Evasão no ensino médio chega a 10,7%
Texto: Daniela Bochembuzo
Número de alunos que abandonaram o ensino médio em Bauru subiu 1,8% no período de 1998 a 1999; na região, aumento foi de 1,35%
Levantamento feito pela Diretoria de Ensino aponta que a evasão no ensino médio de Bauru chegou a 10,7% no ano passado. O índice é 1,8% superior ao registrado em 1998, quando a taxa de abandono dos bancos escolares chegava a 8,9%.
Na região abrangida pela diretoria, a evasão de estudantes do ensino médio também aumentou. De 1998 para 1999, o índice subiu de 9,75% para 11,1%.
Os dados da região referem-se aos alunos matriculados na rede estadual de ensino das cidades de Arealva, Avaí, Balbinos, Bauru, Cabrália Paulista, Duartina, Iacanga, Lucianópolis, Piraju, Piratininga, Presidente Alves, Regianópolis e Ubirajara.
Em Bauru, os maiores índices de evasão foram registrados nas escolas localizadas na região Central da cidade.
Apesar da demanda por esses estabelecimentos de ensino ser grande, em razão da proximidade com o comércio - onde muitos estudantes trabalham -, eles deixam de ser atrativos no momento em que o aluno perde o emprego.
"Como resultado, muitos não vão mais às aulas porque não têm dinheiro para pagar o transporte da residência até a escola", explica Edinéa Sita Cucci, dirigente de ensino da região de Bauru.
Em casos de evasão motivados por fatores externos, como o desemprego, a dirigente de ensino afirma não ter como agir. A ação da Diretoria de Ensino, segundo Edinéa,
é intervir nas causas internas, como as aulas desinteressantes.
Para tanto, a Diretoria de Ensino planeja ampliar a implantação de salas ambientes nas escolas, que são locais onde os professores desenvolvem temas multidisciplinares.
"Nessas salas, os alunos discutem um mesmo tema sob vários enfoques, como o da matemática ou da biologia. Além disso, os estudantes têm a oportunidade de ter acesso aos computadores, o que é importante para eles", afirma Edinéa.
Com aulas mais interessantes e motivadoras, a dirigente de ensino acredita ser possível reduzir a evasão no ensino médio.
O incentivo a atividades artísticas é outra arma adotada pela Diretoria de Ensino para desmotivar o abandono dos bancos escolares. Música, teatro e dança estão sendo utilizados para tornar o ambiente escolar mais agradável.
Preocupação
Mas a maior preocupação da Diretoria de Ensino é com a retenção. De 1998 para 1999, o número de alunos reprovados aumentou tanto no ensino fundamental quanto no médio.
Em Bauru, a retenção no ensino fundamental cresceu de 2,2%, em 1998, para 2,58%, em 1999. No ensino médio, a taxa subiu de 3,5% para 5,7% no mesmo período.
Para Edinéa, esse aumento se deve ao fato do programa de recuperação, implantado em 1998, não estar sendo levado a sério por pais, alunos e professores.
O programa, que foi bombardeado pelo professorado e por especialistas em educação, prevê a progressão continuada de 1.ª a 4.ª séries e de 5.ª a 8.ª séries, ou seja, nesses períodos de quatro anos, os alunos não reprovam.
Para não ser reprovado, no entanto, o aluno passa por avaliações constantes. Durante o ano, se o seu rendimento for inferior à média, ele é encaminhado à recuperação paralela. Se mesmo assim ele não conseguir notas para passar, o estudante passa a cursar a recuperação de férias.
A reprovação se dará apenas ao final do ciclo
(1.ª a 4.ª ou 5.ª a 8.ª) com sinalização do Conselho Classe Série, formado por todos os professores daquela turma. A cada série, no entanto, o aluno também pode ser retido se sua freqüência for inferior a 75% do total de aulas oferecidas.
A reprovação por baixa freqüência também vale no ensino médio. Nessa fase, a Diretoria de Ensino aplica ainda a progressão parcial, baseada no sistema de dependências.
Pela progressão parcial, o aluno que repetir de uma a três disciplinas pode cursá-las enquanto faz a série seguinte. Se for reprovado em quatro matérias ou mais, o estudante cursa apenas essas disciplinas.
As progressões continuada e parcial, acredita Edinéa, são a solução para motivar o aluno a continuar a estudando, garantindo maior chance de sucesso na escola.
"Esse sistema, no entanto, não facilita a aprovação, mas dá mais chances do aluno se dedicar à escola. Se ele não o fizer, a retenção acontecerá", garante.