07 de julho de 2026
Geral

Privatização

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Sintetel tenta recolocar funcionários demitidos da Telefonica

Texto: Patrícia Zamboni

O Sindicato dos Empregados em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas no Estado de São Paulo (Sintetel) está se empenhando em negociações junto à Telefonica com o objetivo de reintegrar ao trabalho na empresa espanhola os 857 (no Estado de São Paulo) funcionários da Top Tel, empresa prestadora de serviços na área de manutenção de telefones públicos que foi formada por ex-funcionários da Telefonica.

A Top Tel foi criada por trabalhadores que aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) oferecido pela empresa de telefonia há quase um ano. De acordo com José Carlos Guicho, diretor do Sintetel, na época esses funcionários foram incentivados a formar a empresa, que ficaria encarregada de prestar serviços à Telefonica. Agora, com o término do contrato firmado, que tinha duração de seis meses, a Telefonica não aceitou renovar o contrato com a Top Tel, que apresentou orçamento para prestação de serviços durante um ano de R$ 290 mi. "As partes não entraram em acordo porque a Telefonica julgou o preço muito alto para um contrato anual", diz Guicho. Segundo ele, o Sintetel está fazendo reuniões diárias com a diretoria da Telefonica para que seja feita a recolocação do pessoal da Top Tel na Telefonica.

"Como a Telefonica era o único cliente da Top Tel, a empresa não tem como sobreviver sem contrato. Por isso, infelizmente, vai ter que fechar. Foi um choque para todos, inclusive para os gerentes da Top Tel. Agora, o Sindicato está preocupado em conseguir a recolocação desses funcionários na Telefonica. É uma situação preocupante e de gravidade social, porque são 857 pessoas, incluindo pais de família, que ficarão desempregadas. Muitos funcionários saíram da Telefonica sem ter aderido ao PDV, simplesmente porque acreditaram na Top Tel", observa Guicho.

De acordo com José Carlos Guicho, outra preocupação do Sintetel quanto à readmissão desses funcionários

é em relação à qualidade dos serviços de telefonia em cidades do Estado de São Paulo. "Essas pessoas são especializadas nesse trabalho. É a melhor mão-de-obra na área de telefonia pública. Se eles saírem do mercado, o serviço vai ficar prejudicado. E para formar novos e bons técnicos demora de dois a três anos. Nós apresentamos essa situação à Telefonica e sugerimos que esses trabalhadores sejam absorvidos pelas empreiteiras que serão contratadas para a prestação de serviços à Telefonica. As empreiteiras não terão tempo hábil para fazer a capacitação de pessoal", analisa Guicho. Segundo ele, a Telefonica está empenhada em recolocar toda essa mão-de-obra. "Esse

é o compromisso que a empresa firmou com o Sindicato. Mas ainda não sabemos se isso será realmente possível", diz.

De acordo com o diretor do Sintetel, a situação tem que ser resolvida até o dia 9 de abril, que é quando os funcionários da Top Tel terminarão de cumprir o aviso prévio. "Aliás, é bom frisar que os funcionários estão cumprindo rigorosamente o aviso prévio para não comprometer a qualidade dos serviços", observa Guicho.

Enqüanto isso, uma funcionária da Top Tel, Maria Fátima de Souza Denis, faz um protesto individual em relação

à situação dela e de seus companheiros. A qualquer momento ela pode ser vista na rua e no trabalho usando um "nariz de palhaço". "Não quero incitar nenhuma reação por parte dos meus companheiros;

é apenas um protesto individual. Estamos sendo tratados como palhaços nessa situação, por isso, estou usando esse nariz. Fomos totalmente motivados a construir essa empresa, e de repente, a empresa acabou", diz Fátima Denis.

"Eu primo pela família, pelo ser humano. Acho que uma empresa que não defende a família, não tem razão de existir. Infelizmente, nesse regime que vivemos no Brasil o trabalho vale muito mais do que o ser humano. Meu protesto é para mostrar como estou me sentindo", diz.