Incubadora de Empresas irá auxiliar micro e pequenas
Texto: Patrícia Zamboni
Está programada para o dia 4 de abril a inauguração da Incubadora de Empresas de Bauru, um projeto da Instituição Toledo de Ensino (ITE) em parceria com o Serviço de Apoio
às Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo
(Sebrae-SP). De acordo com Paulo Roberto Xavier, gerente da Incubadora de Bauru, no Brasil já existem 160 incubadoras de empresas, sendo 40 no Estado de São Paulo. Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo incentivar a abertura de empresas na cidade, atuando na área de produção e, conseqüentemente, na geração de empregos. Os "incubados" contam com dois anos de assessoria, com toda a infra-estrutura necessária, para poder, após esse período, se estabelecer no mercado e enfrentar a concorrência com mais competência. "Para Bauru, trata-se de um passo bárbaro a título de profissionalização dos micro e pequenos empresários que tiverem interesse em trabalhar direito", afirma Xavier. O projeto conta com o apoio da Unesp, Fiesp, Ciesp, Senai e Prefeitura Municipal de Bauru.
O primeiro passo para que o candidato a empresário procure a Incubadora ou o Sebrae é ter uma idéia. "A partir do momento que a pessoa tenha a intenção de colocar em prática um determinado projeto, ela pode procurar a Incubadora ou o Sebrae. Qualquer um dos dois vai dar orientações no sentido de analisar se o negócio que essa pessoa pretende é viável ou não. Sendo viável e se o candidato quiser fazer parte da Incubadora
- tanto na área industrial quanto de prestação de serviços -, ele terá que executar um plano de negócio", orienta Paulo Xavier.
De acordo com ele, nesse plano o candidato a empresário faz uma projeção otimista e uma pessimista do empreendimento que ele pretende viabilizar. Para isso, será preciso fazer levantamento de mercado, busca de fornecedores, conhecer a concorrência, definir a localização de onde quer atuar e se a atuação da sua empresa será municipal, regional, estadual, nacional ou internacional. "Para qualquer foco que o candidato queira se dirigir, ele vai ter o apoio, tanto do Sebrae, quanto da ITE, e dos outros parceiros. O apoio acontece porque a partir do momento que o plano de negócio é aprovado, já existe uma grande possibilidade daquela empresa dar certo, porque esse plano é aprovado por uma comissão formada por integrantes de todos os parceiros do projeto", diz o gerente da Incubadora de Empresas de Bauru.
Durante os dois anos que o empresário estiver instalado na Incubadora para receber a assessoria, ele terá que participar de aproximadamente dez cursos por ano. A obrigatoriedade de participação
é para que os "incubados" aprendam a se tornar mais eficientes dentro do mercado. "Fazer parte da Incubadora de Empresas é um cartão de visitas para o empresário se apresentar à sociedade. Temos muitos casos de empresas que já estão estabelecidas e que querem entrar aqui para ter o reforço do sobrenome Incubadora", afirma Xavier.
Criação
A Incubadora de Empresas de Bauru nasceu de um projeto do professor Pedro Gravas, da Faculdade de Ciências Econômicas da ITE. "Em Bauru, já faz uns dez anos que a Prefeitura tenta criar uma Incubadora e não consegue, porque para isso é preciso que haja muita disposição e investimentos na Incubadora. Para se ter uma idéia, entre a ITE e o Sebrae nós estamos investindo mais de R$ 400 mil nesse projeto da Incubadora de Empresas", aponta Gravas. Segundo ele, a parceria com o Sebrae foi firmada no final do ano passado. "Quem vai sempre manter a Incubadora é a ITE. Vamos supor que um dia, com uma mudança de governo, por exemplo, o Sebrae decida não participar mais desse projeto, a Incubadora continuará existindo através da ITE", explica o professor.
De acordo com Gravas, a ITE não vai lucrar nada com este projeto. "A Incubadora é um serviço que a ITE presta à comunidade de Bauru. No próprio estatuto da ITE, de quando ela foi organizada, existe um dispositivo dizendo que a Instituição teria que prestar um serviço
à comunidade, que é um dos objetivos de toda a universidade", afirma Pedro Gravas. Segundo o professor, a sobrevivência da Incubadora de Empresas de Bauru virá dos próprios
"incubados", que mensalmente irão contribuir com o pagamento de despesas. Os custos comuns, como manutenção do local com pessoal de limpeza e segurança, são divididos entre os "incubados". Fora isso, cada empresário arca com seus gastos individuais de energia elétrica e telefone.
Sucesso
De acordo com Paulo Roberto Xavier, através de análises feitas nas incubadoras já existentes no País foi possível concluir que 80% das empresas que participam deste projeto, sobrevivem. Esse dado é inversamente proporcional aos 80% das micro e pequenas empresas que, no mercado, não chegam ao segundo ano de sobrevida. O sucesso é tão grande que o Sebrae irá investir R$ 3,7 mi no projeto Incubadora de Empresas em todo o País. Vale registrar que no Brasil, a união de todas as pequenas empresas existentes representam mais que as grandes.
Curiosidade: A primeira incubadora de empresas nasceu em 1937, na Universidade de Stanford. Dois jovens desenvolveram um projeto de pós-graduação e não tinham recursos para desenvolvê-lo. Então, a Universidade decidiu apoiá-los. O sobrenome desses dois jovens era Hewlett e Packard, os criadores da famosa HP (que no Brasil ficou conhecida pelas calculadoras e equipamentos para informática que fabrica).
Na ocasião do evento de inauguração da Incubadora de Empresas de Bauru, estarão instalados seis "incubados". Todos são da cidade e atuarão nas áreas de produção de embalagens, cartões magnéticos, execução de projetos elétricos, digitalização de imagens, eletroeletrônicos e robótica, e painéis eletrônicos. A capacidade é para abrigar 17 empresas, inicialmente. "Estaremos trabalhando só com seis neste início, porque para se tornar um incubado é preciso fazer um curso de preparação, e esse curso acaba abrindo os olhos do futuro empresário. Nós demos um curso do qual participaram 26 pessoas. Desse total, nove foram aprovadas na primeira instância e somente seis receberam a aprovação final do Conselho Diretivo da Incubadora", diz o professor Pedro Gravas. O objetivo é atingir a marca de 30 empresas "incubadas" em um ano.
Para a inauguração da Incubadora de Empresas de Bauru estão sendo aguardadas as presenças do governador Mário Covas e do Ministro do Desenvolvimento, Alcides Tapias.
Pesquisa
Além de possibilitar a profissionalização a micro e pequenos empresários, a Incubadora de Empresas de Bauru terá em sua sede um Centro de Pesquisas e Serviços
à Comunidade. "Nós queremos que a Incubadora seja a porta de entrada de bons negócios para a cidade", diz Paulo Xavier. Segundo ele, uma ampla sala no prédio da Incubadora foi reservada para sediar o subnúcleo Softex, um local equipado com computadores de última geração, impressoras e provedor doados pela IBM. "Qualquer aluno de qualquer entidade educacional de Bauru, que tenha capacidade de desenvolvimento de softwares, poderá utilizar o Softex para trabalhar, em qualquer horário. O projeto Softex visa a criação de softwares não só para uso nacional, como também para exportação. Nosso objetivo é fazer com que, cada vez mais, o Brasil tire essa dependência de comprar tudo pronto no exterior. Isso pode ainda ser um sonho, mas se não corrermos atrás dele, não realizaremos esse sonho nunca. Se não oferecermos esses recursos para pessoas interessadas que não têm acesso a isso, nunca saberemos se temos talentos aqui", observa Paulo Roberto Xavier.