07 de julho de 2026
Geral

Supermercados

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Supermercados passam por reorganização

Texto: Paulo Toledo

Os supermercados brasileiros estão em uma fase de reorganização completa, principalmente aqueles que são empresas familiares, que não se ainda não haviam se profissionalizado, apesar do início de suas estruturas ter ocorrido, na maioria dos casos, na década de 50 e de terem crescido durante todo o período. Para os consultores de varejo Milton Dallari, 55 anos, e Nelson Barrizelli, 57 anos, o caminho é a profissionalização e a qualidade no atendimento.

Dallari e Barrizelli estiveram em Bauru, nesta semana, a convite da regional da Associação Paulista de Supermercados

(Apas), para realização do curso "Supermercados

- Situação Presente e Tendências Futuras", para dirigentes supermercadistas.

Dallari destaca que, nos últimos cinco anos, essas empresas nacionais passaram a enfrentar uma concorrência internacional

"pesada" que, foi bem-vinda, sobre todos os aspectos, para o consumidor, mas provocou, seguramente, a necessidade de um reordenamento no trabalho desses varejistas, nos processos de gestão empresarial, treinamento de pessoal, modificação nas lojas, além de uma melhoria substancial no atendimento ao consumidor.

O consultor afirma que as organizações familiares e nacionais que se adaptarem, sem dúvida, terão um futuro pela frente e poderão competir com as grandes redes internacionais. Para Dallari, é importante discutir a situação presente dos supermercados e as tendências futuras, de como o empresário terá que se posicionar diante da atual realidade de mercado.

Milton Dallari afirmou que o quadro não significa o fim das empresas familiares na área supermercadista. Porém, ele defende que a única forma delas sobreviverem é a profissionalização. "Aquela família que pegar seus membros treinar, fazê-los, cada vez mais, melhorar seu comportamento gerencial, sem dúvida alguma, terá um espaço imenso no mercado. As que não se prepararem terão dificuldades. Caso não tenha possibilidade internamente nas famílias, é muito importante que comece a profissionalização da empresa para que, dentro de algum tempo, tenha profissionais da maior competência tocando seu negócio", destacou.

Para Dallari, as maiores redes internacionais de supermercados vieram ao Brasil para ficar. Por isso, compraram redes já estruturadas no País, independente do posicionamento financeiro, fizeram um exame estratégico do território e estão competindo fortemente com as organizações nacionais. Ele diz que, cabe ao empresário, principalmente do Interior do Estado de São Paulo, se modernizar e melhorar seu desempenho, uma vez que as margens serão cada vez mais estreitas e a competição cada vez mais acirrada.

Readaptação

Dallari diz que algumas empresas estão preparadas para trabalhar com o mercado de margens de lucro estreitas que o mercado apresenta. Porém, diz que outras vão precisar uma readaptação muito grande nos seus procedimentos gerenciais, ampliar a informatização - não somente no check-out (caixa), mas no controle de estoque, no fluxo e outros acompanhamentos, num reordenamento total do negócio.

Dallari disse que os pequenos supermercados vão sobreviver, baseando-se principalmente na prestação de serviços. Para ele, esse diferencial e o de qualidade do produto são fundamentais para a sobrevivência. Ele lembra que os pequenos supermercados atendem, geralmente, atendem a população de um raio de aproximadamente um quilômetro. Então, a recomendação é que ele entende esse consumidor, quem é ele. A maioria dos supermercadistas não conhecem seu consumidor", afirmou.

Nelson Barrizelli, 57 anos, afirma que os pequenos varejistas, aqueles que têm entre três e nove check-outs (caixas) não estão mortos e têm muita chance de sobreviver, desde que mudem seu modelo gerencial. Para ele, empresas pequenas não devem tentar copiar as grandes organizações.

Barrizelli destaca que os pequenos lutam para vender barato, na suposição de que o cliente quer comprar barato, como condição primeira e única. Porém, pesquisas vêm mostrando que essa não é uma verdade, pois os clientes reconhecem que os pequenos supermercados não conseguem vender ao preço dos grandes, mas que esse preço mais alto proporciona um melhor atendimento e tem mais facilidades, pois não há a necessidade de deslocamentos e perdas de tempo em caixas com grandes filas.

"O pequeno tem absoluta condição de sobrevivência, desde que ele saiba operar sua loja, conheça seus clientes, encontre nichos de mercado e deixe de se preocupar só em comprar barato. É possível comprar alguns produtos mais barato, pois é apenas parte do processo. Tem que ser um excelente vendedor, não um excelente comprador", afirmou.