Sabesp de Agudos sofre com sabotagem
Texto: Marcos Zibordi
Empresa não tem suspeitos mas afirma que ações não foram feitas por amadores. Casos têm se repetido
Invasões que não caracterizam furto nem vandalismo têm tirado a sossego da Sabesp em Agudos. Na última ação, no final de semana, o Posto Profundo número 15 foi invadido e o quadro de comando da bomba d'água desativado, prejudicando o abastecimento em vários bairros. Em outra estação elevatória de esgoto, foram registrados sete Boletins de Ocorrência (B.O.) e ela está fora de serviço.
Segundo o gerente da Sabesp em Agudos, Carlos Alberto de Oliveira, 42 anos, a invasão do Posto Profundo número 15 teria ocorrido por volta de 1h30 da madrugada de sábado. A primeira turma de plantonistas, que começou trabalhar às 8 horas da manhã, atendeu a ocorrência. O gerente garante que o abastecimento foi normalizado ainda na manhã de sábado.
As correntes e cadeados dos três portões da Unidade de Tratamento foram estourados. Apesar de quebrarem trincos e janelas, os invasores não conseguiram atingir a estação de cloração e fluoretação, que ainda está em obras.
Eles então entraram na Casa de Bombas, por uma fresta existente acima da porta. O sistema automatizado, que bombeia água de um reservatório de 50 mil litros, travou automaticamente com a interferência, bloqueando o bombeamento de água.
O que faz a Sabesp descartar a possibilidade de vandalismo ou furto é o fato dos invasores deixarem na sala um compressor pequeno, leve e de fácil transporte, e um compactador manual. Mais intrigante ainda foi a intervenção nos quadros de comando, que concentram uma energia de 380 volts. Ninguém se feriu, apesar de ter conseguido parar o sistema. "Se fosse algum amador, não estaria aqui para contar a história: teria levado um choque e virado churrasquinho", compara o gerente.
Outro local invadido, a Cabine de Força, não teve nada furtado ou avariado em seu interior. Nela, 13 mil volts de energia ficam concentrados. Somente uma marca na parede, ao lado de um fio não arrancado, denunciam a entrada de estranhos no local.
A Cohab II e IV, Centenário Parque, parque Pampulha e as vilas Vienense e Avato ficaram sem abastecimento.
Mas o que incomoda a Sabesp são as ações reiteradas. A Estação Elevatória de Esgoto do jardim Pampulha operou somente seis meses, desde Abril de 98, quando foi inaugurada.
Única estação elevatória de esgoto da cidade, levaria os resíduos dos jardins Pampulha e Vitória para serem despejados em mananciais, juntamente com todo o resto do esgoto da cidade, que não é tratado.
Mas ela não está operando. Com sete B.O.s registrados, os vândalos levaram praticamente todo o equipamento da estação.
A fiação que transportava energia para os equipamentos foi roubada, juntamente com os dois postes menores que faziam a ligação transformador-estação. Até a tubulação de esgoto foi arrancada do chão e levada embora. A caixa de medição foi três vezes estourada, inclusive após ter sido instalado um reforço na parede e na grade que a protegia. Numa das ocorrências, a polícia detectou marcas de bala e cápsulas dos tiros que foram disparados contra a caixa.
A grade de proteção do posto de sucção foi levada embora, juntamente com cabos e painéis da bomba, que está no fundo do reservatório porque a corrente usada para içá-la também foi furtada.
Com a paralisação da estação elevatória de esgoto, 8,5 mil metros de esgoto do jardim Pampulha e 4 mil da região do Taperão deixam de ser recolhidos à estação elevatória.