07 de julho de 2026
Geral

Tarifa de água

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

Reajuste eleva inadimplência do DAE

Texto: Márcia Buzalaf

O reajuste na tarifa de água da cidade de até 23,5% entre os meses de dezembro e janeiro causou um aumento significativo na inadimplência do Departamento de Água e Esgoto

(DAE). A falta de pagamento da tarifa passou de uma média de 18% por mês no final do ano passado para a marca de 26% em fevereiro deste ano.

O presidente da autarquia, Flávio Uchôa, afirmou que o aumento da inadimplência costuma aparecer justamente quando o as tarifas aumentam. O reajuste variou de acordo com as categorias de consumo, mas 50% do aumento foi repassado em dezembro de 99 e, o restante, em janeiro deste ano. "Isso

é natural. Quando alguma coisa aumenta, é comum ou a pessoa consumir menos ou não pagar", explica.

Em setembro do ano passado, o DAE registrou uma inadimplência de 18,88%; em outubro, 19,95%; em novembro, caiu para 16,17%; em dezembro, quando metade do reajuste foi implantado, a inadimplência subiu para 22,62%; em janeiro, quando os 50% restante do reajuste foi aplicado, passou para 28%; em fevereiro, registrou 26%; e, em março, até o dia 27, a falta de pagamento já somava 19,8% (os dados não computaram o pagamento do dia 24 e do dia 28).

O diretor financeiro do DAE, Fábio Passanezi Pegoraro, 28 anos, diz que o não-pagamento das tarifas este mês deverá ficar bem acima dos atuais 20%. Os dois dias restantes para o vencimento de conta, segundo Pegoraro, é relativo aos bairros mais periféricos da cidade, onde a inadimplência costuma ser maior.

Como o reajuste não foi linear, algumas categorias de consumo tiveram um aumento maior do que em outras. Os residenciais foram os que mais sofreram reajuste, de 23,45%. Os consumidores comerciais tiveram um aumento de 19,40%, os industriais, de 10,70%. A categoria institucional, que envolve os órgãos públicos, teve um aumento na tarifa de 0,99%, o menor registrado. "Isso porque o setor público tem por tradição não pagar. A gente tem uma visão pragmática: é melhor reajustar menos, mas pelo menos gerar uma expectativa de que ele (o setor público) venha a pagar", explica.

Uchôa justifica dizendo que a tarifa do DAE está congelada desde agosto de 97, e que os custos neste período só foram elevados. Ele menciona, como exemplo, dois importantes componentes de custo da autarquia que tiveram aumentos consecutivos nos últimos meses: a energia elétrica e o combustível. O DAE garante que ainda mantém a colocação de uma das tarifas mais baratas do País.

Evolução da inadimplência no DAE

setembro/99 18,88%

outubro/99 19,95%

novembro/99 16,17%

dezembro/99 22,62%

janeiro/00 28%

fevereiro/00 26%

março/00 19,8% (até o dia 27)

Fonte: DAE

DAE entrega dois caminhões para a prefeitura

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) entregou, ontem, dois caminhões reformados para a Prefeitura Municipal. A reforma dos veículos foi feita com base na recente lei que permite o convênio entre órgãos públicos para a troca de material e de pessoas.

Um dos caminhões era da própria autarquia, mas foi reformado para ser doado à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), com o objetivo de ser usado para a coleta seletiva de lixo. O outro caminhão era do Centro de Controle de Zoonoses, que foi reformado e retorna agora para o centro. Este veículo deve ser usado para o recolhimento dos animais das ruas da cidade.

Os veículos ficaram 30 dias em reforma e consumiram R$ 5 mil. Flávio Uchôa, presidente do DAE, diz que atualmente o valor de cada caminhão chega a R$ 20 mil.

O autor do projeto que legalizou o convênio entre os órgãos públicos, o vereador Roberto Bueno (PTB), afirma que este tipo de lei acaba por economizar dinheiro público e otimizar este recurso. O convênio entre dois órgãos públicos é feito mediante documentos e não exige nenhuma forma de pagamento em dinheiro.