08 de julho de 2026
Geral

Assalto a banco

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 5 min

Ladrões levam R$ 1,5 milhão da CEF

Texto: Tânia Fonseca

Além de jóias que encontravam-se no setor de penhor da CEF de Marília, os assaltantes levaram também R$ 40 mil

Ladrões voltaram à região ontem para roubar banco mediante o seqüestro de gerente e seus familiares. A vítima desta vez foi um assistente da gerência da Caixa Econômica Federal (CEF) de Marília, Oscar Massaru Mituit, que foi rendido na noite de anteontem para que o roubo pudesse se concretizar na manhã de ontem. A família do bancário só foi libertada, no começo da tarde, na região de Sorocaba, depois que os assaltantes já haviam consumado o roubo, o maior dos últimos tempos na região. A polícia só foi informada sobre o crime, após a fuga dos assaltantes, uma vez que essa era uma das exigências da quadrilha. Caso contrário, os reféns poderiam ser penalizados.

Num levantamento preliminar, a direção da CEF havia estimado, ontem à tarde, em R$ 1,5 milhão o valor dos objetos (jóias) que estavam no setor de penhor e que foram levados pelos marginais. A quantia levada em dinheiro, e que estava no cofre da agência, é de aproximadamente R$ 40 mil, segundo o superintendente do Escritório Regional de Negócios da Caixa, Júlio César Scaramuzze Toledo, 41 anos, que acompanhou pessoalmente o desfecho do assalto ontem à tarde em Marília.

Até o começo da noite de ontem, a polícia que investiga o assalto ainda não dispunha de pistas concretas que levassem aos ladrões e nenhum dos veículos utilizados para a fuga haviam sido localizados. Seriam eles: uma van branca com a qual os ladrões chegaram na cidade e ainda um Passat, um Santana e um Logus, que teriam sido roubados durante a fuga.

O roubo

Durante a ação dos ladrões, sete pessoas foram mantidas como reféns nas mãos de pelo menos dez assaltantes. As vítimas foram liberadas por volta das l4h30, na altura do quilômetro 40 da rodovia Castelo Branco, na região de Sorocaba; ninguém ficou ferido.

Segundo informações prestadas pelo delegado José Carlos Costa, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Marília, o assalto começou por volta das l9h15 de segunda-feira, quando, usando uma perua Van Sprinter, os assaltantes chegaram na casa do assistente de gerência da CEF, Oscar Massaru Mituit, 36 anos, no Jardim Bandeirante. Ele foi rendido junto com a mulher e dois filhos. Em seguida, os quatro foram obrigados a entrar no carro e, sob ameaças de espingardas e metralhadoras, mantiveram-se abaixados, enquanto eram transportados para uma chácara, nas proximidades da cidade.

Na chácara, o caseiro, sua mulher e um filho também foram rendidos e obrigados a permanecer em silêncio durante toda a noite. Com exceção do bancário, todos foram levados para a estrada, permanecendo em poder dos assaltantes até serem liberados. Pela manhã, o gerente foi levado por dois assaltantes até a agência bancária, na área central de Marília, onde entre quatro e cinco assaltantes renderam os funcionários que chegavam para o trabalho. Ao todo, cerca de 50 pessoas foram imobilizadas até que às l0h15 o cofre, equipado com fechadura controlada por relógio, foi aberto.

Em poucos minutos a quadrilha juntou as jóias, o dinheiro e saiu da agência, advertindo os funcionários que só avisassem a polícia quando os reféns fossem libertados.

Por ocasião do assalto, a Caixa não abriu as portas como normalmente ocorre de manhã. Clientes que para lá se dirigiram ficaram curiosos. A polícia foi chamada, mas, como os reféns corriam risco de vida e a orientação dos ladrões era para que a polícia não fosse acionada, a informação da Caixa era a de que havia problema no sistema. Mesmo assim, a expectativa era grande entre os clientes que precisavam realizar alguma transação bancária.

Quando a notícia de que se tratava de um roubo veio à tona e soube-se que os ladrões haviam levado os objetos do penhor, alguns clientes ficaram desesperados. Informações extra-oficiais davam conta de que a Caixa realizaria um leilão de jóias nos próximos dias.

Segundo o delegado, há suspeitas de que os assaltantes sejam de São Paulo. Por isso, os reféns seriam encaminhados

à Capital para tentar fazer o reconhecimento através de álbuns fotográficos.

Segundo a polícia, os marginais abandonaram fotos de casas e carros de vários gerentes da Caixa, o que, segundo ele, indica que o assalto vinha sendo planejado já há algum tempo. Uma funcionária disse à polícia que os assaltantes estavam fortemente armados, inclusive com metralhadoras e equipados com rádio-comunicadores e telefones celulares.

Penhor

Uma das preocupações da gerência da CEF, ontem, era a tentar tranquilizar os clientes que tinham alguma jóia penhorada. De acordo com o superintendente de Negócios da Caixa, todas as jóias mantidas sob penhor estão seguradas e os proprietários serão indenizados, caso as mesmas não sejam recuperadas intactas.

Outros roubos

Esse não é o primeiro roubo a banco na região praticado mediante o seqüestro de gerentes de agências. Uma das primerias ocorrências dessa natureza ocorreu em Brotas, em setembro do ano passado, contra o Banco do Brasil. No mesmo mês, ladrões atacaram também o Banespa de Itapuí.

Recentemente, em Barra Bonita, três policiais militares foram rendidos após abordar supostos integrantes de

uma quadrilha que, segundo suspeitas da polícia, pretendiam roubar a agência do Banco do Brasil e para tanto pretendiam reder o gerente. Como tiveram o plano frustrado, os ladrões renderam os PMs para garantir a fuga. Em nenhum dos casos, os marginais foram identificados.