07 de julho de 2026
Geral

Banda de carnaval

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 5 min

Que soe o Primeiro Clarim: eis a banda do Chico Paini!

Texto: Fábio Grellet (*)

Banda de Pederneiras vai completar meio século e continua alegrando a população. A cada Carnaval, a expectativa se renova

Se a história de um país - o Brasil, especialmente

- pode ser contada através da música, a história de Pederneiras jamais vai estar completa se nos esquecermos da banda do Maestro Emílio Francisco Paini, o Chico Paini. Desde os idos de 1950, a banda embala mentes e corações daqueles que se deleitam ao som de seus acordes. Em 22 de outubro de 1991, o maestro foi tocar (n)o céu, e a história da banda sofreu uma interrupção. Mas, de maestro novo, a banda voltou no ano seguinte, e continua a representar uma lenda viva da história musical pederneirense. E já que é época de Carnaval, nada melhor que homenagear a banda que alegra o reinado de Momo em Pederneiras há tantos anos - ainda que passando por clubes diversos e até ganhando outra denominação, mas sempre movida pelo espírito do maestro Chico Paini - que, lá do céu, certamente ainda sorri quando ouve o Primeiro Clarim!

Chico Paini nasceu em Pederneiras, em 23 de abril de 1911. Começou a aprender música aos 18 anos, e três anos depois já estava bastante afiado. Começou então a tocar trombone na banda que era mantida pela Prefeitura e tinha como maestro um italiano conhecido por Piazza. Após algum tempo tocando nessa banda, porém, ele a abandonou, para realizar o sonho de tocar em orquestras, que eram corporações mais conceituadas. Sempre tocando trombone, integrou a Orquestra Marajoara, de Bauru, o Grêmio Orquestra, de Jaú, e a corporação Fausto e Sua Orquestra, de Marília. Mas Chico Paini queria mesmo era organizar uma orquestra em Pederneiras e, no final da década de 40, sem deixar de participar das demais corporações, montou a Orquestra Copacabana, que perdurou por poucos anos. Simultaneamente, sentindo a falta da banda municipal, que havia sido desativada, o músico começou a organizar uma banda. Nascia, então, a

"Furiosa", como ficaria conhecida a corporação orientada pelo maestro Chico Paini. Oficialmente, a fundação da banda data de 1951, mas o próprio músico, além de outros integrantes da corporação, calculavam que a banda existia desde 1945. Naquele período, porém, provavelmente ainda fosse mantida pela Prefeitura, de forma que ainda não se constituía como uma iniciativa particular.

A Banda do Paini tocava em quermesses e eventos comemorativos, tanto em Pederneiras como nos distritos que pertencem à cidade - Santelmo, por exemplo - e em outros municípios da região, como Macatuba. O Carnaval, porém, sempre foi o ápice da banda, que se apresentava nos clubes de Pederneiras - Alvorada (como em 1974) e CRC (Clube Recreativo Comercial). Neste, se apresentou por incontáveis carnavais. Nos últimos anos, a banda tem animado os bailes carnavalescos promovidos pela Prefeitura, no Ginásio de Esportes de Pederneiras e, mais recentemente, no Recinto de Exposições da cidade.

Antes da morte de Chico Paini, em 1991, a última formação da banda contava com Hélio Miranda, Edson de Barros, Orlando Bozan, Paulo Roberto Paini, Antonio Andreoli, Joãozinho, Nélson "Balança", Sílvio Mosciati, Márcio Urrea, Arnaldo Scian, Argemiro de Oliveira, Norberto Carlos Paini, Mário Jarbas Paini e Deusdete.

Orlando Bozan, atual maestro, e Antonio Andreoli são dois dos músicos que tocam há mais tempo na banda. Bozan começou oficialmente em 1968, enquanto Andreoli é ainda mais antigo: toca desde 1953. São décadas de muita dedicação, ensaios, diversão e lembranças. Entre casos curiosos, eles dizem que vale a pena mencionar aquela ocasião em que o baixista chegou embriagado a uma apresentação. Depois de errar ao se aventurar em alguns acordes, foi mandado embora e substituído por um colega, que assumiu seu instrumento. O músico acabou escoltado pela polícia até sua casa e nunca mais voltou a tocar na banda. O nome, bem, o nome eles preferem não citar...

Tempos modernos

Em 1991, com a morte de seu maestro, a história da banda sofreu uma interrupção. Alfredo Bozan conta que somente em outubro de 1992, quando se completava um ano da morte de Chico Paini, os músicos da banda se reuniram, por iniciativa própria, para prestar uma homenagem ao maestro. Tocaram em frente à igreja Matriz, em Pederneiras, e voltaram a emocionar o público. Em 93, o prefeito Giácomo Bertolini decidiu que a Prefeitura iria oferecer um subsídio à banda, que passou a ser mantida pelo município - como permanece até os dias atuais, sob a administração do prefeito Rubens Cury. Mas era necessário reunir novamente os integrantes e escolher um maestro para substituir o Chico. Alfredo Bozan foi convidado e, para colaborar com a reativação da banda, aceitou, se mantendo até hoje em tal função. Atualmente, a banda - que passou a ser Municipal, mas é conhecida mesmo como a banda do Paini - é composta por 12 integrantes, sendo cinco moradores de Pederneiras e sete de Macatuba. E continua fazendo história, relembrando os velhos tempos em que a cidade inteira se enfeitava, "pra ver a banda passar, cantando coisas de amor".

Paini participou de outros grupos

Durante o transcorrer de sua vida - profundamente dedicada à música -, o maestro Chico Paini participou de outros grupos musicais de Pederneiras, além das orquestras e da banda que fundou. Por volta de 1935, por exemplo, o músico integrou a Aimorés Jazz Band. Depois tocou também na orquestra Jazz Bandeirante, que existiu entre 1936 e 1943. Na metade da década de 50, Paini participou do grupo Garotos do Ritmo. E o maestro ainda integrou um regional que acompanhava os calouros durante um programa veiculado aos domingos por uma rádio de Pederneiras. Acompanharam Paini, em cada um desses conjuntos, vários músicos que também fizeram parte da história de Pederneiras, como Tite e Américo de Marco.

*(parte das informações sobre a carreira do maestro Chico Paini foi obtida através de uma entrevista com o músico, realizada em 1991 por Rinaldo Razuk e que permanece gravada)