08 de julho de 2026
Geral

Abertura do comércio

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 3 min

Comerciantes desafiam Prefeitura e abrem até 17 horas

Texto: Adriana Rota

A maior parte das lojas do centro da cidade abriu, ontem, até as 17 horas, desacatando uma lei municipal que determinava seu funcionamento somente até as 13. Fiscais da Prefeitura circularam pelo local, mas não determinaram o fechamento imediato, apenas identificaram a loja. O movimento aparentava o de um dia comum.

O horário estendido só é permitido no primeiro sábado após o quinto dia útil, que recairá nesta semana. Ainda assim, a maioria dos comerciantes optaram por "peitar" a Prefeitura, e pretendem recorrer caso sejam punidos com multas. Houve, ainda, quem tenha sabido com antecedência da atuação de fiscais e procurou baixar as portas antes que eles pudessem chegar até lá.

"Pedimos a compreensão dos consumidores através do sistema de alto-falante da loja", disse o gerente.

O questionamento dos proprietários e gerentes ouvidos pelo JC eram sempre referentes à possibilidade de desemprego, por ser a tarde de sábado responsável pelo maior movimento da semana.

Eles se mostraram, também, indignados com o fato de a lei valer somente para o quadrilátero que compreende as ruas Bandeirantes e Ezequiel Ramos e Monsenhor Claro e avenida Nações Unidas, deixando "livres" as demais.

De acordo com Sávio Gomes, gerente da loja Tanger localizada na quadra 4 da rua Batista de Carvalho - e único que permitiu ter o nome divulgado sem temer represálias - é justamente nesse ponto que o Sindicato do Comércio Varejista se apóia na sua liminar. "Queremos isonomia. Para nós, é uma clara transferência de renda", protestou.

Ele disse, ainda, ter observado uma pequena queda no movimento, provalvelmente motivada pela ausência de consumidores de cidades da região. Outros gerentes e proprietários fizeram a mesma observação.

Segundo um dos entrevistados, o posicionamento dos lojistas foi decidido numa reunião entre eles, na qual a maior parte decidiu abrir normalmente. "Não abriu o comércio ligado às grandes redes", destacou. "Retrocesso" era a palavra mais dita pelos comerciantes e gerentes.

Para os funcionários, a indignação era outra.

"Claro que preferiria estar com minha família", disse um dos três indagados, de lojas diferentes. A professora Edilaine C. P. Dantas foi em defesa deles, afirmando que, embora os empregadores preguem a liberdade para os funcionários optarem por trabalhar ou não, eles sempre acabam sendo prejudicados. "Hoje em dia, se você não vestir a camisa - aliás, se não 'imprimir no peito' a bandeira da empresa, fica queimado", solidarizou-se.

Shirley dos Santos, auxiliar de escritório e ex-vendedora de loja, também registrou seu apoio. "Eu sei muito bem o que eles passam", disse. Indagadas se o fato de o comércio permanecer fechado após as 13 horas seria incômodo, as amigas não hesitaram. "A gente teria vindo mais cedo".

A opinião do funcionário público estadual Antonio de Oliveira é outra: ele achou que tinha menos gente circulando no Centro do que o normal, o que causaria prejuízo aos donos e funcionários do comércio. Já os estudantes Aline Reghine Ferreira, 14 anos, e Lucas Moraes, 16 anos, são favoráveis à abertura das lojas

"porque passear na Batista é uma das poucas opções de lazer na cidade", concordaram.