Procissão celebra dia de São José
Texto: Ricardo Polettini
O dia de São José, celebrado ontem, foi marcado em Bauru por uma procissão na Vila Industrial, que sedia a paróquia São José Trabalhador. O Bispo D. Aloysio José Leal Penna foi quem comandou a cerimônia, iniciando o percurso da Praça Antônio Pedroso em direção à igreja da paróquia, logo após a bênção das carteiras de trabalho dos fiéis.
Para lembrar a data a comunidade local vem promovendo uma quermesse na paróquia desde a última sexta-feira. Os festejos vão se estender até o próximo final de semana.
São José é um dos santos mais reverenciados dentro da tradição cristã e é celebrado como o protetor dos empregados, empregadores e das famílias e padroeiro da boa morte.
Santo tinha alto grau de espiritualidade
José era carpinteiro, uma profissão considerada simples há 2000 anos, porém de grande importância para a sobrevivência e ganho do sustento.
Na profissão, construía casas, estruturas e partes constituídas de madeira, com grande habilidade e desempenho, sendo muito procurado e respeitado por todos os membros de sua comunidade na cidade de Nazaré.
Também fabricava os móveis e utensílios para o lar, como mesa, cadeiras, cama etc. Já no ambiente profissional, fabricava algumas ferramentas úteis ao desempenho de alguns ofícios, tais como a estrutura de madeira do arado para diversas dimensões.
Começou como aprendiz desenvolveu o ofício. Ensinou diversas crianças, adolescentes, homens, inclusive Jesus, seu filho, e irmãos, todos os interessados na arte de trabalhar com a madeira.
Sabia a importância da liberdade do homem pelo trabalho, pois acreditava que aquele que aprendesse um ofício estaria livre, principalmente a habilidade manifestada pelas mãos na realização deste trabalho, que considerava abençoado por Deus.
Acreditava que tudo provinha de Deus, que, na sua concepção, atendia o mérito conquistado por cada um como fruto do esforço, tanto no trabalho, a matéria prima, juntamente com o conhecimento, desenvolvimento e descobertas.
Com seu progresso de empregado dedicado, constituiu sua própria oficina de carpintaria, onde também orientava seus empregados.
Hoje, na tradição cristã, é lembrado também como protetor e patrono dos empregados e empregadores.
Descendência de José
José descendia da família real de Davi, cuja residência localizava-se na cidade de Belém, dentro do território da Judéia, embora vivesse em Nazaré, dentro da Galiléia, ambas eram governadas por Herodes, o Grande. São os territórios que eram conhecidos como região da Palestina.
José era um membro importante e respeitado em sua comunidade, freqüentava constantemente a sinagoga, participando dos trabalhos, leituras e meditações das escrituras sagradas, orientação esta
que passou a Jesus, pois na tradição judia, o pai
é responsável pela formação espiritual do filho homem.
Casamento e a prova de fé
Na época, o casamento entre os judeus apresentavam uma certa formalidade, cujo acerto era feito entre os pais e com o consentimento do Rabino. Isto também aconteceu por parte de Ana, mãe de Maria e já viúva quando procurou José para esposar sua filha.
José homem maduro, autônomo, equilibrado, prudente e justo, aceitou tal compromisso, embora exista na tradição uma passagem sobre o compromisso com Maria por parte de vários pretendentes.
Um teste fora aplicado a todos eles, mas o sinal apareceu somente em José, quando, em seu cajado, floresceram lírios.
Sua primeira prova de fé ocorreu no tempo de seu noivado. Maria, escolhida por Deus e informada pelo Anjo Gabriel para gerar o seu filho, aceitou emocionada com muita alegria tal missão, pois também lhe fora revelado outro segredo divino, a gravidez de Elizabete, mulher de Zacarias, prima de sua mãe, Ana.
O fato provocou grande admiração e espanto, pois Elizabete já tinha quase 50 anos de idade e era estéril. Com isso, Maria partiu em viagem a fim de visitar Elizabete. Quando retornou, já com a aparência de gestante, confessou o ocorrido a José, que de primeiro impacto caiu em tristeza confessando sua decepção, intencionando a separação, repudiando-a em segredo, apesar de muito amar Maria.
Nesta mesma noite, cheio de dúvidas e sentindo grande desilusão pensando que havia sido traído, sofrendo muito, em sonho o Anjo Gabriel lhe apareceu informando a vontade de Deus. José, assim, aceitou com resignação e humildade.
A partir deste momento, a unidade da família estava constituída e Deus não mais se comunicaria com Maria através do Anjo Gabriel, senão por José, cujo pátrio poder estava reestabelecido na terra. São José é reverenciado também como protetor e padroeiro da família.
Nestes dias, Roma ordenara o censo em toda a região, onde cada pessoa deveria se apresentar a sua cidade natal e lá registrar-se pagando uma quantia em dinheiro por cada membro de sua família.
Com isso, José, juntamente com Maria, que estava grávida, partiram para a cidade de Belém, pertencente à Judéia. O estágio avançado da gestação fez com que Maria viesse dar à luz ao chegar em Belém, cumprindo o que estava escrito nas escrituras sagradas.
O local era humilde, uma gruta, um dos poucos lugares livres nesta
época em que se comemorava a Páscoa Judia, a cidade estava cheia de imigrantes e José, apesar de tentar, não havia conseguido nenhuma hospedagem.
José cuidou de Maria no nascimento de Jesus, que logo em seguida recebera a visita de alguns pastores do campo, que haviam sido informados pelo Anjo Gabriel, sobre a criança recém-nascida e que ela seria o salvador do povo de Israel.
Ao completar o oitavo dia de nascimento, José, juntamente com Maria, levaram o menino ao templo de Belém para a circuncisão, conforme a lei mosaica. Quando se prepararam para sair, foram reconhecidos pelo velho Simeão, que aguardava no templo a vinda do messias.
José, ao retornar à gruta com Maria e o menino Jesus, onde estavam alojados, foram recepcionados pelos três Reis Magos, que se apresentaram louvando e presenteando a criança.
Herodes, sabendo do nascimento do Messias, temendo perder o poder, acompanhava a jornada dos Reis Magos, que não informaram o local do nascimento do menino Jesus, após a visita, retornando a seus países.
José, para muitos, teria concluído sua função quando Jesus completou seus 12 anos de idade, porém José ainda o acompanhou até a maturidade.
O santo morreu nos braços de Maria e de Jesus Cristo, seu corpo não foi encontrado, sendo reconhecido com alto grau de espiritualidade, assim como Maria, Jesus, Moisés, Elias e outros da alta hierarquia.
Por isso, José é reverenciado como o padroeiro da boa morte, protegendo os doentes e moribundos, garantindo a eles uma boa passagem para o "céu".
Também é lembrado como um ser de grande potência e realização nos planos superiores da Criação. A simbologia de sua imagem retrata a pureza e a castidade pelos lírios em seu ombro direito, que o permite receber o menino Jesus em seu lado esquerdo.