07 de julho de 2026
Geral

Abertura do comércio

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Sindicato quer nova proposta dos lojistas

Texto: Paulo Toledo

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru (SECB) está na expectativa de que o Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio) possa reunir os lojistas e enviar uma nova proposta com o objetivo de negociar a abertura das lojas em todos os sábados, das 9 às 17 horas. Antonio Pereira de Lima, 52 anos, diretor-tesoureiro do SECB acredita que, essa seja a melhor solução para o impasse criado na rejeição da última oferta dos patrões.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru

(SinComércio), Walace Sampaio, por outro lado, descarta a hipótese de uma nova proposta, dizendo que os comerciantes já chegaram ao seu limite, além do fato de terem realizado uma negociação salarial muito favorável aos empregados em novembro, quando foi concedido um reajuste linear de 7%, índice superior ao IPC-Fipe, que era pouco superior a 5%. Em média, os pisos tiveram reajuste de 12%. "Não creio que alguma categoria, além dos comerciários, tenha tido reajuste deste porte no ano passado", afirmou.

Lima destacou que, no próximo sábado, a abertura será normal, de acordo com a lei, até 17 horas e, por isso, há um prazo de mais uma semana para que possa ocorrer uma nova negociação, em busca de que sejam concedidos outros benefícios para que outra assembléia de comerciários possa ser realizada e, dependendo do conteúdo da proposta, quem sabe ser aprovada.

Sampaio destaca que, apesar do reajuste, em novembro, no início do ano os patrões tiveram que oferecer mais benefícios, em razão da exigência da lei, para negociar a abertura aos sábados. "É uma situação absurda que a empresa fica. Estamos no limite. Não tem condições de ampliar mais os benefícios, de forma alguma", afirmou.

Assim, a luta dos comerciantes para continuarem abrindo em todos os sábados vai continuar sendo via judicial. Na negociação anterior, Sampaio disse que, inicialmente, os comerciantes queriam apenas manter os benefícios concedidos nos três anos anteriores. Foi solicitada a alimentação no sábado, a qual foi incluída na proposta, que acabou rejeitada.

"Não temos espaço para fazer mais proposta nenhuma. Não tem fôlego para isso, principalmente se levar em consideração que todos os índices mostram que as vendas do último ano ficaram abaixo da inflação. Isso tem pressionado o custo das empresas. Esses benefícios adicionais, por exemplo, que é a cesta básica e a alimentação, só o comércio da área central é obrigado a fornecer, ou seja, já concorrem em desvantagem com os outros que podem ter horários mais elásticos que eles", afirmou, defendendo que os benefícios devem ser obtidos na data-base da categoria, mas admitindo que os comerciantes, por questão de coerência, aceitariam fechar o acordo na base votada e rejeitada na última assembléia.

O líder dos trabalhadores destaca que o impasse entre comerciantes e comerciários é ruim, pois já há muitos comentários sobre a geração de um número maior de demissões no setor. "O desemprego

é seríssimo. Então temos essa preocupação", destacou Lima, lembrando que o SECB está aberto a negociações.

Fiscalização

Lima disse que foi informado que os fiscais da Prefeitura anotaram as lojas que estavam abertas e, agora, a entidade trabalhista vai cobrar que as autuações sejam realizadas. Ele disse que algumas lojas cumpriram a lei e não abriram e, por isso, é justo que os infratores sejam punidos. "Os comerciários cobram a gente. Não só os comerciários, mas também aqueles comerciantes que cumpriram a lei e fecharam

às 13 horas", afirmou.

A Prefeitura, porém, ainda não se posicionou sobre a questão das autuações. De acordo com a Assessoria de Imprensa do Palácio das Cerejeiras, a situação do comércio está em fase de observação, em razão da amplitude da discussão sobre o horário de funcionamento das lojas da área central.