Salários e asfalto esboçam programa do PMDB
Texto: Josefa Cunha
A executiva municipal do PMDB já começa a ensaiar propostas para o programa de governo que apresentará à população na campanha eleitoral deste ano. O plano ainda é incipiente, mas indica que usará aspectos frágeis da atual administração municipal para se sustentar. Alternativas para melhorar as condições salariais dos servidores e viabilizar obras de pavimentação
- dois problemas até o momento mal ou insatisfatoriamente resolvidos pela gestão Nilson Costa (PPS) - já figuram no esboço do programa.
As discussões sobre o plano de governo tiveram início efetivo no último sábado, durante reunião da cúpula peemedebista. O presidente do partido, Fernando Monti, disse que a compilação de propostas se faz necessária tanto para alinhavar possíveis alianças quanto para instrumentalizar a campanha dos candidatos a vereador.
"Nós entendemos como imprescindível a apresentação escrita e fundamentada de soluções para os problemas enfrentados no município. Nesse sentido, já detectamos que a administração precisa de políticas específicas para o funcionalismo, em termos salariais, e para as obras de pavimentação", citou.
Obviamente, as propostas de solução para ambos os problemas estão sendo embasadas a partir de comparações com o governo Tidei de Lima. "Nós constatamos que o poder aquisitivo dos servidores sofreu uma queda muito grande depois da gestão do Tidei. O sucessor (Izzo Filho) prometeu aumento de 100% e nada concedeu, e não podemos eximir o Nilson Costa desse compromisso, pois ele também prometeu esse reajuste", alfinetou, acrescentando que o caminho mais viável está na modificação da atual grade salarial. "O que estamos pensando não passa por aumento igual a todos e talvez privilegie a camada que ganha menos", adiantou.
A comparação também é feita em relação
às obras de pavimentação, hoje emperradas no programa do asfalto comunitário. A proposta do PMDB para viabilizar o asfalto e o recapeamento está na aplicação de recursos provenientes do IPVA, vinculando o pagamento do imposto
à garantia de retorno em forma de benefício. "Estima-se que Bauru tenha arrecadado neste ano 2000 cerca de R$ 25 milhões. Como não temos mais o fundo de pavimentação, seria uma alternativa aplicar determinado percentual do IPVA em obras de asfaltamento e recapeamento. No governo Tidei, cerca de mil quarteirões receberam pavimento", recordou Monti.
Alianças
Os recentes anúncios das candidaturas de Tuga Angerami
(PSB) e Pedro Tobias (PDT) à Prefeitura parecem não ter modificado os planos políticos do PMDB para as eleições de outubro. O partido continua silencioso quanto à possível candidatura do ex-prefeito Tidei de Lima e seu presidente garante que a mudez faz parte de uma contingência interna. "Não vamos nos pronunciar sobre candidaturas porque o momento ainda não é propício para definições. O fato do Tuga e do Pedro terem descortinado suas intenções nada muda para nós, pois entendemos que o PMDB tem força política suficiente para bancar uma campanha própria. De maneira alguma vamos ficar a reboque da decisão deste ou daquele", enfatizou Fernando Monti.
O PMDB já dialogou com os principais partidos da cidade, mas, no momento, só mantém conversações com o PFL de Dudu Ranieri. O PPS foi "descartado" porque tem seu candidato próprio (Nilson Costa); com o PTB, as negociações não foram além do primeiro encontro, e com o PSDB, o entendimento vinha sendo bom, mas divergências internas entre os tucanos esfriaram as conversações.
Com o leque limitado, a única nova possibilidade aponta para o PPB. Monti não nega a aproximação com o partido do deputado Carlos Braga, embora afirme que nenhum encontro tenha sido formalizado até o momento. "Posso dizer que o que existe com o PPB é um contato de intenções, mas o PMDB não tem restrição a nenhuma legenda. Para nós, o que interessa é o restabelecimento do desenvolvimento de Bauru e, para que isso se concretize, é preciso que haja desprendimento, seja através da via que for", frisou.