Estadual do PSDB quer candidato próprio a prefeito nos municípios
Texto: Josefa Cunha
Um mega-encontro realizado anteontem, em São Paulo, pelo diretório estadual do PSDB pontuou a primeira definição partidária com vistas no processo eleitoral deste ano. Está deliberado, conforme entendimento de toda a direção, que os tucanos deverão lançar candidato próprio a prefeito nas cidades em que a legenda estiver organizada provisória ou definitivamente. Qualquer decisão contrária a essa, também de acordo com a resolução da cúpula estadual, terá de ser justificada por escrito e apreciada pela comissão executiva de São Paulo.
As notícias, que vêm acompanhadas de outras decisões, foram passadas pelo coordenador regional do PSDB, Élio Busch, e devem chacoalhar o ninho em Bauru. Para a direção local, as resoluções chegam como boas novas e corroboram as pretensões do presidente Rubens Spíndola, pré-candidato a prefeito e defensor intransigente da chapa própria. Entretanto, a receptividade não será a mesma entre a ala que prega alianças sem fazer questão da cabeça de chapa - especialmente para aqueles que já anunciaram publicamente apoio a postulantes de outros partidos.
As definições ainda prevêem diretrizes quanto ao processo interno de escolha dos candidatos. Os nomes que disputarão os cargos de prefeito e vice serão escolhidos entre 10 a 30 de junho, em convenção municipal. No caso de existir mais de um candidato à mesma vaga, a comissão executiva municipal deverá convocar eleição prévia até 15 dias antes da convenção final. Ficou resolvido, porém, que, em havendo disputa interna, as executivas municipais e estaduais deverão partir para negociações com o objetivo de buscar o consenso. Caso este definitivamente não seja alcançado, a prévia seguirá normalmente.
As decisões mencionadas foram avalizadas por todos os membros do diretório estadual e reconhecidas por outros cerca de 400 tucanos que participaram do encontro. Segundo Élio Busch, todos os deputados estaduais e federais do partido estiveram presentes, bem como os ministros Paulo Renato de Souza e Aloísio Nunes, e a primeira-dama, Lila Covas.
Embora satisfeito com as deliberações, Busch lançou duas importantes questões não abordadas na oportunidade, as quais, aliás, ele pretende apresentar oficialmente à direção estadual. "Não discutiram e nem resolveram com quais partidos o PSDB poderá se coligar, o que nos causou a impressão de que não haverá restrições a ninguém. Aqui no Interior, por sinal, essa questão de partido é secundária, porque o pessoal vai mais pelo nome do candidato. Outra coisa que não ficou decidida diz respeito ao tratamento que deverá ser dispensado aos prefeitos de outros partidos que apoiaram o Covas na última eleição. São questões que precisam de orientação", enfatizou.
Coordenação regional
Confirmando o que vinha sendo especulado há alguns dias, deverão ocorrer mudanças na estrutura das Coordenadorias Regionais do PSDB, a começar pela redução de seus membros. Os atuais nove componentes passarão a quatro, com vagas garantidas ao presidente do partido, aos representantes do diretório estadual e ao líder da bancada de vereadores. A função de coordenar as ações dos
órgãos paritários em consonância com as diretrizes aprovadas, contudo, permanece.
Élio Busch, atual coordenador regional do PSDB, não sabe se continuará no cargo, uma vez que a comissão executiva estadual reassumiu a competência de designar os coordenadores. Busch já ocupou o cargo tanto por indicação quanto por eleição, modalidade esta que vinha sendo adotada ultimamente. "Considero essa mudança justa, mas sei que posso ficar ou sair. Falaram aí do Elson (Elson Banuth, prefeito de Arealva) para me substituir. Se for ele, pessoa da minha amizade e meu afilhado político, não farei outra coisa se não apoiar", afirmou.