Simplicidade bem perto do Tietê
Texto: Roberta Mathias
São 600 metros distante do rio Tietê, em uma área que pretende ser transformada em camping, com direito a campo de futebol society para a moçada, além da infra-estrutura para a pesca. No Pesq Pag do Manduca, o pescador encontra opções diferentes com a modéstia do campo.
A 50 quilômetros de Bauru, em Boracéia, há o Pesq Pag do Manduca, que completa três anos de atendimento na Semana Santa. O local, com área verde e dez tanques para a pesca, oferece simplicidade, preço e outras opções para atrair o pescador e sua família. Inicialmente, a idéia seria apenas criar alguns tipos de peixe para a família e os amigos se divertirem. Porém, a brincadeira deu certo e hoje o pesqueiro vai fazer mais um aniversário.
São pescadores de Jaú, Pederneiras, Lençóis Paulista, Bauru, Bariri que buscam seus "troféus" no Manduca. Terezinha Rosin sempre frequenta o pesqueiro acompanhada da família. Seu peixe preferido é o piauçu, um bom brigador. "O primeiro peixe do dia já foi fritar na cozinha do pesqueiro, que era um o piau, mas os próximos vou levar!", enfatiza Terezinha após fazer mais um arremesso. Ela sempre está acompanhada da neta Isabela dos Santos, que auxilia a avó a retirar os peixinhos da
água.
Já Tereza Mesquita Alves saiu de Itapuí para ir ao Pesq Pag do Manduca. "Adoro pescar. Aprendi com o meu pai e está dando certo. Já peguei dois pacus hoje." O pacu é o preferido de Tereza, que esteve visitando o pesqueiro acompanhada da família.
Criança na pesca
O anestesista Davis Zanetti, de Pederneiras, visita o Pesq Pag do Manduca sempre aos finais de semana. Acompanhado da esposa Solange e das filhas ana Beatriz, 6 anos, e Jéssica, 7 anos, ele informa que gosta da tranquilidade do pesqueiro. "Não gosto de pernilongos, mosquitos, e acho importante um certo conforto." Para ele, um dos pontos importantes no pesqueiro é a comida.
"Eles fazem um piauçu frito, inteiro, que fica uma delícia. Você nem percebe o espinho. O filé de tilápia também é muito bom, minhas filhas adoram, porque não tem espinho."
Zanetti acredita na importância dos pesqueiros para o lazer e bem-estar da comunidade. Pontual, Zanetti sempre chega cedo e vai embora antes dos pernilongos. "Eles não me pegam", enfatiza. E as filhas acompanham o pai, que ensina a dupla a pescar.
Projetos...
De acordo com as informações do gerente administrativo do Pesq Pag do Manduca, Airton Lelis, a idéia é aproveitar a proximidade do rio Tietê, pois o pesqueiro fica a 600 metros da margem, para construir um camping, onde as pessoas pudessem ficar por vários dias. "Vamos fazer um campo de futebol society também." Outro projeto e a mudança do parque de local, para que fique em espaço com mais sombra e próximo dos familiares.
Lelis aproveita para lembrar que sempre há shows ao vivo para quem frequenta o local. "Domingo, quinta-feira, procuramos trazer grupos de qualidade para cá."
Na cozinha...
Os mais pedidos são: porção de filé de tilápia; piauçu frito inteiro (são feitos vários cortes em todo o corpo do peixe, depois frita e
é só conferir como está crocante). Acompanha creme de alho, molho tártaro e pimenta; e porção de costelinha de pacu ou de tambaqui. São várias opções.
Serviço
No Pesq Pag do Manduca, o pescador só paga o quilo do peixe que pescar. Os preços são de acordo com a espécie: pacu, tambaqui, tambacu tilápia, carpa, curimbatá e piauçu custam R$ 4,00 o quilo; já matrinxã e piraputanga, o preço é R$ 5,00; o pintado é R$ 10,00 o quilo. As tilapinhas capturadas são grátis.
Às quintas-feiras, a partir das 19 horas, tem show musical no pesqueiro, sem portaria. Os frequentadores também podem utilizar os dez quiosques para churrasco sem nenhum custo adicional. A única exigência é que seja consumida a bebida local.
O Pesq Pag do Manduca fica em Boracéia, a 50 quilômetros de Bauru. É só pegar a rodovia Bauru-Jaú, entrar no trevo de Pederneiras sentido Boracéia/Bariri. Passando a entrada da cidade, segue em frente e depois pegar acesso
à esquerda (em uma venda desativada) por uma estrada de terra (em boas condições) por mais dois quilômetros. Informações pelos telefones (14) 252-3124 e 992-1994.
*********** História de pescador*********** Sucuri no Mogi
Quando eu era criança, em São Carlos, sempre ouvi meu pai contar histórias de pescarias, caçadas e outras aventuras. O Chiquinho, como sempre foi conhecido por aquela região, contava e recontava os casos. O rio Mogi Guaçu era o cenário das histórias. Lá, meu pai tinha um pesqueiro, de onde também tirava o barro para fazer tijolos na olaria, em Rincão.
Quando ele levava a gente (eu, meus irmãos Marcelo e Renato), era uma festa. Saíamos de São Carlos na surrada Rural em direção ao Mogi. Até lá, para mim, com apenas 8 anos, a viagem parecia eterna. Só sabia que estava chegando quando o Chiquinho encostava em um dos bares do taquaral para comprar biscoito de polvilho para nós. Nunca comi biscoitos tão saborosos!
Mais alguns quilômetros e pronto! Chegamos no rio Mogi. Lá, um verdadeiro paraíso. Tinha (digo tinha, porque depois que meu pai vendeu, tudo foi derrubado!) uma área de mata nativa cheia de macacos que vinham comer perto da casa. Era fantástico. Não era difícil a gente ver capivaras e outros animais. E em uma dessas viagens, seguíamos somente eu e meu pai, para o pesqueiro. Lá, estaria o meu tio Carlito, que sempre acampava durante semanas no Mogi para pescar.
Devo confessar que o pescador mesmo era o Carlito, meu pai gostava mesmo é de passear de barco e aproveitar da tranquilidade do lugar. Chegando no pesqueiro, fomos logo entrando na casa, onde ele ficava alojado e guardava suas tralhas. Olhamos pela casa e nem sinal do Carlito. O que chamou a nossa atenção foi uma carne cozida sobre o fogão à lenha. Curioso e "guloso", meu pai não resistiu e, sacando o canivete, cortou um belo naco e levou à boca. Eu, companheira de garfo, acompanhei. "Bom... ótimo!", dissemos. A carne estava, realmente, deliciosa. Apesar de passados mais de 15 anos, não esqueci daquele dia.
Satisfeitos, saímos da casa e fomos procurar o Carlitão. Chegando à beira do rio, avistamos uma canoa se aproximando. Era ele. Rindo muito e fazendo vários gestos para nós. Ele gritava, mas estava difícil de ouvir com o som do motor de popa batendo alto. Quando ele chegou mais perto, aí sim pudemos entender o porquê de tanta festa. Ele exibia um lindo dourado, que acredito pesasse uns 25 Kg, e sorria, enquanto encostava o barco.
Na minha ingenuidade, não entendia como era importante para ele pegar aquele peixão, que hoje é difícil de encontrar naquelas bandas. Mas a história ainda não acabou, pois assim que meu tio Carlito encostou o barco, foi logo perguntado se havíamos experimentado o assado. "É claro!", respondeu meu pai. "Então, foi uma sucuri de quatro metros que eu cacei ontem." Com os olhos brilhantes, vi, depois, ele exibir o couro da grande cobra. Apesar de saborosa carne, mesmo criança senti pena do animal, que tendo uma força de muitos homens, nada pôde fazer contra a cartucheira do tio Carlito. E esta não foi a menor que ele caçou, mas aí já é outra história.
Roberta Mathias é jornalista, não é pescadora, mas é apaixonada por pesca e peixes.
*********** Troféu pescador*********** A foto, enviada pelo leitor Paulo Prebianchi, retrata uma história interessante. A sucuri, após "almoçar" um delicioso bezerro, mergulhou numa merecida soneca. O legal,
é que o animal não foi perturbado durante o período que necessitou para degustar todo o alimento. Ela foi fotografada numa fazenda, em Ribeirão Preto, há cerca de um mês, e o pescador Paulo Prebianchi recebeu a foto do amigo Palamim. Diferente de tempos anteriores, hoje há mais respeito aos nossos animais.