética também não é pequeno: mais R$ 600,00 de energia elétrica.
Na região
A farta produção ajuda na administração financeira de quem planta coco. Um coqueiro já irrigado há dois anos tem a capacidade de produzir cerca de 200 cocos por ano, sendo que cada coco tem aproximadamente meio litro de suco. A fruta é colhida de janeiro a dezembro, entre picos e baixas.
A safra desta região sul de São Paulo tem a vantagem de coincidir com o aumento da demanda. O coco tem o pico da produção por aqui entre novembro e março, enquanto que, no norte do Estado, já não há mais tanto coco agora e, no Norte do País, a produção é uniforme o ano todo, inclusive durante o inverno que tem baixa demanda. "E é justamente agora que é o auge do consumo", lembra.
A produção da fruta também beneficia os consumidores na qualidade. Como o coco só é colhido depois de vendido, quanto mais perto estiver a produção, melhor para a fruta. Para quem mora em Bauru, a garantia de uma água de coco sempre deliciosa.
Serviço
Quem quiser entrar em contato com Nelson Barreto, pode ligar para
(14) 475-1349. Particularidades da produção de coco
* Cada coco tem cerca de meio litro de suco.
* A primeira colheita é feita geralmente depois de cinco anos do plantio.
* Cada coqueiro dá aproximadamente 200 cocos por ano.
* Todo coqueiro dá coco: é só águá-lo freqüentemente e com abundância, e colocar fertilizante na sua coroa (círculo que contorna o pé do coqueiro).