PM prende quadrilha de carros que atuava em Bauru e região
Com a prisão de cinco homens, na madrugada de ontem, policiais militares de Lençóis Paulista e de Bauru afirmam ter desbaratado parte de uma quadrilha que furtava carros na região e vendia as peças em Bauru. Usando chaves mixas, eles abriam e levavam o veículo "encomendado". Só nos últimos três anos, esse grupo teria furtado mais de 80 veículos. Os carros furtados eram desmontados e as peças distribuídas em várias oficinas e sucatas, para despistar a polícia. Com eles, foram apreendidos três carros e uma moto, todos produtos de furto, um revólver calibre 38 com numeração raspada e dois aparelhos celulares.
Os veículos preferidos pela quadrilha eram Opala, Caravam, Gol modelo antigo e Santana. A escolha era feita aliatoriamente pelos ladrões, que recusavam carros com alarmes porque o trabalho seria dobrado e havia o risco de serem presos. "Quando o alarme tocava, nós íamos embora", confessou um dos integrantes da quadrilha ao JC, que não teve seu nome divulgado para evitar possível represália de outros membros da quadrilha.
Depois do furto, os ladrões entregavam o veículo para uma terceira pessoa em uma das rodovias da região. Até o carro chegar nas mãos do verdadeiro receptador, passava por mais dois intermediários, a fim de manter sob sigilo a identidade de que compra carros de procedência ilícita.
Para levar o carro furtado até a rodovia e entregá-lo para outro intermediário, o ladrão ganhava R$ 800,00. Os crimes eram planejados em um bar do Parque Vista Alegre ou em um posto de combustível do mesmo bairro, depois do receptador ter feito a encomenda.
Cada ladrão "faturava", em média, R$ 1.200,00 por mês, trabalhando somente algumas horas. O valor pago pelo veículo furtado dependia do ano em que foi fabricado. O carro mais antigo vale menos também para o ladrão. A escolha, segundo um dos integrantes do grupo, era feita aliatoriamente. A única exigência era que o carro estivesse em bom estado de conservação. "Eles reclamam quando o carro não está inteiro", disse o integrante da quadrilha.
O horário dos furtos, segundo um dos integrantes do grupo, variava entre 20 e 23 horas. "Neste horário, a gente saía para procurar o carro encomendando", contou. Quando o carro era encontrado, era aberto e levado. Os ladrões preferiam os carros estacionados em locais de pouca iluminação. Via telefone celular, os ladrões se comunicavam com o intermediário, que os esperava em uma estrada.
Flagrante
A prisão de alguns dos causados de integrar a quadrilha foi feita na madrugada de ontem na cidade de Lençóis Paulista, por policiais militares da Força Patrulha daquela cidade. Os outros acusados foram presos em Bauru. Com o grupo, foram apreendidas quatro chaves mixas, um revólver, um Escort furtado em Lençóis; um Gol, um Monza e uma moto que tinha quadro de uma CG e partes de uma moto Aero.
Para apoiar a operação, os policiais requisitaram os policiais do Tático-4 da 7.ª Cia. Os policiais trabalharam a madrugada toda apreendendo os veículos e identificando os acusados. Na opinião do comandante interino da 7ª Cia, tenente Jorge Duarte Miguel, com as prisões o número de carros furtados na região deverá sofrer uma queda.
Foram autuados em flagrante e mandados para a Cadeia Pública de Bauru Cleiton Roboton Cardoso, Célio de Souza, Alexandre Belíssimo da Costa, Wilson Carlos Luizão Mariani, Alessandro Franco, Rubens Val Nunes.
Segundo o titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), delegado J.J. Cardia, todos os presos foram autuados por formação de quadrilha, furto, receptação e porte ilegal de arma, crimes inafiançáveis. As investigações, a cargo da prosseguem para identificar os demais envolvidos na quadrilha.
Ladrões levam carro em menos de cinco minutos
O tempo que você leva para tomar um copo de água, pausadamente, é o mesmo que um ladrão gasta para abrir e levar o seu carro: de três a quatro minutos. Usando uma chave mixa, daquelas que abrem qualquer tipo de veículo, eles perdem mais tempo para encontrar o carro encomendado do que para furtá-lo.
Os furtos, de acordo com um dos integrantes do grupo, envolve muita gente, mas os personagens principais são os donos de oficinas, sucatas e comércio de peças de segunda mão. "Eles encomendam e nós entregamos o carro", contou ele.
O rapaz garante que não conhece o comprador do veículo.
"Todo o contato é feito via celular. Recebo a encomenda e trato de fazer o serviço. Depois do furto, entrego o veículo para um intermediário", explicou. Quando o pedido partia de uma oficina mecânica que comercializa peças de veículos fora de linha, o carro era desmontado rapidamente. "Tinha um pessoal preparado para desmontar o carro e rapidamente distribuir as peças em várias oficinas, para dificultar o trabalho investigativo da polícia", contou.
Outro sistema usado pelos receptadores, que já era de conhecimento da polícia, consistia na compra de carros sinistrados.
"Eles usam os documentos de carros batidos para "esquentar" os carros furtados por nós com as mesmas características", disse. Para trocar o lacre da placa, os ladrões usavam arame comprado em qualquer casa especializada, contavam os fios e usando duas moedas e um alicate e faziam um novo lacre.
Para dar credibilidade ao novo lacre, eles usavam água de bateria. "Jogava água de bateria em cima para parecer que o lacre era velho." Os vidros dos carros "frios" eram trocados, assim como o chassi. Se a encomenda era somente de algumas peças, os veículos semi-depenados eram abandonados na periferia.
Trocando de cidade
De acordo com o informante, a quadrilha é grande e está muito bem organizada. Para que uma quadrilha não invada o limite das outras, elas têm definido suas áreas de atuação. "Nós furtávamos em Lençóis Paulista, Jaú e Avaré", disse.
Ele confessou que em toda região tem oficinas e sucatas que recebem peças furtadas. "Em Duartina, em Marília, Garça, etc", contou. Segundo ele, há pessoas importantes dessas cidades envolvidas nos furtos de veículos.
A quadrilha que furta em Bauru, segundo o "quadrilheiro",
é de Campinas. "Faz parte de outro grupo. Eles preferem carros mais novos. Esses carros são "esquentados" e vendidos no Paraguai e Bolívia. Às vezes, os carros são trocados por cocaína", contou. As caminhonetes são as preferidas pela quadrilha campineira, lembra o ladrão de carros. "Parte delas fica em São Paulo, de onde partem os documentos "quentes".