07 de julho de 2026
Geral

Golpe

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Falso médico tenta vaga em Borebi

Texto: Tânia Fonseca

Rapaz se apresenta a prefeita como pediatra, se hospeda em pousada, não paga a conta e acaba descoberto pela polícia

Alan Coelho Generoso da Costa, 19 anos, nunca foi médico, mas tentou se empregar na rede municipal de saúde de Borebi, como pediatra. O golpe não deu certo e acabou na elaboração de um boletim de ocorrência que deverá resultar na instauração de um inquérito policial, na Delegacia de Polícia do Município.

Em Borebi, a história do "Dr. Alan" teve início na última segunda-feira, quando apresentando-se como Alan Coelho de Andrade, ele telefonou para a Prefeitura dizendo que estava hospedado em São Manuel e procurava uma vaga como médico pediatra, já que era recém-formado e precisava completar uma carga horária de 500 horas para poder ir para Cuba, continuar os estudos. O objetivo do rapaz, segundo a assistência social, era desenvolver um trabalho comunitário, como médico de família.

A prefeita Leila Vaca autorizou, então, que o rapaz fosse até a Prefeitura para que a questão fosse discutida. Mas na hora marcada, às 15 horas da segunda-feira, o rapaz não apareceu e ligou um pouco mais tarde, por volta das 17 horas, pedindo para que alguém fosse buscá-lo, uma vez que seu carro teria quebrado, perto de Aparecidinha. "Ele disse que estava a pé no asfalto. Aí a prefeita mandou buscá-lo", contou a assistente social Sandra.

Já em Borebi, o rapaz foi recebido pela prefeita e alguns vereadores que ouviram a proposta que ele tinha. "Para mim, ele disse que não ia cobrar nada", contou a assistente social, que foi apresentada ao rapaz na terça-feira de manhã e inclusive mostrou-lhe o centro de saúde.

Depois de conhecer o centro de saúde, o pretenso médico foi convidado para almoçar na creche, com demais funcionários, onde também almoçavam policiais civis. Na oportunidade, a prefeita recomendou para que rapaz que usava roupas brancas e já era chamado de doutor pelos moradores, providenciasse a documentação inclusive diploma e relação de locais onde já havia desenvolvido alguma atividade.

Mas a essa altura, surgiam as primeiras desconfianças sobre a identidade do então doutor. No dia seguinte, quarta-feira, o rapaz que havia então se hospedado numa pousada do muncípio, não apareceu na Prefeitura.

Na quinta-feira, quando apareceu na Prefeitura para o almoço, os policiais civis já estavam iniciando o processo de investigação, uma vez que a assistente social, já havia comentado sua desconfiança com os policiais. Começaram a surgir fortes indícios de que o rapaz, além de não ser médico, também já tinha passagens pela polícia por acusações de estelionato, furto e falsidade ideológica. "Ele tinha uma conversa estranha e as mãos calejadas. Não parecia ser médico. Além do que era muito jovem", comentou o investigador Ricardo, que trabalhou no caso juntamente com o escrivão

Émerson.

Então, depois do almoço de quinta-feira, quando estavam todos juntos novamente no refeitório da creche, os policiais se ofereceram para dar uma carona ao "médico". Mas, ao invés de levá-lo para a pousada, foram direto para a Delegacia. Em depoimento ao delegado Antonio das Neves, o rapaz teria confessado sua tática e foi autuado pelo artigo 171 do Código Penal Brasileiro (estelionato).

Durante as investigações, os policiais descobriram que Costa já havia tentado aplicar o mesmo golpe em outras cidades da região, só que apresentando-se como médico de clínica geral.

No depoimento que prestou na Delegacia de Borebi, Costa disse que era formado pela USP de Ribeirão Preto, com especialização em Cuba e experiência no grupo "Anjos do Asfalto". Teria dito ainda que tentou passar-se por médico porque precisava de emprego. Aos policiais ele disse ser, na realidade, um músico, nascido em Avaré e que morava em Ribeirão Preto. Nos pertences de Costa a polícia localizou telefones de outras prefeituras e inclusive o contato de uma livraria, onde ele