Nova presidência da APM quer a municipalização da saúde
A nova presidência da Associação Paulista de Medicina (APM) tem como meta principal participar ativamente das discussões sobre a municipalização da saúde. A afirmação foi feita pelo presidente Newton Teruo Iutaka e pelo vice-presidente Fernando Monti, que assumiram a direção da APM em novembro do ano passado. A gestão é de três anos. "A saúde
é um problema nacional, e nós temos que tentar participar das soluções de problemas relacionados à saúde no nosso município. Nós entedendemos que se trata de um posicionamento corajoso que precisa ser tomado pelo município, mas a municipalização é um modelo que tem tudo para dar certo, para melhorar as condições da saúde da população", disse Newton Iutaka.
Na opinião dele, a municipalização necessita do suporte do Governo Federal para ser efetivada. "Eu considero que existe a necessidade de se contar com uma verba que seja destinada especificamente à saúde, e não ficar dependendo exclusivamente das ações políticas que vão fazer a divisão do bolo. O dia em que a saúde tiver essa vinculação orçamentária, como tem a educação, acredito que isso dê mais tranqüilidade para os municípios poderem gerenciar seus problemas relacionados a essa área", disse o novo presidente da APM. Para ele, em âmbito municipal, o sucesso passa, necessariamente, pelo fortalecimento do Conselho Municipal de Saúde, que na sua opinião, tem que ser bastante participativo e ter uma visão real dos problemas desse setor. "Essa visão é necessária porque é o Conselho que vai administrar a verba destinada
à saúde", colocou Iutaka. Para ele, a municipalização trará, a médio prazo, grandes melhorias para a cidade.
Na opinião de Newton Iutaka, os médicos brasileiros estão vivendo uma situação delicada. Nas palavras do presidente da APM, o poder aquisitivo do médico tem caído e a carga de trabalho tem aumentado. "Com isso, o médico começa a ter uma participação mais tímida nas questões que envolvem soluções políticas. Isso me faz entender que o médico passa a ser exclusivamente avaliado pelas suas fraquezas, e as suas virtudes ficam mais como obrigações. Isso não deixa de ser verdade, mas é muito freqüente nós ouvirmos reclamações de pacientes, principalmente do sistema público de saúde, que passou horas esperando para ser atendido e que o médico o atendeu mal", dissse.
Em defesa a essa real situação vivida pela maior parte dos brasileiros, o presidente da APM diz que o médico, muitas vezes, fica desestimulado no trabalho pela "injusta" remuneração recebida, já que ele também tem família para sustentar. "Isso não justifica o mal atendimento, mas talvez fosse o momento de dizer que não
é possível trabalhar dessa forma. Porém, eu ainda não sei exatamente onde enrosca a roda dessa engrenagem. O que posso dizer é que essa situação tem que ser revertida. E a municipalização pode ser a solução, porque de um lado, o médico precisa ser bem remunerado, e de outro, todo cidadão tem o direito de ser bem atendido. Estamos abertos à discussões, como entidade de classe", afirmou Newton Iutaka. (PZ)