Incontinência urinária atinge cada vez mais crianças
Texto: Adriana Rota
Quem pensa que o problema de incontinência urinária
é exclusividade de pessoas da meia-idade, está enganado. A fisioterapeuta Eloisa Aparecida Nelli, da Clínica Multidisciplinar, disse receber inúmeros casos de crianças e jovens com o distúrbio que, tratado de início, proporciona
ótimos resultados.
Eloisa e sua equipe - formada por Antônia F. Rubini, Karina Tomazini e Luciana Uchoa - têm atendido um número crescente de crianças, pacientes mais fáceis de lidar do que os adultos, que se sentem constrangidos. O maior problema, entre elas, é que o não-tratamento pode surtir efeito psicológico negativo. "Uma criança goza da outra, os pais não sabem entender e acabam brigando...". Por isso, de acordo com a fisioterapeuta, os pais têm de ficar atentos a possíveis sintomas, especialmente se o filho realiza muitas atividades diárias ou é ansioso, preferindo segurar a urina a que deixar a brincadeira.
A incontinência urinária pode ser provocada por fatores psicológicos, falta de contração muscular
(por características genéticas), processos infecciosos ou inflamatórios e, a mais comum, causada por esforço excessivo. "A perda urinária relacionada ao esforço
é extremamente comum e, não necessariamente, anormal. Ela ocorre quando a pressão abdominal é aumentada com a tosse, espirro, risada ou atividade física. Nos homens, pode ocorrer após cirurgia da próstata", explicou.
O problema, segundo a especialista, é que no ritmo moderno da vida é comum as pessoas esquecerem de ir ao banheiro e beber água, ou mesmo deixar de fazê-lo por atividades excessivas, o que prejudica o processo normal de contração e relaxamento da bexiga. "Isso pode provocar retenção de líquido e conseqüente processo inflamatório na região vaginal, no caso da mulher. A prática de utilização de absorvente para conter o gotejamento propicia a proliferação de bactérias, devido ao aquecimento do local", alertou.
A especialista comentou, ainda, a crença de que o parto normal resulta em "bexiga caída". Ela explicou que a gestação aumenta a flacidez muscular do abdômen e, com o crescimento do útero, a bexiga é "espremida", causando vontade de urinar. Uma ginástica específica para gestantes pode evitar esse problema.
Os equipamentos utilizados para amenizar ou solucionar a situação fazem parte de um tratamento chamado de conservador, que pretende evitar a intervenção cirúrgica. Para os homens são utilizadas as penses, que relaxam a musculatura abdominal contraída e fortalecem o baixo-ventre.
O Dualpex 996 uro é utilizado para estimular o canal vaginal através de pequenas descargas elétricas. A própria paciente dosa os estímulos, que não são dolorosos. Cada paciente tem seu próprio aplicador. Após esse processo, usa-se a cinesioterapia, que são exercícios para "reeducação" pélvica e perineal. Nesse campo estão os cones que, com pesos diferenciados, são introduzidos na vagina para a feitura de exercícios, também pela própria paciente em sua casa.
O tempo de tratamento varia de pessoa para pessoa, com variáveis como tipo de musculatura, idade e aceitação do paciente. Normalmente, o ginecologista ou urologista indicam essa intervenção específica e, nesses casos, a pessoa sente-se mais segura.
Ainda assim, é preciso ficar atento aos primeiros sinais de incontinência: aumento da freqüência urinária, desconforto vulvar ou perineal (espaço entre os órgãos sexuais e o ânus), dores abdominais e incontinência relacionada ao estresse. Além do fim do incômodo e do constrangimento, o tratamento da incontinência proporciona uma maior satisfação sexual do casal.
Serviço
A Clínica Multidisciplinar fica na rua Antônio Alves, 15-36, Centro. os telefones são 223-7455 e 234-9438.