Plantão social sofre depredação
Texto: Daniela Bochembuzo
Um grupo de mulheres apedrejou na manhã de ontem a sede do plantão social da Secretaria do Bem-Estar (Sebes). Elas teriam ficado revoltadas por não ter obtido senhas para a retirada de cestas básicas, distribuídas mensalmente pelo órgão. Em razão disso, a Polícia Militar foi chamada para controlar a situação.
Por meio da ajuda da PM, os ânimos foram controlados e o grupo de mulheres foi atendido por uma assistente social, a qual explicou que a distribuição de cestas é restrita e feita apenas após triagem sócio-econômica.
"A triagem é obrigatória a todas as pessoas. Não fazemos cadastro para a distribuição de cestas, mas entrevistas, já que o serviço visa atender situações emergenciais", explica Sandra Scriptore Rodrigues, secretária municipal do Bem-Estar Social.
Mensalmente, a Sebes seleciona 350 pessoas para receber a cesta básica. A demanda pelo serviço, no entanto, é bastante superior. De acordo com Sandra, o plantão social atende 1.300 pessoas a cada mês. Desse total, 90% vão ao local em busca de cesta básica.
Apesar do programa de cesta básica ser municipal, o trabalho
é desenvolvido pelo Conselho Metropolitano. Além de fazer a distribuição, a entidade acompanha a situação do assistido e o engaja a programas de reintegração social.
Para a secretária da Sebes, o desentendimento registrado ontem na sede do plantão social foi ocasionado pela falta de informação e compreensão sobre os critérios de seleção.
Irritação
O apedrejamento do plantão social da Sebes deixou o prefeito Nilson Costa irritado. Em entrevista às rádios locais na manhã de ontem, Costa chegou a afirmar que iria suspender o programa caso os desentendimentos persistissem.
Na parte da tarde, mais calmo, o prefeito disse que a distribuição de cestas básicas seria mantida. "Com os esclarecimentos feitos pelas assistentes sociais, acredito que não haverá a necessidade de medidas mais rigorosas por parte da administração", esclarece.
Para que não se desenhe um clima "irreprimível", a pedido do prefeito, a secretária Sandra Scriptore Rodrigues está estudando uma fórmula para minimizar incidentes como o ocorrido na manhã de ontem.
Apesar das dificuldades financeiras da Prefeitura, Nilson Costa afirmou que o programa será mantido. "É um grande esforço da administração no sentido de disponibilizar essa verba mensal", complementa.
De acordo com o prefeito, o número de cestas básicas continuará fixado em 350 e a distribuição será mantida em caráter emergencial. "Se nós formos analisar a quantidade suficiente de cestas, seria ao infinito porque quanto mais nós disponibilizamos, mais gente apareceria", disse.
Além da Prefeitura, várias entidades sociais de Bauru mantêm programas de distribuição de cestas básicas. A exemplo da Sebes, essas entidades realizam entrevistas sócio-econômicas antes de incluir a família no serviço. Esses são os casos da paróquia de Nossa Senhora da Assunção, no Jardim Ouro Verde, e do Centro Espírita Amor e Caridade.