08 de julho de 2026
Geral

Bairros

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Bairros novos aguardam infra-estrutura

Cavalo pastando em terrenos baldios, carroças estacionadas embaixo de sombras, ruas sem pavimentação, casas de alvenaria intercalando-se com as de madeira e poucas pessoas na rua. Assim se mostra uma parte da região Oeste que engloba bairros como a Vila Celina, o Parque Sergipe, São Manoel, Parque São João e Jardim Residencial Jussara, os mais novos da região.

Esses bairros, ao contrário da Vila Falcão, são conhecidos pelo pouco comércio e por serem isolados da área central. Só depois de caminhar dez quadras é que se pode encontrar algum estabelecimento ou mesmo sombra para descansar, porque as árvores existentes são poucas.

Não há playgrounds, nem áreas de lazer. As crianças são obrigadas a brincar no quintal de suas casas. Porém, algumas aproveitam e ficam na rua devido à tranqüilidade que há no local. Só alguns moradores ficam conversando sob a sombra das

árvores que existem em seus quintais.

Entretanto, as dificuldades enfrentadas pelos moradores são muitas. Uma delas é a falta de creches, núcleo de saúde, supermercados, entre outros estabelecimentos. Isso, muitas vezes, obriga o morador a ir até a área central da cidade ou mesmo de um bairro mais próximo só para comprar um item.

As escolas mais próximas localizam-se a cerca de dois quilômetros da Vila Celina, por exemplo, bem como os postos de saúde. A dona de casa Maria Aparecida Rodrigues, 37 anos, reclama a falta de um núcleo de saúde na Vila Celina. Ela disse que fica esperando mais de três horas na fila para marcar consulta e, muitas vezes, não consegue ser atendida porque não há médicos.

"Só há um posto no Alto Paraíso, perto do hospital Manoel de Abreu, mas é muito longe para levarmos nossos filhos. Precisamos de um posto no bairro ou pelo menos na redondeza", sugere.

Falta de infra-estrutura

Além da falta de pavimentação há a ausência de galerias de água pluviais, sarjetas e até calçadas. O pior problema desses bairros são as ruas esburacadas. Os buracos chegam a ter um metro de profundidade.

A moradora Geni dos Santos, 33 anos, só sai de casa quando é urgente. Ela tem dois filhos, uma menina de quatro meses e um filho de seis anos, e teme andar pelas ruas e levar algum tombo ou escorregar por causa do estado em que estão as ruas. "Quando chove, fico preocupada com meus filhos para que não fiquem doentes. Não dá para sair nas ruas, porque ficam intransitáveis", relata.

A maioria dos moradores sofre com os transtornos. Aqueles que têm carro são obrigados a deixá-los nas casas de vizinhos ou nas ruas pavimentadas mais próximas do bairro, para poder usá-lo. Já aqueles que dependem de transporte coletivo, precisam andar um pouco mais para encontrar um ponto de ônibus. Segundo moradores, os ônibus não passam mais em algumas ruas, como a Alfredo Rodrigues de Souza, na Vila Celina, e, por isso, os usuários têm que andar mais de dez quadras para encontrar outro ponto. "Moro há 14 anos no bairro e só piora, cada chuva que dá as ruas ficam intransitáveis, cheias de buracos. E por isso até os pontos de ônibus foram transferidos para outras ruas mais distantes", relata o morador Mário do Carmo Arruda, 46 anos.

V. Giunta teme novas inundações

Parte alta e baixa, fluxo intenso de veículos, movimentação de pessoas ao redor da praça da igreja Nossa Senhora de Lourdes. É assim o cotidiano da Vila Giunta, quando o dia

é ensolarado, mas quando as nuvens começam a se juntar e ficar "carregadas" os moradores da parte baixa ficam assustados e atenciosos à menor tempestade, para tentar evitar novamente inundações em suas residências e comércio.

A comerciante Maria Aparecida da Silva Ramos, 38 anos, torce para que não chova para não passar pelo transtorno de ter a casa inundada novamente. "Quando

"fecha" o tempo já fico com medo", desabafa.

Ela afirma que a enxurrada vem de bairros que ficam na parte alta como a Vila Falcão e o Parque São João, e que descem com entulhos para os mais baixos, como a Vila Giunta. "Minha casa foi invadida também pela terra. Até o corpo de bombeiros foi acionado para desentupir o local", conta.

O comerciante Fernando Redondo Orgado, 32 anos, também teve seu depósito invadido. Ele tentou se prevenir, mas não conseguiu conter a fúria das águas e viu alguns materiais da loja, como cimento e cal, se perderem e deram como perdidos. "Há dois anos tenho esse depósito e toda vez que chove forte isso acontece e acabo tendo prejuízos", reclama.

Até mesmo uma de suas escadas foi levada pelas chuvas. Orgado relata que seus vizinhos viram a enxurrada levando o objeto embora. Por enquanto, os moradores ficam rezando para que não chova forte e esperam que a Prefeitura tome alguma providência. Segundo eles, várias ligações foram feitas às regionais e até agora nenhuma resposta foi dada.

Índice de ocorrências policiais na região é de 6,9 %

Por ser uma região populosa, com 12.300 habitantes, o número de ocorrências não é alto. O índice chega a 6,9%, segundo a Polícia Militar (PM). O número de ocorrências mais alto é o de furto, seguido de lesão corporal e roubo. Comparando-se os meses de janeiro e fevereiro de 1999 com os desse ano, pode-se perceber que houve uma redução no número dessas ocorrências. Em 99 ocorreram 16 lesões corporais ocasionadas por brigas, neste ano foram registradas sete. Já o número de furtos, de 46 caiu para 32, e os roubos, de oito para quatro.

De acordo com o capitão da 3ª Companhia da PM, Wellington Luiz Dorian Venezian, depois que a polícia passou a ser comunitária, o policial passou a estar mais próximo da comunidade, "isso estreitou o contato da PM com os moradores". E, por isso, ele acredita que haverá uma redução no número de ocorrências policiais ainda maior. "Em um local mais populoso que outro aumenta-se a incidência criminal, mas a tendência é reduzir essas ações criminais", acrescenta.

Venezian ressalta que a reestruturação na polícia, no início deste ano, colaborou para um trabalho mais efetivo. "Hoje temos mais possibilidade de acompanhar as ações criminais e até mesmo preveni-las. Fica difícil ter um pequeno número de policiais para atender uma grande massa, por isso, a divisão da PM na cidade colaborou para que houvesse mais precisão no serviço, evitando assim crimes", reflete.

A sede do Pelotão Oeste localiza-se na rua Domingos Bertoni, 7-50, na Vila Alto Paraíso. O tenente Fabiano de Almeida Cerpa é responsável pelo atendimento de assuntos que se referem à prevenção criminal. Aqueles que desejarem mais informações podem ligar no número 235-1041.