Cervejaria dos Monges vai sediar encontro nacional de microcervejarias
Texto: Patrícia Zamboni
Será realizado em Bauru nesta quarta-feira, dia 23, o encontro das microcervejarias pertencentes à Associação Brasileira de Microcervejarias (ABMIC). O evento será na Cervejaria dos Monges e, de acordo com o vice-presidente da ABMIC, Ricardo Sampaio, esta é a primeira vez que um evento desse porte será realizado fora da cidade de São Paulo. A ABMIC existe há cerca de dois anos e atua em nível nacional, reunindo cervejarias que trabalham com a produção das chamadas cervejas especiais, ou seja, aquelas que são fabricadas somente à base de água, malte, lúpulo e fermento, sem nenhuma substância química. Estarão participando deste encontro representantes de cervejarias famosas no panorama atual, como a Continental, Dado Bier, Santa Cerva, entre outras. A Cervejaria dos Monges estará representando Bauru e região.
Essas reuniões, que segundo Sampaio são mensais, têm como objetivo estreitar os laços de relacionamento entre as microcervejarias espalhadas por todos os Estados do País e aperfeiçoar o sistema de trabalho de cada uma delas através da troca de informações. "A Associação das microcervejarias é muito unida, todos os que estão nesse meio se ajudam muito. Como nós não temos concorrência direta pelo fato de só ter mais de uma microcervejaria em cidades de grande porte, que comportam essa demanda, não há disputas negativas. Um fabricante está sempre dando dicas para o outro e passando informações sobre estratégias de sucesso. Esse mercado está crescendo muito, e com qualidade", afirma Ricardo Sampaio.
Atualmente existem 35 microcervejarias que fazem parte da ABMIC. A estimativa da Associação, segundo Sampaio, é que até o final deste ano esse número cheque a 45.
"É um mercado diferenciado que está se expandindo bastante no Brasil e que tem um futuro promissor", diz Ricardo Sampaio. Na opinião dele, esse crescimento acelerado de microcervejarias no País, de alguns anos para cá, se deve, principalmente, à própria qualidade do produto, já que a cerveja e o chope produzidos nesses microfabricantes são baseados na "lei da pureza", o que permite um produto final de alta qualidade. Por não passar por nenhum processo de transporte, a bebida não necessita de produto químico para a sua conservação, e essa é uma das grandes vantagens da cerveja e do chope que são fabricados em microcervejarias. Além disso, existe a possibilidade de se produzir cerveja com sabores, como framboesa, cacau e chocolate. Segundo Sampaio, a Cervejaria dos Monges já está se preparando para lançar mais dois tipos de chope: o de framboesa e o "carioca", um meio termo entre o chope escuro e o claro. No Interior de São Paulo, só existem microcervejarias em Bauru, Ribeirão Preto e Campinas (duas). Em breve será inaugurada uma em Marília, segundo o vice-presidente da ABMIC. O Rio Grande do Sul é um dos maiores pólos em termos de concentração de fabricantes "caseiros".
Cerveja x chope
De acordo com Ricardo Sampaio, somente no Brasil existe a diferenciação entre cerveja e chope. O que caracteriza essa classificação
é a pasteurização da bebida. O chope é um processo antes da cerveja, ou seja, não passa pela pasteurização, que é o que garante a durabilidade de seis meses para a cerveja. Já o chope, tem que ser consumido dentro de 20 a 25 dias.
De acordo com Sampaio, existem dois processos de fabricação da cerveja. Um deles é o europeu, chamado de "ale". Trata-se de um processo de alta fermentação, em torno de 25 a 30 graus, que provoca uma discreta diferença no gosto do chope em relação ao que é consumido pelos brasileiros. O outro processo, utilizado pela Cervejaria dos Monges, é o "lager", de baixa fermentação. Neste processo a cerveja é pasteurizada em torno de 10 graus, deixando a bebida com um sabor mais suave.