Mutuários de bairro "recém-inaugurado" reclamam da infra-estrutura
Texto: Erika de Lima
Mutuários do Conjunto Habitacional Joaquim Guilherme de Oliveira, conhecido como Pernambuco, inaugurado há menos de oito meses, reclamam sobre sua infra-estrutura. Eles afirmam que o núcleo foi entregue de forma irregular e, por isso, fizeram um abaixo-assinado reunindo 207 assinaturas.
As queixas iniciais foram feitas a respeito da pavimentação, que segundo eles, não é de boa qualidade, ao contrário do que diz o diretor da empresa. Depois disso, os moradores reclamaram da falta de galerias pluviais e da iluminação em algumas ruas, o que está deixando a população local amedrontada ao passar pela rua escura.
A professora Cristiane Nunes Pereira dos Santos, disse que todos que moram no bairro estão preocupados com a falta de iluminação em algumas quadras da rua Bernardino de Campos, próxima a uma padaria. "Não há iluminação nesse local, onde as crianças passam para ir à escola. Por causa desse problema os pais acabam levando seus filhos seja de carro ou à pé", conta.
As tubulações de esgoto abertas e a ausência de muros de arrimo foram outros problemas apresentados. Alguns mutuários estão preocupados porque moram próximos
à barrancos e temem que, com as chuvas a terra venha a despencar em cima da casa. A cabeleireira Simone Eliane dos Santos Camargo, 27 anos, alega que há moradores que possuem muro e outras não. "Já houve um caso em que uma casa foi invadida por um barranco porque não possuía muro de arrimo", relata.
As reivindicações do bairro que teve 450 casas entregues vão mais longe. Os mutuários dizem também que algumas delas foram entregue com irregularidades. Caixa d'água rachada, retorno de esgoto e telhas quebradas são exemplos dados pelos moradores. O frentista Pedro Miguel de Camargo Júnior, 31 anos, destaca que alguns problemas já foram resolvidos pela SAT Engenharia. "Mas ainda temos transtornos como na rua 8, que alaga toda vez que chove", recorda.
Entretanto, o diretor da construtora SAT Engenharia, Artur José Costa Sampaio, retruca as queixas. Ele afirma que o Núcleo Habitacional Joaquim Guilherme foi entregue totalmente regularizado.
"A Prefeitura e a Cohab fiscalizaram o núcleo durante sua construção. As casas que não foram entregue com muro de arrimo é porque essa obra não constava em seu contrato", acrescenta.
O diretor aproveitou também para fazer uma reclamação. Ele criticou a atitude dos moradores, que não o procuram para esclarecer as dúvidas. "Se os moradores tiverem algum problema deve nos procurar. Se a resolução for de nossa alçada, estaremos dispostos a negociar", completa.
O núcleo começou a ser construído entre 1997 e 1998 e a aprovação do projeto exigia que a empresa fizesse todas as melhorias que o bairro necessitasse. Na época, o então prefeito, Izzo Filho, assinou um termo de compromisso se responsabilizando pela colocação de galerias de água pluvial, rede de esgoto e de água. Entretanto, a nova gestão fez um outro acordo com a SAT Engenharia, a qual se comprometeu a colocar galerias, o que aconteceu. "Hoje, esses problemas dependem mais de uma conversa nossa com a empresa, para que as melhorias sejam feitas, e é isso que estamos tentando retomar", explica a titular da Secretaria de Planejamento
(Seplan), Maria Helena Rigitano.
Outras secretarias da Prefeitura como a Secretaria das Administrações Regionais (Sear) e a Secretaria de Obras deram um parecer sobre o assunto. O titular da Sear, Celso Donizete, está aguardando um retorno da Secretaria de Negócios Jurídicos para orientá-lo sobre a manutenção do bairro. E arremata: "Fizemos um relatório para saber se cabe a nós ou a SAT Engenharia tapar os buracos do bairro".
De acordo com Sampaio, o núcleo precisava de drenagem e a SAT Engenharia fez o trabalho sem constar em seu contrato. E, também fez contenção de erosão no local, que começava a erodir grande parte do Pernambuco.
No entanto, o titular da Secretaria de Obras, Edmilson Queiroz Dias, salientou que o departamento pretende dar continuidade à obra de combate a erosão assim como em 1999. "No ano passado a construtora forneceu os tubos de galerias e a secretaria executou o trabalho entrando com a mão-de-obra", resume.
Associação de moradores
No próximo sábado, a partir das 15 horas, os mutuários estarão se reunindo na quadra um da rua 3, para formar uma associação de moradores. Também será feita a leitura do estatuto, que já havia sido elaborada por alguns moradores. Toda a população local está convidada a participar. A reunião ocorrerá na rua três, 1-20.