07 de julho de 2026
Geral

Aumento dos combustíveis

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

População se revolta com novo reajuste de combustíveis

Texto: Patrícia Zamboni

A população está revoltada com o novo reajuste nos preços da gasolina e do óleo diesel, que serão vendidos ao consumidor final com um aumento de cerca de 5% a partir de hoje. Até o final da tarde de ontem, o anúncio do reajuste a partir da meia-noite desta terça-feira não havia causado uma "corrida" dos consumidores aos postos de combustível de Bauru. O movimento que se viu na cidade não identificava nada de anormal. Porém, a população não esconde a indignação com mais um aumento decretado pelo Governo Federal. Apesar do movimento tranqüilo na maioria dos auto postos, muitas pessoas que usam o carro diariamente aproveitaram o último dia de gasolina e diesel à venda sem reajuste para abastecer.

Selma Jordão dos Santos, que controla o uso do carro juntamente com o marido, considera o reajuste um "abuso". "Eu já tenho um esquema com meu marido de não usarmos o carro a toda hora porque nós temos moto. Então, procuramos usar o carro em ocasiões que o uso da moto fica inviável. Esse novo reajuste dos combustíveis é um abuso. Não faz nem três meses que teve um aumento. Não sei onde isso vai parar", disse a consumidora.

O advogado Gessner Abdala Aúde, que usa seu automóvel diariamente, não escondia o descontentamento com o governo brasileiro. "Eu preciso do carro todos os dias para trabalhar. O aumento do combustível é inviável para pessoas como eu. Hoje em dia a gente precisa do automóvel.

É utilidade, não é luxo. Esses aumentos prejudicam demais o consumidor. Não existe, por exemplo, condições de eu repassar isso para os meus clientes, ou seja, o prejuízo

é meu. Eu acho um absurdo, e o pior é que certamente vamos continuar sofrendo com esses aumentos", opinou o advogado.

Questionado sobre o novo reajuste da gasolina e do diesel, o consumidor Carlos Antero Roxo disse estar "desiludido com o País".

"Sinceramente, estou cada vez mais desiludido com esse País. Eu sou aposentado e procuro controlar o uso do carro, mas não

é sempre que a gente pode abrir mão de usar. Antes de me aposentar, eu trabalhei sete anos viajando diariamente, e tinha um grande prejuízo com os aumentos. O governo dizer que vai aumentar a gasolina mas que o gás de cozinha vai continuar com o mesmo preço, é uma piada. Não devia subir nada, ainda mais num País que o transporte

é essencialmente rodoviário. A ferrovia está esquecida no Brasil", disparou Roxo.

Lizete Aparecida dos Santos, que também utiliza seu veículo todos os dias para ir até o local de trabalho, não escondia, ontem, sua revolta. "Eu trabalho de madrugada, então, tenho que ir de carro. Pra eu tomar ônibus, o corujão não passa perto da minha casa. Não tenho outra saída a não ser ir trabalhar de carro. Se fôsse no horário comercial, eu iria de ônibus pra economizar. Eu não concordo com esses aumentos constantes da gasolina porque o nosso salário nunca aumenta. Tudo sobe, menos o salário. Isso prejudica muito a população", disse Lizete dos Santos, que aproveitou para abastecer seu carro antes do aumento.

Antonio Faria também estava revoltado. "O governo

é terrível. Eles dão R$ 3 mil de aumento para os juízes e o salário mínimo continua em R$ 136,00. Infelizmente, o governo do País está cada dia pior. Eu tenho que usar o carro todos os dias pra trabalhar e pra buscar meus filhos na escola. Então, esses aumentos são um grande prejuízo pra mim. E o salário continua lá embaixo", disse Faria.

Entre os auto postos consultados, o abastecimento estava normal, ontem. Porém, em um posto de bandeira Shell localizado na rua Azarias Leite, o pedido de uma remessa de gasolina não havia sido entregue até o início da noite. O posto, cujo dono prefere não ter seu nome divulgado, ficou sem gasolina (comum e aditivada). Segundo o proprietário do posto, o caminhão tanque havia sido da distribuidora à tarde. Porém, até as primeiras horas da noite, não tinha chegado para abastecer as bombas.