07 de julho de 2026
Geral

Câmara de comércio

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 7 min

Região ganha Câmara de Comércio

Texto: Fábio Grellet

Entidade privada lançada ontem em Pederneiras vai intermediar parcerias entre empresários da região e do exterior

Foi lançada ontem, durante solenidade realizada a bordo do barco San Diego, no rio Tietê, em Pederneiras, a Câmara de Comércio do Interior Paulista, órgão que engloba inicialmente cerca de 60 municípios e tem por objetivo reunir empresários da região, tornando-se um meio de integração entre eles e industriais dos demais países da América e de outros continentes, especialmente a Europa. Segundo um dos diretores fundadores da Câmara, José Francisco Marcondes Neto, que também é presidente do Conselho de Câmaras de Comércio das Américas e da Câmara de Comércio Brasil-Venezuela, a Câmara do Interior Paulista, sediada em Pederneiras, vai servir como uma "vitrine" dos produtos e serviços que podem ser desenvolvidos na região. Assim, o órgão deve facilitar parcerias entre empresários da região centro-oeste do Estado e firmas estrangeiras interessadas em investir nessa área geográfica.

A solenidade foi prestigiada por prefeitos de 24 municípios da região - incluindo o anfitrião, Rubens Cury (PSDB), de Pederneiras -, pelo secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, José Aníbal, representantes da Secretaria Estadual da Agricultura, do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e da Ferroban, além de aproximadamente 40 empresários de diversos segmentos industriais desenvolvidos na região - entre eles, um representante da Volvo, o engenheiro Antonio Aparecido Rocha Thobias, o proprietário da Bauruense Serviços, Airton Daré, e o diretor do Grupo Prata, Érico Braga.

O secretário estadual José Aníbal destacou que a formação desta Câmara de Comércio, apoiada pelo governo do Estado, é mais uma forma de incentivar o desenvolvimento de São Paulo, atendendo o objetivo do governador Mário Covas. Aníbal ressaltou que o dinheiro arrecadado em algumas concessões - como a exploração do gasoduto Brasil-Bolívia - já não é mais aplicado no pagamento de contas, mas sim em investimentos que gerem empregos e movimentem o setor produtivo. Para ele, isso só foi possível graças ao saneamento das contas, implementado pelo governador. Aníbal destacou ainda que todas as regiões do Estado estão recebendo investimentos, e mesmo a área metropolitana de São Paulo, onde foi diagnosticada uma suposta saturação dos mercados em geral, está conquistando novas empresas.

Um dos diretores fundadores da Câmara, Marcondes Neto, por sua vez, formalizou o convite aos empresários da região, para que se integrem à entidade, tornando-se associados dela - o que demanda o pagamento de mensalidades, para o custeio dos serviços oferecidos. O órgão deve atuar em dois aspectos opostos: incentivando empresários da região a se aprimorar, para conquistar o mercado externo, e divulgando, no exterior, os produtos e serviços oferecidos na região, para atrair investimentos. Uma das funções do órgão, portanto, será facilitar a formulação de parcerias com empresários do exterior - muitos dos quais observam o Brasil e, especialmente, o Estado de São Paulo, como um mercado apto a receber investimentos. Embora, conforme o diretor fundador da Câmara, o País seja visto mais como consumidor do que como exportador, os empresários da região também terão na Câmara uma aliada para expor seus produtos ou serviços ao mercado externo e buscar interessados em adquirí-los. Marcondes Neto frisou que os serviços de pesquisa, análise e diagnóstico dos mercados, a serem oferecidos pela Câmara, serão detalhados daqui a cerca de 20 dias, quando o órgão estiver definitivamente instalado e estruturado. Embora a Câmara deva englobar todos os segmentos empresariais interessados em usufruir de seus serviços, está sendo feita uma análise para definir "dez ou 12 setores" aos quais se pretende dar estímulos maiores, considerando que tenham maior capacidade de atrair investimentos ou de conquistar o mercado externo. Para Marcondes Neto, a escolha de Pederneiras como sede da Câmara se deve a dois fatores: a localização do município - às margens do rio e já dispondo quase que plenamente da intermodalidade - e a iniciativa do prefeito Rubens Cury, que se dispôs a oferecer, através da Prefeitura, todo o apoio necessário à consolidação da Câmara.

Outra das diretoras fundadoras da Câmara, Cibele Hatoum, classificou como fundamentais os serviços prestados pela entidade, para o desenvolvimento da região, e ratificou o convite aos empresários, para que se filiem à entidade.

As autoridades discursaram a bordo do barco San Diego, que partiu do ancoradouro existente ao lado da ponte sobre o rio Tietê, no km 200 da rodovia Bauru-Jaú, e fez um passeio para mostrar o porto intermodal e algumas empresas já instaladas no distrito industrial criado ao lado.

Prefeito tenta definir vinda de agro-indústria

Para o prefeito de Pederneiras, Rubens Cury, a Câmara de Comércio é mais um passo rumo ao desenvolvimento da cidade - que já dispõe, segundo ele, do porto intermodal mais estruturado ao longo do rio Tietê. Cury espera que a entidade auxilie a Prefeitura na busca de mais investimentos das empresas estrangeiras. Durante sua administração, o prefeito atual esteve permanentemente em busca de empresários dispostos a se instalar no município e, assim, usufruir das várias modalidades de transporte que Pederneiras oferece

- através de rodovias, ferrovias ou do rio. A industrialização

- perseguida constantemente e que teve seu avanço mais significativo há 25 anos, quando a Clarck (posterior VME e atual Volvo) se instalou na cidade, a convite do então prefeito Michel Neme - é uma alternativa para movimentar a economia da cidade, que enfrenta problemas com a mão-de-obra pouco especializada (a qual se ocupa basicamente da lavoura e outros serviços braçais) e com a dependência do cultivo da cana-de-açúcar (cujo derivado principal, o álcool, enfrenta uma crise que, embora um pouco amenizada em relação a meses atrás, continua causando graves prejuízos aos trabalhadores que dependem do setor). Por isso, uma das maiores preocupações de Cury, atualmente, é definir a instalação, na cidade, de uma empresa que produza derivados de soja. As negociações começaram há anos, mas ficaram paralisadas por razões de natureza fiscal - impostos que eram cobrados em valor menor por outros Estados, fazendo com que a empresa interessada em se instalar em Pederneiras tendesse a preferir outro município. Agora, atendendo a pressões, o governo estadual está alterando esses impostos, o que deve consolidar a instalação da indústria. Para Cury, atrair agro-indústrias

(empresas que têm produtos agrícolas como matéria-prima) para Pederneiras seria a forma ideal de diversificar a economia da cidade, dando ocupação à mão-de-obra pouco qualificada (que poderia trabalhar nas lavouras) e garantindo a movimentação dos setores produtivos. Ao estabelecer parcerias entre empresários da região e do exterior, a Câmara de Comércio do Interior Paulista vai ser bastante útil aos objetivos de Cury - inclusive por deslocar os holofotes para Pederneiras, que sedia a entidade e tem ampliado seu destaque como pólo regional, mesmo prejudicada pela proximidade com Bauru, cidade que dispõe de muito mais recursos para atrair as empresas.

Terceiro trilho não foi concluído

Tentando conquistar para Pederneiras a intermodalidade completa

(transporte aéreo e através do rio, rodovias e ferrovias), o prefeito Rubens Cury conseguiu, ao longo de sua administração, que o governo estadual implantasse o terceiro trilho férreo, necessário no trecho entre Pederneiras e Bauru para permitir o acesso até o porto intermodal de trens que usavam bitola estreita. Esse serviço foi iniciado e supostamente concluído, mas, há alguns meses, um vereador e uma entidade de Pederneiras denunciaram que o serviço estaria incorreto, não permitindo que nenhum trem circulasse pelos trilhos instalados, na condição em que se encontravam. O Jornal da Cidade denunciou e acompanhou o caso mas, à época, não obteve os esclarecimentos necessários da Ferroban, empresa que administra atualmente o transporte ferroviário naquele trecho. Ontem, o diretor comercial da Ferroban, José Osvaldo Cruz, finalmente esclareceu o que se passa: o serviço de instalação dos trilhos não foi concluído, porque eles seriam utilizados por uma indústria que produziria derivados de soja e se instalaria no município, precisando então usar o transporte pela bitola estreita. Como as negociações para a vinda da empresa emperraram, tornou-se pouco atrativa a complementação dos serviços de instalação do terceiro trilho, já que nenhuma outra empresa os utilizaria imediatamente. Assim, segundo o diretor comercial da Ferroban, a instalação foi paralisada, até que o trilho se torne necessário e economicamente viável.