08 de julho de 2026
Geral

Animais peçonhentos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Escorpiões e aranhas: picadas doloridas

Texto: Sabrina Magalhães

Lacraias, taturanas, lagartas, vespas e abelhas também podem inocular veneno, mas sem grandes complicações para o ser humano sadio

Além das cobras, vários outros animais causam pânico por suas picadas. Mas, na verdade, oferecem menos riscos ao ser humano do que as pessoas realmente acreditam. Os escorpiões, por exemplo, só causariam a morte numa pessoa muito debilitada, com problemas cardíacos, em crianças bem pequenas ou idosos já enfraquecidos. "Mas geralmente esses animais só causam dor intensa", afirma Luiz Pires.

Só em casos mais graves outros sintomas podem surgir, como vômitos, taquicardia, sudorese, aumento de pressão. Então, o médico vai utilizar soro antiescorpiônico e monitorar todas as funções vitais do paciente, pois há risco de coma e morte.

Os escorpiões geralmente são encontrados em locais onde há entulho, material de construção, restos de madeira. Ele se alimentam de insetos, como baratas e grilos. Para exterminá-los é preciso manter quintais e terrenos limpos. Outra solução, esta bastante caseira, é colocar galinhas no quintal, pois elas são predadoras naturais do escorpião.

Aranhas

Acidentes com aranhas peçonhentas são extremamente raros na região de Bauru. Mas algumas espécies, como as tarântulas, as caranguejeiras, as viúvas-negras, também oferecem riscos ao ser humano. Na maioria das vezes, tal qual acontece com os escorpiões, a picada de aranhas só causa dores intensas, sem maiores conseqüências. No entanto, é preciso observar a evolução dos sintomas, pois o quadro pode se agravar conforme as condições de saúde da vítima e o potencial de veneno do animal.

Neste sentido, a pessoa que recebeu uma picada pode ter a sudorese aumentada, um inchaço no local da picada, uma necrose superficial com formação de úlceras de difícil cicatrização. Algumas vezes, pode ocorrer também uma alteração na cor da urina, que ganha um aspecto marrom, cor de coca-cola.

O tratamento praticamente se resume na administração de analgésicos, para aliviar a dor. Apenas em casos mais sérios é que é usado um soro antiaracnídeo ou outro, conforme o animal. A picada de uma viúva-negra, por exemplo, causar alterações no sistema nervoso central, levando a vítima a quadros de convulsão tetânica.

Abelhas e vespas

Quase todo mundo já levou pelo menos uma picada de abelha na vida. Ela dói, causa um inchaço e avermelhamento local, mas não exige cuidados maiores. A não ser que a vítima seja alérgica ou tenha problemas cardíacos. Nestes casos, sem um socorro rápido, a pessoa pode morrer. Além de induzir uma parada cárdio-respiratória, este tipo de veneno é capaz de provocar asfixia. A vítima tem, então, poucos minutos para fazer uma traqueostomia, ou seja, abrir um buraco na traquéia (determinado ponto da garganta), por onde vai entrar oxigênio.

Em qualquer situação, havendo um acidente por picadas múltiplas de abelhas ou vespas, o caso deve ser tratado como emergência médica. Ainda não existe um soro específico contra esses venenos, mas há vários medicamentos que podem interromper as reações que ele provoca no organismo.

Lacraias e lagartas

Por fim, na lista dos animais venenosos, estão as lacraias e as lagartas (taturanas). Acidentes com picadas de lacraias são raros e quando acontecem, não resultam em quadros graves, apenas dor local. O tratamento se resume a analgésicos e limpeza com água e sabão, para evitar infecção no local da picada.

No caso das lagartas, existem mais de 100 espécies distribuídas pelo planeta. Todas se transformam em borboletas ou mariposas quando adultas, fase em que raramente causam problemas ao homem. Mas enquanto lagartas, o contato com a pele causa queimaduras, lesões urticantes e doloridas. Geralmente, isso desaparece em poucos dias. Apenas algumas espécies podem causar problemas mais sérios, como quadros hemorrágicos e osteoarticulares, comuns entre as lagartas encontradas na Amazônia. Só

é necessário um tratamento medicamentoso nesses dois últimos casos.