Cips forma 91 alunos em vários cursos
Texto: Erika de Lima
Pelo terceiro ano consecutivo o Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips) fez, ontem, a formatura de seus 91 alunos, na própria sede. Setenta e quatro deles, formaram-se nos cursos de computação, editoração gráfica e estamparia, e 17 em marcenaria e embalagens. Eles tiveram seis meses de aula, resultando num total de 480 horas.
Um breve discurso realizado pelo presidente da Cips, Roberto Previdello, deu início à solenidade. Em seguida um dos diretores da entidade, José Carlos Augusto Fernandes, começou a distribuir os certificados. Cada vez que um aluno era chamado para receber o "diploma" provocava alvoroço na público que assistia, além das palmas.
Pais, alunos e representantes da Secretaria do Bem-Estar Social
(Sebes), do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Lions Clube mesclavam-se no público assistente.
Os cursos são realizados porque há um convênio firmado com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. O conselho além de ceder os equipamentos, paga os três monitores que lecionam os cursos.
Previdello, acredita que esses certificados servem para mostrar aos alunos que eles têm capacidade de fazer qualquer trabalho.
"O diploma declara que nossos meninos têm competência e base profissional para trabalhar em alguma empresa. Mas é muito difícil inseri-los no mercado de trabalho", afirma.
Entretanto, pais e alunos estão contentes com a formação seja no curso de computação ou marcenaria. A empregada doméstica Rosana Gomes, considerou muito importante a entrega dos certificados. "Esse tipo de trabalho seguido de uma cerimônia incentiva muito os jovens a estarem sempre em atividade", argumenta.
A vontade de alguns meninos é tão forte que eles não se intimidam com obstáculos. Há adolescentes que labutam muito, fazem o que podem para estudar e, não medem esforços para continuar com o trabalho. O filho do motorista, que está desempregado, José Carlos Ildefonso,
é um desses garotos que se esforça para estudar.
"Meu filho estuda à noite e vai ao Cips à tarde de bicicleta, principalmente quando não há passe de transporte, porque fica caro comprar dois passes por dia. Mas, ele não se importa e se precisar, anda alguns quilômetros de bicicleta por dia até chegar ao consórcio", conta.
A entidade fornece passe de transporte aos alunos para que eles possam freqüentar as aulas. Mas devido a baixa renda, nem sempre é possível entregar o passe a todos ou mesmo todo dia, observa Previdello.
No entanto, ele frisa que o trabalho da entidade é muito importante para a sociedade bauruense. Quem confirma isso são os pais dos alunos, que já esperaram muito tempo na fila, por uma vaga. "Fiquei aguardando meses na fila para meu filho entrar no Cips, mas valeu a espera porque esse trabalho é valioso", ressalta a dona de casa Selma da Cruz dos Santos, que é mãe de um formando.
Mais contentes que as mães ficaram os filhos. Thiago Pereira da Silva, 12 anos, Isaías Souza dos Santos, 15 anos, e Ezequiel Souza dos Santos, 15 anos, ressaltam que o certificado
é de um valor inestimável. "Nos esforçamos para receber o certificado e, isso é algo que guardaremos conosco", relata Ezequiel.
Já Thiago vê mais longe. "Esse diploma ajudará no momento em que eu for trabalhar em alguma empresa e tiver que comprovar meu curso", enfatiza.
A entidade que atende cerca de 400 garotos, entre os 12 e 16 anos, tem o objetivo de tirar as crianças da rua e ensiná-las a exercer algumas atividades. Essas que ajudarão a crescê-los com dignidade que todo cidadão merece.
Aceita-se doações
Há mais de 30 anos, a entidade desenvolve trabalhos com as crianças e adolescentes para que eles tenham ocupação nos momentos vagos, períodos em que não vão
à escola. A procura por vagas no Cips é grande, mas o dinheiro que a entidade recebe é pouco para atender a demanda.
No entanto, já existem 160 alunos matriculados para os cursos de computação, editoração gráfica e estamparia. A vontade do presidente do Cips, é aumentar o número de alunos, mas para isso é necessário mais verba.
A falta de dinheiro atrapalha o andamento de novos projetos para a entidade, pode-se ver isso, pelo número de funcionários, por exemplo. Cerca de 15 profissionais trabalham na entidade.
Segundo Previdello, infelizmente não há como contratar mais pessoas, nem matricular mais crianças, porque o dinheiro recebido pelos órgãos governamentais é pouco.
Apesar disso, há mães que não perdem as esperanças e esperam que mais vagas sejam abertas, e também para meninas. Outras mães ainda indignam-se porque as empresas não se importam em ajudar as entidades. "As empresas deveriam cooperar com as entidades como o Cips, para ajudar as crianças que se encontram na ruas", salienta Rosana.
A titular do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Maria Moreno Perrone, lembra aos empresários que ainda há tempo para colaborar com as instituições assistenciais. "No próximo mês as empresas terão que declarar o Imposto de Renda e aí poderão ajudar as entidades com, pelo menos 1%, que será revertido a elas. Assim sendo, eles estarão destinando o dinheiro para as crianças de Bauru e não para o governo federal", lembra.