Aluno estaria sofrendo ameaças na Luiz Castanho
Texto: Adriana Rota
A faxineira Sueli Neves de Jesus Basílio lavrou boletim de ocorrência esta semana para registrar ameaças que seu filho de 17 anos, estudante do segundo ano do ensino médio na Escola Estadual Luiz Castanho, estaria sofrendo por parte de uma suposta gangue, atuante nas imediações da escola. A Polícia Militar (PM) foi acionada pela diretoria em três ocasiões, mas não chegou a nenhum acusado. No ano passado, um aluno atacou uma professora à faca, o que denegriu a imagem da instituição. Ontem à noite, uma viatura foi solicitada para intervir numa briga entre alunos.
A reclamante afirma que seu filho e outros três colegas começaram a ser ameaçados no início das aulas. O motivo teria sido uma briga, na qual ele não teve participação, mas um de seus amigos. As ameaças chegam via telefone ou através de pressão pessoal. Um grupo formado por cerca de 25 garotos - alguns podem ser maiores de idade - ficaria dividido entre a portaria da escola e da Instituição Toledo de Ensino (ITE), a uma quadra dali.
Por esse motivo, o filho de Sueli e os outros ameaçados estariam deixando de comparecer às aulas, por medo de serem feridos. Segundo a entrevistada, é comum os alunos irem
à escola portando armas brancas (canivetes, facas, dentre outros). O grupo já teria invadido a casa de um desses garotos, o que está levando sua família a mudar-se, e batido em outros dois.
Seus membros seriam moradores do Parque Viaduto e estariam envolvidos com drogas. Por isso, a "lei do silêncio" estaria imperando no local. "Resolvi fazer alguma coisa porque tenho medo que aconteça o pior", desabafou a mãe. As ameaças estariam ocorrendo após as 12 horas, horário de saída das aulas. "A gente não consegue trabalhar sossegada. Algum pai tem de ir esperar por eles para garantir a segurança", disse.
A diretora da escola, Célia Regina Pampami Borgo, a classificou como "pacífica", lamentando que o ataque de um aluno a uma professora em agosto do ano passado, à faca, tenha denegrido a imagem da instituição. Ela afirmou que na Luiz Castanho ocorrem brigas de alunos como em qualquer outra escola. Ainda assim, após uma conversa com Sueli, teria solicitado a presença de viaturas em três ocasiões, sem que estas chegassem a algum acusado. "Além disso, nosso inspetor sempre acompanha a saída dos alunos, mesmo na região da ITE", afirmou.
O tenente Fabiano Serpa, da Base Comunitária Oeste, afirmou que desde fevereiro um policial tem ficado de prontidão na porta de algumas escolas, incluindo a Luiz Castanho, das 11
às 13h30 e das 17 às 23 horas. Nada de anormal foi registrado desde então. Ele aconselha que uma eventual ameaça seja informada a esse policial. Este, caso julgue necessário, pode solicitar uma viatura para levar a pessoa para casa em segurança. Esclareceu, ainda, que atitudes suspeitas certamente levarão a uma averiguação e que o telefone 190 estará disponível sempre que necessário.
A dirigente de Ensino, Ednéa Sitta Cucci, disse não ter conhecimento de problemas na Luiz Castanho. "De qualquer maneira, estaremos de olho", assegurou. Salientou, ainda, que as atenções, atualmente, estão voltadas para a escola estadual do Parque Santa Edwirges, onde tem ocorrido brigas envolvendo até armas de fogo e destruição do patrimônio. O caso foi entregue à promotoria da Infância e da Juventude.
Ontem à noite, houve solicitação de uma viatura até a Luiz Castanho. Um aluno teria contatado o Centro de Operações da PM (Copom) porque uma briga estaria ocorrendo no local. De acordo com informações fornecidas
à redação pelo Copom, o conflito foi abrandado rapidamente. Não foi possível saber o motivo da briga, porque a viatura estava em outra ocorrência.