Iamspe realiza seminário sobre a descentralização
Texto: Fabiana Teófilo
Em reunião realizada, ontem, no Centro de Atendimento Médico Ambulatorial (Ceama) - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) - Bauru, localizado na rua Azarias Leite, foram definidos os rumos do 1.º Seminário Regional do Iamspe/Bauru. O objetivo do encontro, marcado para o próximo dia 24 de março, é discutir a descentralização para a melhoria do atendimento ao usuário e eleger os delegados que representarão a sede de Bauru e região num encontro que acontecerá em São Paulo, no mês de junho.
O Iamspe de Bauru tem, atualmente, 12.730 contribuintes que incluem servidores públicos em geral, professores, aposentados e funcionários de diferentes setores estaduais. Somado aos contribuintes da região, o total de servidores é de, aproximadamente, 23.132. Cada servidor contribui com 2% do salário e pode estender o convênio à toda sua família. A verba arrecadada é centralizada em São Paulo e, em seguida, repassada para as sedes do Instituto localizadas no interior.
Para o membro da Subcomissão Consultiva Mista do Iamspe/Bauru, Francisco Macegozi, a verba de cada região deveria ser administrada por sua sede. "Assim poderíamos aplicar melhor esse dinheiro e melhorar o atendimento ao contribuinte", afirmou.
A presidente regional do Sindicato dos Especialistas da Educação, Maria José de Oliveira Faustini lembra que o Governo do Estado também deveria participar da arrecadação com 2%, mas isso não ocorre. "Eles não fazem a parte que têm obrigação de fazer. Estamos cobrando isso. Eles não prestam conta e nós não sabemos o que é feito com esse dinheiro", esclareceu. Ela enfatizou que no encontro isso também será cobrado.
Macegozi acredita que a contribuição dos servidores
é muito baixa. "Esse é o convênio mais barato existente, quando comparado a qualquer outro tipo de convênio médico", disse. Ele afirmou que deveria ser cobrado mais 2% de cada dependente do servidor, ou seja, se o contribuinte tem a esposa e um filho como usuários do convênio, o valor descontado de seu salário deveria ser de 6% e não apenas 2%.
Para Macegozi, que trabalha como voluntário no Iamspe quando
é necessário, o atendimento deve melhorar depois da descentralização, mas para isso muita coisa ainda deve ser discutida, como a distribuição e arrecadação da verba, por exemplo.
Outro ponto discutido por Macegozi foi as condições precárias do prédio onde funciona o Iamspe em Bauru.
"Já deixamos de receber aparelhos doados pelo Estado por falta de infra-estrutura para mantê-los", disse. Ele contou que pretende, com a ajuda da dirigente de Ensino Edinéa Sita Cucci, mudar as instalações do Iamspe para o prédio da escola estadual Lourenço Filho que, segundo ele, está desativada.
A diretora do Ceama/Bauru, Sandra Maria Furkin Carneiro é a favor da descentralização. Ela disse que com a decisão, o atendimento ao usuário certamente ficará melhor. "É um processo longo que está em andamento há algum tempo. O Iamspe já melhorou muito de alguns anos para cá e a tendência é melhorar ainda mais", explicou.
Sandra disse, ainda, que o número de Ceamas, que são as instituições que administram os convênios com os médicos e hospitais, deve aumentar e, com isso, o sistema se tornará mais ágil administrativamente.
Apelo
O diretor e coordenador da subsede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Duílio Duka de Souza, juntamente com a diretora do Ceama, Sandra e a presidente do Sindicato dos Especialistas da Educação, Maria José, pedem para que os servidores não se desliguem do Iamspe. Eles alegam que, com a redução de contribuintes, o Instituto pode piorar o atendimento e, até mesmo, ocorrer uma privatização por parte do Governo do Estado.
"Reconhecemos que existem falhas, mas não é interessante para os contribuintes abandonarem o convênio porque eles podem precisar um dia", disse Maria José. Ela contou, também, que juntos pretendem expor várias propostas para o governador do Estado, com o intuito de beneficiar o contribuinte.
"Queremos melhorar o atendimento e precisamos do apoio de todos. Se eles deixam de pagar ficam na dependência do SUS e isso não é bom e se ocorre a evasão, o Governo pode privatizar o sistema", argumentou Souza.
Ele disse, ainda, que as pessoas devem saber utilizar bem o Instituto sem abusar do convênio. "O Iamspe deve ser usado pelo contribuinte e sua família, ou seja, deveria ser limitado a esposa e filhos, mas geralmente outros membros da família acabam usando o convênio também", afirmou.
Sandra disse que a presença dos servidores no 1.º Seminário é bastante importante. "Todos podem comparecer. Estaremos decidindo o destino do Iamspe", afirmou.
Serviço O 1.º Seminário Regional Iamspe/Bauru será realizado no próximo dia 24 de março, das 8 às 16 horas, na sede do Centro do Professorado Paulista (CPP), localizado na rua Joaquim da Silva Martha, 29-59, Jardim Brasil. As inscrições deverão ser feitas até o dia 20 de março no Ceama, localizado na rua Azarias Leite, 6-39. Informações pelo telefone: 223-4230.